Perguntas do paciente (17)

  • Boa tarde, tenho ansiedade diagnosticada e faço psicoterapia todas as semanas. Tive episódios extrem

    Boa tarde, tenho ansiedade diagnosticada e faço psicoterapia todas as semanas. Tive episódios extremos de ansiedade, inclusive momentos de desrealização, dos quais fiquei com trauma. Estou muito melhor no entanto, há momentos em que sinto que não estou bem presente, há certas situações que me provocam esse sentimento, começo a ver tudo com mais definição e a minha cabeça começa a levar-me logo para um "sitio de ansiedade" e medo inconsciente de ter algum episódio de desrealização. Tenho receio porque não quero continuar assim para sempre, e tenho medo que isto controle a minha vida e nunca mais sinta que estou presente e a viver a minha vida, e não em piloto automático. Na maioria dos momentos sinto que estou aqui, no entanto, quando tenho estes momentos a ansiedade acaba por se prolongar durante uns dias e é desafiante. Comecei com ansiedade extrema no início do verão, com ataques de ansiedade diários. Neste momento não tenho ataques de ansiedade, aprendi a geri-los mas tenho estes pensamentos que quero muito mudá-los e preciso disso para sentir que estou a viver a minha vida. Sei que é recente mas quero perceber se é normal ou se é algum distúrbio.
    Não tomo medicação antidepressiva ou para a ansiedade, e não pretendo tomar. Tomo medicação para a ansiedade mas medicação natural.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde,

    Obrigada por partilhar a sua experiência de forma tão clara e honesta. O que descreve é muito angustiante, e faz todo o sentido que sinta receio depois de ter vivido episódios intensos de ansiedade e desrealização. Essas experiências podem ser verdadeiramente assustadoras e, muitas vezes, deixam uma marca emocional que faz com que o corpo e a mente fiquem em “estado de alerta”, mesmo quando a ansiedade já está mais controlada.

    É importante reforçar que o que está a sentir é relativamente comum em quadros de ansiedade, sobretudo após episódios intensos. A desrealização não é um distúrbio separado nem algo perigoso, mas sim uma resposta do sistema nervoso ao excesso de ansiedade. O medo de que volte a acontecer acaba, por si só, por manter o ciclo de vigilância e desconforto, prolongando esses estados durante alguns dias, exatamente como descreve.

    O facto de já conseguir gerir os ataques de ansiedade e de, na maior parte do tempo, se sentir presente, mostra que há uma evolução muito significativa. Estes momentos de “desligamento” não significam que ficará assim para sempre, nem que perdeu a capacidade de viver plenamente. Pelo contrário: são sinais de um sistema nervoso que ainda está a recuperar.

    Em termos terapêuticos, pode ser muito útil trabalhar:

    * A relação com o medo da desrealização, aprendendo a não lutar contra a sensação, mas a acolhê-la sem a interpretar como ameaça.
    * Estratégias de grounding e regulação do sistema nervoso, para ajudar o corpo a voltar ao presente com segurança.
    * Trabalho cognitivo sobre os pensamentos automáticos de catastrofização, que surgem quando a mente “vai para o sítio da ansiedade”.
    * Abordagem focada no trauma, como EMDR, que ajuda a integrar a memória dos episódios mais intensos sem que continuem a disparar medo.

    O seu desejo de não viver em “piloto automático” é muito legítimo e saudável. A recuperação não é linear, e estes altos e baixos fazem parte do processo, especialmente sendo algo ainda recente. Com continuidade terapêutica e tempo, é possível que esses episódios se tornem cada vez mais curtos, menos intensos e menos assustadores.

    Está no caminho certo e não está sozinho(a) neste processo.
    Com apoio adequado, é possível voltar a sentir-se verdadeiramente presente e a viver a sua vida com mais liberdade.

    Um abraço acolhedor,
    Gilnéia


  • Bom dia, só tive episódios depressivos após deixar de fumar (mais ou menos há 12 dias), mas tenho mu

    Bom dia, só tive episódios depressivos após deixar de fumar (mais ou menos há 12 dias), mas tenho muita ansiedade e inquietação há muito tempo, difícil controlar-me em espaços públicos, sem ter ataques de pânico.
    Receitaram-me Sertralina, mas denotei que é mais um antidepressivo, é uma boa ideia tomar esta medicação?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Olá!
    Obrigada por partilhar a sua experiência — parar de fumar é um passo muito importante e corajoso, e é natural que isso mexa com o equilíbrio emocional, especialmente se já vinha a sentir ansiedade há mais tempo.
    A Sertralina é, de facto, um antidepressivo, mas também é amplamente usada para tratar transtornos de ansiedade, como ataques de pânico, ansiedade generalizada e fobias sociais. Muitas pessoas sentem melhoria nesses sintomas com a ajuda desse tipo de medicação.
    No entanto, é sempre importante acompanhar de perto os primeiros dias de uso com o/a médico/a que prescreveu. Pode haver efeitos colaterais iniciais ou necessidade de ajustes, e o acompanhamento profissional é essencial para garantir que está a fazer o melhor para si.
    Além da medicação, psicoterapia também pode ser um apoio fundamental para trabalhar as causas da ansiedade e desenvolver estratégias para lidar com ela, sobretudo neste momento de tantas mudanças.

    Está a cuidar de si, e isso é algo a valorizar.
    Estou por aqui se precisar.


  • Boa tarde, acredito que desde criança fui sofrendo algum tipo de bullying psicológico, por alguns me

    Boa tarde, acredito que desde criança fui sofrendo algum tipo de bullying psicológico, por alguns membros da minha familia e também por colegas de escola. Existiu um momento da minha vida que não queria ir para a escola mas como queria terminar o curso sofri e concluí o mesmo. Já em adulto e após o término de um relacionamento tive uma depressão e queria afastar-me de tudo. Apartir desse momento tentei ajuda com vários psicológicos. Estou melhor mas sinto que tenho fobias sociais que fazem com que evite a exposição e relacionamento amorosos. Sinto que cada vez tenho menos amigos e relacionamentos amoroso. Qual será o melhor apoio neste caso?
    Cumprimentos e obrigado pelas respostas

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde,
    Agradeço muito por partilhar a sua história com tanta coragem. É compreensível que, após experiências difíceis como bullying e uma depressão, surjam medos e dificuldades nos relacionamentos. O facto de já ter procurado ajuda mostra uma grande força e desejo de mudança.

    Neste momento, terapias focadas no trauma e na autocompaixão, como a Terapia EMDR, pode ser muito útil para trabalhar essas feridas emocionais.

    Você não está sozinho e é possível construir relações mais seguras e saudáveis.
    Estou aqui para o que precisar.

    Um abraço,
    Gilnéa


  • Olá!! Eu tive alguns relacionamentos passados que não correram bem porque me mentiram e traíram, esp

    Olá!! Eu tive alguns relacionamentos passados que não correram bem porque me mentiram e traíram, especialmente um antes deste que me deixou traumatizada. Ele mentiu me em tudo e tratou me como lixo. Tive 3 anos e tal solteira e agora tenho outro namorado. Basicamente tenho imensos ciúmes e gostava de poder controlar, não consigo. Tudo me faz confusão, é algo muito chato n é? É estranho mas até se ele comentar que outra mulher é bonita eu fico a matutar nisso... Ou se uma conhecida o cumprimentar com abraço, ou outra amiga o cumprimentar na rua e falar.... Não sei, sinto me mal sempre, já lhe tive q dizer isto as vezes... Discussões já aconteceram por causa disto, até pode ser escusado mas não consigo sentir me normal com coisas destas. O meu passado familiar foi horrível também, votei contato com a família porque me perseguiam, são de uma religião q eu n aceitei e q sempre me obrigaram a seguir mesmo eu não querendo. Foram manipuladores e tratavam me mal, vivia muito oprimida e presa sempre, sem poder ter uma infância normal.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Olá, e obrigada por confiar e partilhar algo tão profundo e verdadeiro. O que você sente faz todo o sentido — quando alguém que amamos nos trai ou nos fere, especialmente vindo de um passado tão difícil e opressor como o seu, é natural que a confiança fique abalada. Os ciúmes que sente hoje não são "coisa chata", são reflexos de feridas antigas que ainda doem, e que o seu coração tenta, de forma protetora, evitar que se repitam.

    É importante saber que não há nada de errado com você — esses sentimentos são compreensíveis, mas você merece poder viver um amor com mais leveza, sem estar em alerta constante. Um terapeuta pode te ajudar a curar essas marcas com cuidado e sem julgamento, para que possa confiar de novo, inclusive em si mesma.

    Você não está sozinha, e há caminhos para se libertar desse peso emocional. Um passo de cada vez, com carinho por quem você é.

    Algumas sugestões práticas e resumidas para lidar melhor com o ciúme:

    1. Respire e observe antes de reagir:
    Quando sentir ciúme, pare um momento, respire fundo e tente identificar o que exatamente te incomodou. Isso ajuda a não reagir por impulso.

    2. Escreva os pensamentos:
    Colocar no papel o que está a sentir pode aliviar a intensidade da emoção e ajudar a perceber se há exageros ou medos antigos por trás.

    3. Fale com ele com calma e sem acusações:
    Em vez de discutir, tente usar frases como: “Eu sinto insegurança quando isso acontece, mesmo sabendo que não é culpa tua”. Isso gera mais empatia e menos conflito.

    4. Afirme o seu valor:
    Lembre-se de tudo o que você tem de bom — ciúmes muitas vezes vêm da sensação de não sermos “suficientes”. Você é mais do que suficiente.

    5. Evite comparações:
    Se ele acha outra pessoa bonita, não significa que te ame menos. Apreciações não anulam sentimentos verdadeiros.

    6. Considere terapia individual:
    Trabalhar suas feridas antigas com ajuda profissional pode ser transformador. Você merece viver o presente sem ser prisioneira do passado.

    Espero ter ajudado.
    Com carinho,

    Gilnéia Castro


  • Boa tarde :) Nao sei se preciso de ajuda, mas preciso de alguem com quem falar. Emigrei ha 2 ano

    Boa tarde :)
    Nao sei se preciso de ajuda, mas preciso de alguem com quem falar.

    Emigrei ha 2 anos e meio, completamente sozinha, num pais que nao entendo nada.

    Tenho 30 anos, tenho me safado, mas ...

    Gostava mesmo de conseguir entender tudo na minha vida, resolver traumas, quebrar rotinas e vicios, entender o meu preposito na vida, qual o meu caminho, o porquê de ser tao ambiciosa.

    Sei que é normal isto na vida. Altos e baixos, por mais baixo que estive na vida consegui sempre votlar a cima, sinto que preciso de falar as vezes com alguem, que aqui jao confio em ninguem, mas por outro lado depois passa e nao sei se vale a pena, porque os meus problemas nao sao assim tao graves comparados com outras pessoas.

    Tive algumas crises de ansiedade e depressao na adolescencia, sempre me recusei a fazer a medicacao, aos 15/16 comecei a fumar thc, o que me fazia dormir e acalmava, ate hoje.. ano passado deixei de fumar, mas no fim do ano voltei, porque nao consigo dormir, tenho muitas insonias e pesadelos e pronto, tenho que dormir e trabalhar...

    Milhoes de coisas, tenho medo de ficar maluca também.

    E pronto, nao tenho NINGUEM a minha volta que saiba mais ou faça mais ou me ensine mais que eu ja saiba e nao sei que fazer entretanto.

    Espero me identificar com algum Dr nos comentarios.

    Muito obrigada pelo tempo disponibilizado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Obrigada por compartilhar com tanta honestidade — o que você está sentindo é profundamente humano, e querer falar com alguém já é um sinal de força, não de fraqueza. Emigrar sozinha, lidar com traumas, inseguranças e ainda manter o ritmo da vida é muita coisa para segurar sem apoio. O fato de você estar buscando sentido, tentando quebrar padrões e entendendo suas dores já mostra um grande autoconhecimento e vontade de evoluir. Não é preciso esperar que os problemas “se agravem” para procurar ajuda — você merece ser ouvida, compreendida e cuidada agora. Falar com um profissional pode te ajudar a transformar esse emaranhado de pensamentos em caminhos mais claros e leves.

    Você não está sozinha. O que sente importa — e você merece encontrar paz e direção. Um abraço cheio de empatia.

    Gilnéia Castro


  • Boa tarde, Há mais de 5 anos que tenho sofrido de ansiedade na condução, principalmente na auto-e

    Boa tarde,

    Há mais de 5 anos que tenho sofrido de ansiedade na condução, principalmente na auto-estrada. Evito ao máximo andar na mesma, mas há situações que tem mesmo de ser, e começo a sentir o coração acelerado, as vezes problemas a respirar, engolir saliva, boca seca, soar nas mãos... Será que me podiam aconselhar? Gostava muito de tirar este problema da minha vida!

    Obrigado.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde! O que você sente é uma forma de ansiedade específica, e é mais comum do que parece. A boa notícia é que tem solução. O ideal é procurar um psicólogo, especialmente com experiência em terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda bastante nesses casos.

    Enquanto isso, pode tentar:

    * Respirar fundo e devagar antes e durante a condução.
    * Evitar cafeína antes de dirigir.
    * Ir praticando aos poucos, em percursos curtos e seguros.

    Com apoio certo, é possível superar isso e voltar a conduzir com confiança. Você não está sozinho!

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


  • Olá, estou à procura de um profissional com experiência em casos de abuso sexual e formação em psico

    Olá, estou à procura de um profissional com experiência em casos de abuso sexual e formação em psicoterapia, para acompanhamento psicológico conjunto com um psiquiatra. Tenho um historial de depressão e ansiedade, e já consultei psicólogos e psiquiatras anteriormente, mas não tive boas experiências nem com os profissionais, nem com a medicação.

    Recentemente passei por uma situação difícil e sinto que preciso de ajuda especializada para lidar com o que aconteceu. Gostaria de encontrar alguém compreensivo e com experiência nesta área, de preferência na zona de Guimarães. Agradeço desde já qualquer recomendação

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Entendo a sua situação e a importância de encontrar um profissional que possa oferecer o suporte necessário, especialmente em um momento tão delicado. Gostaria de sugerir que, ao procurar um terapeuta, seja importante verificar a formação e a experiência específica dele em lidar com casos de abuso sexual, além da capacidade de trabalhar de forma integrada com o psiquiatra, como você mencionou.

    Em relação à questão da medicação e das experiências anteriores com outros profissionais, pode ser útil buscar alguém com uma abordagem mais personalizada e que esteja disposto a trabalhar de forma conjunta com o psiquiatra, de modo a ajustar tanto o tratamento psicoterapêutico quanto o farmacológico, se necessário. Às vezes, a combinação de abordagens e a busca por profissionais que demonstrem empatia e compreensão podem fazer toda a diferença.
    Vou deixar aqui uma sugestão de uma colega na zona de Guimarães.

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


  • Boa tarde. Sofro de ansiedade e fiz cerca de um ano de psicoterapia, o que me ajudou bastante a co

    Boa tarde.
    Sofro de ansiedade e fiz cerca de um ano de psicoterapia, o que me ajudou bastante a controlar as crises e evitou que tivesse de recorrer a medicação.
    Mas de há uns meses para cá notei que sinto a necessidade de ter sempre as mãos ocupadas, seja a mexer numas bolinhas de uma pulseira que tenho ou a coçar o couro cabeludo.
    A minha questão é se este novo "sintoma" poderá ser derivado à ansiedade ou algo para além disso.
    Sem mais,
    Obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde, e obrigada por partilhar com tanta clareza. O que você descreve pode sim estar relacionado à ansiedade — muitas vezes, o corpo encontra formas de descarregar a tensão acumulada através de movimentos repetitivos ou de autorregulação, como manipular objetos ou tocar o corpo. Isso é bastante comum e, na maioria dos casos, não indica algo grave, mas sim um sinal de que seu sistema ainda está tentando lidar com o stress interno.

    Ainda assim, vale a pena observar com carinho: esses comportamentos aumentaram junto com alguma mudança na sua vida? Estão interferindo no seu bem-estar ou rotina? Se sim, pode ser útil retomar o acompanhamento com um profissional, mesmo que por pouco tempo, para prevenir que a ansiedade se intensifique ou se manifeste de outras formas.

    É ótimo que esteja atenta a si mesma — esse é um passo importante no cuidado com a saúde mental. Um abraço com acolhimento.

    Gilnéia Castro


  • Boa tarde! Tenho muito dificuldade de aprendizagem de concentração , foco sou muito distraída desde

    Boa tarde!
    Tenho muito dificuldade de aprendizagem de concentração , foco sou muito distraída desde quando era criança era assim. A professora ate chegou chama de burra por eu ser atrasada na escola.
    Hoje tenho 37 anos continuo na mesma falta de concentração ,foco dificuldade de acompanhar uma conversa me perdo na conversa faço coisa sem da conta muitas das vezes até me prejudico só depois que dou conta.
    Tenho vontade de lê aprender algo novo mas me desmotiva por ter falta de concentração ,foco.
    Não sei que devo fazer sinto-me triste por ser assim.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde, e muito obrigada por partilhar algo tão íntimo e verdadeiro. O que você descreve não é falta de capacidade, e muito menos "preguiça" ou "burrice" — essas palavras que ouviu no passado foram injustas e podem ter deixado marcas dolorosas. A sua dificuldade de foco e atenção, desde a infância até agora, pode estar ligada a algo como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade), que muitas vezes não é identificado nas mulheres até a vida adulta.

    O mais importante é saber que existe caminho e existe apoio, e que você não está sozinha. Um profissional como um psicólogo ou psiquiatra pode te ajudar a investigar isso com calma, acolhimento e, se for o caso, orientar um tratamento que realmente melhore sua qualidade de vida e autoestima.

    Você tem valor, tem vontade de aprender e isso já é um grande começo. Não desista de si mesma — você merece sentir leveza, clareza e confiança no seu próprio ritmo. Um abraço com muito respeito e carinho.

    Gilnéia Castro


  • Bom dia. Tenho um familiar próximo que está a mostrar ter problemas de alcoolismo e sinto-me impote

    Bom dia.
    Tenho um familiar próximo que está a mostrar ter problemas de alcoolismo e sinto-me impotente sem saber como agir nesta situação e qual a melhor forma de o ajudar.

    obrigada

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde, e obrigada por compartilhar algo tão delicado. É muito difícil ver alguém que amamos passar por um problema como o alcoolismo, especialmente quando sentimos que já fizemos de tudo e mesmo assim não conseguimos ajudar. A sua preocupação mostra o quanto se importa — e isso já é muito valioso.

    O mais importante é lembrar que o alcoolismo é uma doença, e não uma escolha ou falta de força de vontade. A melhor forma de ajudar é com firmeza e empatia: encorajar a procura de ajuda profissional, como um médico, psicólogo ou grupos de apoio (como Alcoólicos Anónimos), e ao mesmo tempo cuidar de si, para não se desgastar emocionalmente. Muitas vezes, familiares também se beneficiam de apoio psicológico para lidar com os limites, a frustração e o medo.

    Você não está sozinha — procurar orientação já é um passo certo.

    Um abraço solidário, com respeito e força para este caminho.

    Gilnéia Castro


  • Olá eu já namoro há algum tempo sempre vivemos a 30 minutos um do outro, há três anos ele passa todo

    Olá eu já namoro há algum tempo sempre vivemos a 30 minutos um do outro, há três anos ele passa todos os verões comigo em minha casa neste momento estou a passar uns meses na casa dele, ele tem me deixado sozinha varias vezes para estar com amigos e acaba por dormir fora de casa sem me avisar, fiquei chateada com a situação só depois de uns dias é que fui falar com ele da situação de como isso me incomodou, eu falei a minha perspetiva de como me sentia mas parece que fui ignorada isto nunca aconteceu na minha relação e tenho sentido um distanciamento por parte dele e eu me aproximo dele para conversar/namorar ele nem me olha nos olhos não me toca ele diz que se sente confuso e tem que muita coisa na cabeça e não fala comigo já lhe pedi varias vezes o que faço?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Sinto muito que esteja passando por essa situação difícil — é compreensível que se sinta magoada e confusa diante do distanciamento e da falta de consideração dele. Você demonstrou coragem e maturidade ao expressar seus sentimentos com sinceridade, e é doloroso quando isso não é acolhido. Talvez seja o momento de cuidar de você, refletir sobre o que merece em uma relação e observar se ele está realmente disposto a se comprometer e dialogar com respeito. Você merece estar com alguém que te escute, valorize e esteja presente de verdade.
    Desejo que você encontre clareza e paz nesse momento. Cuide de você.

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


  • Eu e a minha irmã , ao longo dos anos fomos nos afastando. Aconteceu por nenhuma razão em particular

    Eu e a minha irmã , ao longo dos anos fomos nos afastando. Aconteceu por nenhuma razão em particular, não nos chateámos.
    Esta situação afeta me muito e causa me depressão.
    Gosto muito da minha irmã e tenho tentado reaproximar me e recriar os laços, mas está difícil da parte dela, dá a sensação que o tempo fez desvanecer o afeto Preciso de um terapeuta que saiba fazer com que os afetos voltem a vir ao de cima.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Sinto muito que esteja a passar por isso — é realmente doloroso quando sentimos que o laço com alguém que amamos se foi perdendo com o tempo, mesmo sem conflitos. A sua vontade de reconstruir essa relação já mostra muito amor e sensibilidade. Às vezes, a distância emocional cria barreiras que só o tempo e um trabalho interno podem ajudar a ultrapassar.

    Um terapeuta pode, sim, ajudar a trabalhar essa dor, a fortalecer a sua autoestima e a lidar com essa frustração, além de explorar formas saudáveis de manter (ou reconstruir) vínculos afetivos — mesmo que o outro lado não esteja tão aberto no momento.

    Você merece cuidar dessa dor com carinho. Procurar apoio é um ato de coragem e amor por si mesma.

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


  • Bom dia. Uma amiga minha (50+) tem muitos problemas relacionais com alguns membros da família e não

    Bom dia. Uma amiga minha (50+) tem muitos problemas relacionais com alguns membros da família e não consegue lidar com eles, às vezes nem com a medicação para dormir (que já toma há largos anos) ela consegue pregar olho. Sente muita tristeza e mágoa, sente-se muito injustiçada e desvalorizada, e às vezes menciona que só quer desaparecer. De há 2 anos para cá começou a sentir um formigueiro na coroa na cabeça que ela descreve como mal-estar constante e duradouro, e depois de muitos diagnósticos físicos foi-lhe receitado ADT, mas sem ela nunca ter visto um psicólogo. Entretanto passou-lhe e ela deixou de tomar a medicação por causa do ganho de peso, só tomando quando precisa. Mas recentemente voltou a sentir esse formigueiro e a medicação parece não estar a ajudar. Já mencionei que ela deve ver um psicólogo mas não sei o que lhe dizer para a convencer, pois ela apenas entende que expor a vida dela não a vai ajudar a mudar a atitude da família. Como é que eu a faço entender que a ideia é dar-lhe ferramentas para ela conseguir lidar com tudo isso?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Que bom que você se preocupa tanto com sua amiga — é muito importante ela ter alguém como você por perto. Pelo que descreve, ela tem vivido uma dor emocional profunda e prolongada, que vai além do que qualquer um deveria enfrentar sozinho. É compreensível que ela sinta resistência em procurar ajuda psicológica, especialmente se acredita que o problema está nos outros, mas talvez ela possa começar a ver o psicólogo não como alguém que a vai "mudar", mas como alguém que pode ajudá-la a encontrar força, alívio e novas formas de lidar com tudo isso, sem carregar esse peso sozinha. Cuidar da saúde emocional é um ato de coragem e amor-próprio, e não uma exposição.

    Se sentir que faz sentido, pode dizer algo como: “Eu sei que isso não vai mudar o comportamento da tua família, mas pode mudar como tu te sentes diante de tudo isso — e tu mereces te sentir melhor.”

    Com carinho e respeito, ela pode ir abrindo espaço para essa possibilidade.

    Um abraço solidário — você está fazendo a diferença só por estar ao lado dela.

    Gilnéia Castro


  • Terapia Individual

    Bom dia !
    Estou a precisar de ajuda psicológica !
    Na minha juventude tive um relacionamento de 4 anos , ao fim desse tempo ela me traiu com outro rapaz !
    A partir desse dia eu nunca mais consegui ser a mesma pessoa, fiquei frio , e até hoje nunca mais consegui me apaixonar pois vivo com aquela sensação que vou ser traído de
    Novo e afasto as pessoas !
    Acha que preciso de ajuda ‭?
    Obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Bom dia, e obrigado por partilhar algo tão sincero. Sim, o que você viveu foi uma dor profunda, e o seu modo de se proteger (ficando mais frio, evitando se apaixonar) é uma forma que o seu coração encontrou para não sofrer de novo. Mas essa proteção, com o tempo, pode acabar isolando você do que também é bonito na vida: amar e ser amado com confiança.

    Sim, procurar ajuda psicológica pode fazer toda a diferença. Um psicólogo pode te ajudar a ressignificar essa experiência, curar a ferida da traição e, aos poucos, abrir espaço para novas ligações sem o peso do passado.

    Você merece viver relacionamentos com segurança e leveza. Pedir ajuda é o primeiro passo para voltar a sentir — no tempo certo, do seu jeito.

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


  • Ansiedade

    Boa tarde, tenho passado por problemas familiares mas já à algum tempo que mudo de humor, choro, tenho ansiedade, irrito me com facilidade e até as vezes apetece me bater em alguém.
    O que poderá ser ? Que ajuda devo procurar ? Psicólogo, Psiquiatra ou outro ?
    Desde já agradeço a atenção dispensada

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Boa tarde, e obrigada por partilhar o que está a sentir — é preciso coragem para dar esse passo. O que descreve (mudanças de humor, choro frequente, ansiedade, irritação intensa e impulsos agressivos) pode estar ligado a um quadro emocional mais profundo, como depressão, ansiedade ou até um transtorno do humor, especialmente se os sintomas já vêm de algum tempo.

    O ideal seria começar por um psicólogo, que pode ouvir com atenção e ajudar a entender o que está por trás dessas reações. Se for necessário apoio com medicação, ele poderá encaminhar para um psiquiatra. Muitas vezes, o trabalho em conjunto entre os dois traz ótimos resultados.

    Você merece sentir-se bem consigo mesma. Pedir ajuda é um ato de força, não de fraqueza.

    Um abraço com empatia.

    Gilnéia Castro


  • Estou um bocado frustrado por tentar psicoterapia por um longo período (mais de um ano) para resolve

    Estou um bocado frustrado por tentar psicoterapia por um longo período (mais de um ano) para resolver um transtorno de ansiedade sem grandes resultados. E vejo muitos casos bem mais graves que o meu que tomam antidepressivos e ficam bem! Acho que já consegui os resultados esperados da psicoterapia, aceitar os sintomas, viver com eles, não tenho qualquer ataque ou fobia mas diversos sintomas continuam. E uma qualidade de vida muito pobre... Quero evitar medicamentos a todo custo devido aos efeitos secundários e sempre acreditei na psicoterapia mas começo a duvidar. Qual é na verdade os resultados que tem com os seus clientes? Sei que ansiedade é normal em certas situações sempre a tive em toda a minha vida mas desde que entrei em crise é disfuncional e constante... Só quero a minha vida de volta!

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Olá, agradeço por partilhar algo tão importante e compreendo profundamente o quanto deve ser frustrante sentir que está a dar o seu melhor, e mesmo assim continuar a viver com sintomas que comprometem a sua qualidade de vida. A sua perseverança até aqui já demonstra uma grande força, mesmo que talvez neste momento esteja difícil reconhecer isso em si mesmo.

    É muito comum que, em casos de ansiedade persistente, especialmente quando os sintomas são disfuncionais e duradouros, a pessoa comece a duvidar de tudo — da eficácia do processo, da sua própria capacidade de mudança, e até da esperança de voltar a viver com mais leveza. E é legítimo ter esses questionamentos.

    Compreendo também a sua preocupação em evitar medicação. Muitas pessoas partilham desse receio, e felizmente há abordagens psicoterapêuticas que, mesmo sem o suporte farmacológico, têm mostrado ótimos resultados. No meu trabalho, utilizo principalmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) — duas abordagens baseadas em evidências científicas, eficazes no tratamento da ansiedade.

    A TCC ajuda a identificar e reestruturar pensamentos automáticos e padrões de comportamento que alimentam a ansiedade. Já o EMDR, além de atuar sobre traumas evidentes, também tem se mostrado eficaz em experiências acumuladas que deixam o sistema nervoso constantemente em alerta, como é comum em quadros ansiosos de longa data.

    Tenho acompanhado diversos casos em que, mesmo após anos de sofrimento e tentativas frustradas, as pessoas conseguiram encontrar alívio significativo e duradouro com essas abordagens — não apenas com a diminuição dos sintomas, mas com uma reconexão com a vida, com seus desejos, sua espontaneidade e confiança. Isso não significa que o caminho seja sempre linear ou rápido, mas sim que ele é possível.

    O seu relato de já ter alcançado avanços como aceitar os sintomas, conviver com eles e não ter ataques ou fobias é algo muito importante. Talvez agora seja o momento de trabalhar em camadas mais profundas — as que mantêm essa sensação de ameaça constante — para que a mudança não seja só de entendimento, mas sentida no corpo, na rotina e no bem-estar diário.

    Se quiser, posso partilhar mais sobre como essas abordagens são aplicadas em casos como o seu. Seja qual for o próximo passo, o mais importante é saber que ainda há caminhos e que não está sozinho nisto.

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


  • Existe terapia para superar uma

    Existe terapia para superar uma separaçao dificil? Nao estou a conseguir ultrapassar ..

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Gilnéia Castro

    Sim, existe terapia para superar uma separação difícil — e é muito compreensível que esteja a sentir-se assim agora. Finais de relacionamento, especialmente quando envolvem sentimentos profundos, planos em comum ou até rupturas inesperadas, podem abalar não só o emocional, mas também a forma como nos percebemos e nos relacionamos com o mundo.

    O sofrimento que vem com a perda de alguém importante não é sinal de fraqueza, mas sim de que aquilo que viveu teve um significado real. O luto pelo fim de uma relação é um processo legítimo e natural, mas nem sempre conseguimos atravessá-lo sozinhos — e é aí que a psicoterapia pode ajudar muito.

    Na terapia, é possível encontrar um espaço seguro para elaborar essa dor, entender o que está a acontecer consigo, dar lugar aos sentimentos (sem se afogar neles) e, aos poucos, reconstruir o sentido da sua vida além dessa relação. Não se trata de "esquecer" ou "seguir em frente rapidamente", mas de respeitar o seu tempo emocional e aprender a cuidar de si mesmo neste novo capítulo.

    Com acolhimento,

    Gilnéia Castro


Perguntas frequentes

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