Boa tarde, tenho ansiedade diagnosticada e faço psicoterapia todas as semanas. Tive episódios extrem
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Boa tarde, tenho ansiedade diagnosticada e faço psicoterapia todas as semanas. Tive episódios extremos de ansiedade, inclusive momentos de desrealização, dos quais fiquei com trauma. Estou muito melhor no entanto, há momentos em que sinto que não estou bem presente, há certas situações que me provocam esse sentimento, começo a ver tudo com mais definição e a minha cabeça começa a levar-me logo para um "sitio de ansiedade" e medo inconsciente de ter algum episódio de desrealização. Tenho receio porque não quero continuar assim para sempre, e tenho medo que isto controle a minha vida e nunca mais sinta que estou presente e a viver a minha vida, e não em piloto automático. Na maioria dos momentos sinto que estou aqui, no entanto, quando tenho estes momentos a ansiedade acaba por se prolongar durante uns dias e é desafiante. Comecei com ansiedade extrema no início do verão, com ataques de ansiedade diários. Neste momento não tenho ataques de ansiedade, aprendi a geri-los mas tenho estes pensamentos que quero muito mudá-los e preciso disso para sentir que estou a viver a minha vida. Sei que é recente mas quero perceber se é normal ou se é algum distúrbio.
Não tomo medicação antidepressiva ou para a ansiedade, e não pretendo tomar. Tomo medicação para a ansiedade mas medicação natural.
Não tomo medicação antidepressiva ou para a ansiedade, e não pretendo tomar. Tomo medicação para a ansiedade mas medicação natural.
Boa tarde,
Obrigada por partilhar a sua experiência de forma tão clara e honesta. O que descreve é muito angustiante, e faz todo o sentido que sinta receio depois de ter vivido episódios intensos de ansiedade e desrealização. Essas experiências podem ser verdadeiramente assustadoras e, muitas vezes, deixam uma marca emocional que faz com que o corpo e a mente fiquem em “estado de alerta”, mesmo quando a ansiedade já está mais controlada.
É importante reforçar que o que está a sentir é relativamente comum em quadros de ansiedade, sobretudo após episódios intensos. A desrealização não é um distúrbio separado nem algo perigoso, mas sim uma resposta do sistema nervoso ao excesso de ansiedade. O medo de que volte a acontecer acaba, por si só, por manter o ciclo de vigilância e desconforto, prolongando esses estados durante alguns dias, exatamente como descreve.
O facto de já conseguir gerir os ataques de ansiedade e de, na maior parte do tempo, se sentir presente, mostra que há uma evolução muito significativa. Estes momentos de “desligamento” não significam que ficará assim para sempre, nem que perdeu a capacidade de viver plenamente. Pelo contrário: são sinais de um sistema nervoso que ainda está a recuperar.
Em termos terapêuticos, pode ser muito útil trabalhar:
* A relação com o medo da desrealização, aprendendo a não lutar contra a sensação, mas a acolhê-la sem a interpretar como ameaça.
* Estratégias de grounding e regulação do sistema nervoso, para ajudar o corpo a voltar ao presente com segurança.
* Trabalho cognitivo sobre os pensamentos automáticos de catastrofização, que surgem quando a mente “vai para o sítio da ansiedade”.
* Abordagem focada no trauma, como EMDR, que ajuda a integrar a memória dos episódios mais intensos sem que continuem a disparar medo.
O seu desejo de não viver em “piloto automático” é muito legítimo e saudável. A recuperação não é linear, e estes altos e baixos fazem parte do processo, especialmente sendo algo ainda recente. Com continuidade terapêutica e tempo, é possível que esses episódios se tornem cada vez mais curtos, menos intensos e menos assustadores.
Está no caminho certo e não está sozinho(a) neste processo.
Com apoio adequado, é possível voltar a sentir-se verdadeiramente presente e a viver a sua vida com mais liberdade.
Um abraço acolhedor,
Gilnéia
Obrigada por partilhar a sua experiência de forma tão clara e honesta. O que descreve é muito angustiante, e faz todo o sentido que sinta receio depois de ter vivido episódios intensos de ansiedade e desrealização. Essas experiências podem ser verdadeiramente assustadoras e, muitas vezes, deixam uma marca emocional que faz com que o corpo e a mente fiquem em “estado de alerta”, mesmo quando a ansiedade já está mais controlada.
É importante reforçar que o que está a sentir é relativamente comum em quadros de ansiedade, sobretudo após episódios intensos. A desrealização não é um distúrbio separado nem algo perigoso, mas sim uma resposta do sistema nervoso ao excesso de ansiedade. O medo de que volte a acontecer acaba, por si só, por manter o ciclo de vigilância e desconforto, prolongando esses estados durante alguns dias, exatamente como descreve.
O facto de já conseguir gerir os ataques de ansiedade e de, na maior parte do tempo, se sentir presente, mostra que há uma evolução muito significativa. Estes momentos de “desligamento” não significam que ficará assim para sempre, nem que perdeu a capacidade de viver plenamente. Pelo contrário: são sinais de um sistema nervoso que ainda está a recuperar.
Em termos terapêuticos, pode ser muito útil trabalhar:
* A relação com o medo da desrealização, aprendendo a não lutar contra a sensação, mas a acolhê-la sem a interpretar como ameaça.
* Estratégias de grounding e regulação do sistema nervoso, para ajudar o corpo a voltar ao presente com segurança.
* Trabalho cognitivo sobre os pensamentos automáticos de catastrofização, que surgem quando a mente “vai para o sítio da ansiedade”.
* Abordagem focada no trauma, como EMDR, que ajuda a integrar a memória dos episódios mais intensos sem que continuem a disparar medo.
O seu desejo de não viver em “piloto automático” é muito legítimo e saudável. A recuperação não é linear, e estes altos e baixos fazem parte do processo, especialmente sendo algo ainda recente. Com continuidade terapêutica e tempo, é possível que esses episódios se tornem cada vez mais curtos, menos intensos e menos assustadores.
Está no caminho certo e não está sozinho(a) neste processo.
Com apoio adequado, é possível voltar a sentir-se verdadeiramente presente e a viver a sua vida com mais liberdade.
Um abraço acolhedor,
Gilnéia
Os sintomas que descreve são típicos das perturbações de ansiedade. Já fez progressos importantes e o que conseguiu até agora é um indicador de que pode melhorar ainda mais, o processo ainda não acabou. Parabéns pela coragem e pelos resultados!
Olá, boa tarde. Se não pretende recorrer a medicação, na sua psicoterapia deve encontrar várias estratégias alternativas, embora seja um processo mais demorado e que envolve bastante resiliência da sua parte. Pela minha experiência profissional, a terapia cognitiva-comportamental tem tido bons resultados. Exerço a mesma há 24 anos, sempre com casos de sucesso. Procure um especialista nessa área.
Pontos-chave:
A desrealização não é perigosa, mas é altamente angustiante
O medo de “voltar a sentir” mantém o ciclo ansioso
Evitar medicação é uma escolha pessoal, mas deve ser acompanhada clinicamente
Não é possível confirmar se existe outro distúrbio sem avaliação.
Recomenda-se consulta psicológica focada em ansiedade, trauma e integração corporal.
A desrealização não é perigosa, mas é altamente angustiante
O medo de “voltar a sentir” mantém o ciclo ansioso
Evitar medicação é uma escolha pessoal, mas deve ser acompanhada clinicamente
Não é possível confirmar se existe outro distúrbio sem avaliação.
Recomenda-se consulta psicológica focada em ansiedade, trauma e integração corporal.
Boa tarde,
Antes de mais, é importante reconhecer o caminho que já fez. Passou por episódios intensos de ansiedade, com desrealização, e neste momento já não tem ataques diários — isso mostra capacidade de autorregulação e trabalho terapêutico consistente.
O que descreve agora — momentos pontuais de sensação de menor presença, hipervigilância (“ver tudo com mais definição”) e medo de que volte a acontecer um episódio — é muito frequente após experiências de ansiedade extrema. Muitas vezes não é um novo problema, mas sim o sistema nervoso ainda sensível, com receio de regressar a um estado que foi vivido como assustador. O medo da desrealização pode, por si só, reativar ansiedade e prolongar o desconforto durante alguns dias.
Estes fenómenos, quando surgem no contexto de ansiedade já diagnosticada e em acompanhamento, tendem a ser manifestações residuais do próprio quadro ansioso, e não necessariamente um novo distúrbio. O mais importante é perceber que a tentativa constante de “não voltar a sentir” pode aumentar a vigilância interna e manter o ciclo ativo.
É positivo que esteja em psicoterapia semanal. Talvez seja útil trabalhar especificamente o medo do medo — a relação que criou com a desrealização — e estratégias de ancoragem ao presente que não passem pelo controlo excessivo da experiência. A recuperação raramente é linear; oscilações fazem parte do processo.
Na Family Clinic trabalhamos com uma abordagem integrativa focada na regulação do sistema nervoso, na compreensão do trauma associado a episódios de ansiedade intensa e na reconstrução da sensação de segurança interna. O objetivo não é apenas reduzir sintomas, mas ajudá-la a recuperar a confiança de que pode estar presente na sua vida sem viver em antecipação constante.
O facto de procurar compreender o que está a acontecer já é um sinal de consciência e compromisso consigo. Com acompanhamento adequado, é possível que estes episódios se tornem cada vez menos frequentes e menos assustadores.
Antes de mais, é importante reconhecer o caminho que já fez. Passou por episódios intensos de ansiedade, com desrealização, e neste momento já não tem ataques diários — isso mostra capacidade de autorregulação e trabalho terapêutico consistente.
O que descreve agora — momentos pontuais de sensação de menor presença, hipervigilância (“ver tudo com mais definição”) e medo de que volte a acontecer um episódio — é muito frequente após experiências de ansiedade extrema. Muitas vezes não é um novo problema, mas sim o sistema nervoso ainda sensível, com receio de regressar a um estado que foi vivido como assustador. O medo da desrealização pode, por si só, reativar ansiedade e prolongar o desconforto durante alguns dias.
Estes fenómenos, quando surgem no contexto de ansiedade já diagnosticada e em acompanhamento, tendem a ser manifestações residuais do próprio quadro ansioso, e não necessariamente um novo distúrbio. O mais importante é perceber que a tentativa constante de “não voltar a sentir” pode aumentar a vigilância interna e manter o ciclo ativo.
É positivo que esteja em psicoterapia semanal. Talvez seja útil trabalhar especificamente o medo do medo — a relação que criou com a desrealização — e estratégias de ancoragem ao presente que não passem pelo controlo excessivo da experiência. A recuperação raramente é linear; oscilações fazem parte do processo.
Na Family Clinic trabalhamos com uma abordagem integrativa focada na regulação do sistema nervoso, na compreensão do trauma associado a episódios de ansiedade intensa e na reconstrução da sensação de segurança interna. O objetivo não é apenas reduzir sintomas, mas ajudá-la a recuperar a confiança de que pode estar presente na sua vida sem viver em antecipação constante.
O facto de procurar compreender o que está a acontecer já é um sinal de consciência e compromisso consigo. Com acompanhamento adequado, é possível que estes episódios se tornem cada vez menos frequentes e menos assustadores.
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