Bom dia. Uma amiga minha (50+) tem muitos problemas relacionais com alguns membros da família e não
Bom dia. Uma amiga minha (50+) tem muitos problemas relacionais com alguns membros da família e não consegue lidar com eles, às vezes nem com a medicação para dormir (que já toma há largos anos) ela consegue pregar olho. Sente muita tristeza e mágoa, sente-se muito injustiçada e desvalorizada, e às vezes menciona que só quer desaparecer. De há 2 anos para cá começou a sentir um formigueiro na coroa na cabeça que ela descreve como mal-estar constante e duradouro, e depois de muitos diagnósticos físicos foi-lhe receitado ADT, mas sem ela nunca ter visto um psicólogo. Entretanto passou-lhe e ela deixou de tomar a medicação por causa do ganho de peso, só tomando quando precisa. Mas recentemente voltou a sentir esse formigueiro e a medicação parece não estar a ajudar. Já mencionei que ela deve ver um psicólogo mas não sei o que lhe dizer para a convencer, pois ela apenas entende que expor a vida dela não a vai ajudar a mudar a atitude da família. Como é que eu a faço entender que a ideia é dar-lhe ferramentas para ela conseguir lidar com tudo isso?
6 respostas
Olá, Provavelmente a sua amiga está com uma depressão e sofre de transtorno de ansiedade. A depressão prega-nos partidas e faz-nos pensar duma forma muito negativa que nem sempre corresponde à realidade. Tem que explicar à sua amiga que o comportamento gera comportamento e se ela mudar o comportamento, os outros também vão mudar o comportamento. Deverá sim procurar ajuda dum psicólogo para a ajudar a mudar a forma como pensa e aumentar a sua autoestima. Se fizer isto, mesmo que os familiares não mudem ela vai aprender a lidar com a situação e a sentir-se bem independentemente dos outros. Beijinhos e espero ter ajudado! Anabela do Rosário Cruz Psicóloga Clínica e Hipnoterapeuta
Olá, sim, o processo psicoterapêutico não visa "mudar a atitude da família", mas implicá-la ao seu próprio estado de sofrimento, que hoje parece já vinculado a sintomas somáticos (corporais); ou seja, o foco é ela e não "outros". Esse talvez seja um único argumento que possa lhe oferecer para que procure um psicólogo. Profa Dra Christiane Whitaker - Lisboa
É importante que toda pessoa compreenda que a terapia é feita entre paciente e terapeuta, em conjunto. Por isso, ninguém pode ser obrigado a fazer psicoterapia, porque para que o paciente seja ativo no processo, como é necessário, é preciso que ele veja sentido em fazer terapia. Nessa situação descrita, temos dois problemas. A questão da sua amiga, que ela tem o direito de lidar da forma como ela compreender ser a melhor para si, mesmo que não seja a ideal. E temos a vossa questão. Parece que você gostaria muito de poder ajudar a sua amiga, mas não tem conseguido respeitar o limite que ela colocou. Com isso, caso você visse sentido, seria bom que você procurasse ajuda psicoterápica para se autoconhecer melhor e compreender porque tem encontrado tanta dificuldade em aceitar o limite que sua amiga coloca para a sua ajuda, assim poderá lidar melhor tanto com sua necessidade de ajudá-la quanto com o limite que ela impõe à sua ajuda e que tanto sofrimento tem causado a si.
Olá! Espero que esteja bem. Pelo que descreve, a sua amiga necessita de apoio psicológico para poder desenvolver ferramentas para lidar com os membros da família dela. A medicação por vezes é necessária, e ajuda bastante. A medicação auxilia na regulação dos processos biológicos, minimizando os sintomas sentidos. A causa da ansiedade terá de ser trabalhada. A medicação não consegue solucionar esse problema, apenas alivia a sintomatologia. Com o apoio psicológico seguramente que a sua amiga não irá mudar a atitude da família dela, mas poderá desenvolver estratégias de como lidar de forma mais assertiva, a dinâmica (cognitiva e comportamental) em relação aos seus familiares. O apoio psicológico é eficaz para quem quer ser ajudado, para quem deseja a mudança, sendo também, parte ativa no processo. Poderá sugerir à sua amiga que experimente algumas sessões de apoio psicológico, mesmo sem vontade, e mesmo sem acreditar no processo. Ela só poderá afirmar que não resulta, depois de experimentar. Não existem pílulas mágicas que resolvam os nossos problemas. A felicidade e o bem-estar emocional vêm do interior como resultado das nossas crenças, pensamentos e atitudes. O foco da psicologia enquanto ciência é aumentar a qualidade de vida e o bem-estar emocional da pessoa. Gostaria de referir que todos os psicólogos estão sujeitos ao Código Deontológico que impõe o sigilo e a confidencialidade. O papel dos psicólogos não é julgar, mas sim ajudar. Só é possível ajudar, quem quer ser ajudado. Ao ter indicado o caminho, ao ter indicado a solução do apoio psicológico à sua amiga, você preparou o terreno e plantou as sementes…. Resta aguardar que elas germinem. É um processo que poderá demorar algum tempo, até que a sua amiga se decida. O seu papel como amiga é meritório! Espero ter ajudado. Um abraço!
Que bom que você se preocupa tanto com sua amiga — é muito importante ela ter alguém como você por perto. Pelo que descreve, ela tem vivido uma dor emocional profunda e prolongada, que vai além do que qualquer um deveria enfrentar sozinho. É compreensível que ela sinta resistência em procurar ajuda psicológica, especialmente se acredita que o problema está nos outros, mas talvez ela possa começar a ver o psicólogo não como alguém que a vai "mudar", mas como alguém que pode ajudá-la a encontrar força, alívio e novas formas de lidar com tudo isso, sem carregar esse peso sozinha. Cuidar da saúde emocional é um ato de coragem e amor-próprio, e não uma exposição. Se sentir que faz sentido, pode dizer algo como: “Eu sei que isso não vai mudar o comportamento da tua família, mas pode mudar como tu te sentes diante de tudo isso — e tu mereces te sentir melhor.” Com carinho e respeito, ela pode ir abrindo espaço para essa possibilidade. Um abraço solidário — você está fazendo a diferença só por estar ao lado dela. Gilnéia Castro
A psicoterapia não serve para mudar a família, mas para: Desenvolver ferramentas internas Reduzir sofrimento Prevenir agravamento (incluindo dependências) Pode dizer-lhe que pedir ajuda é um ato de força, não de exposição. Recomenda-se consulta psicológica, idealmente articulada com o médico assistente.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.



