Fui molestado por sedução e somente após separação dos meus pais é que comecei a pensar sobre o assu

Fui molestado por sedução e somente após separação dos meus pais é que comecei a pensar sobre o assunto, tendo mais tarde sentido que a terapia é demasiado fria e desconectada. O que fazer? Fui molestado desta forma por todos os parentes próximos, achando eu ser normal.

4 respostas


Olá, boa tarde. O que descreve parece ter sido muito difícil de compreender e de integrar, sobretudo por ter acontecido no contexto familiar e por ter sido vivido, durante muito tempo, como algo normal. Muitas vezes, aquilo que vivemos em criança não conseguimos nomear como abusivo. Quando as pessoas que nos rodeiam validam determinados comportamentos, podemos crescer sem reconhecer que algo nos estava a fazer mal. Mais tarde, quando começamos a olhar para essas experiências de outra forma, podem surgir sentimentos de confusão, sofrimento, revolta ou até dificuldade em compreender como foi possível não ter percebido antes. O facto de estar agora a conseguir nomear o que aconteceu pode ser um passo importante, mas também pode tornar mais difícil continuar a viver como se nada tivesse acontecido. Se sente que a terapia tem sido fria ou desconectada, talvez seja importante procurar um profissional com quem possa construir uma relação de confiança e segurança. Nem sempre encontramos essa sintonia à primeira, e isso não significa que a terapia não possa ajudar. Pode ser útil procurar alguém com experiência no acompanhamento de pessoas que viveram experiências similares e que trabalhe de forma sensível ao trauma. O mais importante é que possa sentir que tem espaço para falar ao seu ritmo, sem ser julgado, pressionado ou obrigado a recordar mais do que consegue suportar naquele momento. Não precisa de enfrentar isto sozinho. Com o acompanhamento adequado, é possível compreender melhor o que aconteceu, cuidar do sofrimento que possa estar presente e construir uma relação consigo próprio mais segura e confiante. Se quiser, pode também partilhar com o seu terapeuta o que está a sentir em relação à terapia. Essa conversa, por si só, pode ser um passo importante para perceber se é possível ajustar o acompanhamento às suas necessidades.


Lamento que tenha passado por experiências tão difíceis. É compreensível que só mais tarde tenha conseguido questionar aquilo que viveu, sobretudo quando cresceu num contexto em que esses comportamentos eram apresentados como normais. O mais importante agora é que possa ter um espaço terapêutico onde se sinta seguro, ouvido e ligado ao terapeuta. Se sente a terapia fria ou desconectada, isso é importante de ser partilhado com o profissional. Não precisa de contar tudo nem de compreender já o que aconteceu. O processo pode ser feito ao seu ritmo, com respeito pelos seus limites e pela sua segurança. disponha, Equipa Gabinete de Psicologia Dra. Vera Faria


Lamento que tenha passado por experiências tão difíceis e que, ao procurar compreender o que viveu, não tenha encontrado na terapia o acolhimento de que precisava. Quando crescemos num ambiente em que determinadas experiências são tratadas como normais, pode ser difícil reconhecer o que sentimos, dar significado ao que aconteceu e perceber de que forma isso nos afetou. Por vezes, só mais tarde encontramos espaço para olhar para a nossa história com outras perguntas. Não há um momento certo para começar a fazê-lo. O que lhe aconteceu não foi culpa sua, e não precisa de enfrentar tudo isto de uma só vez. A terapia não tem de ser um lugar onde se sente obrigado a falar, a encontrar respostas ou a compreender imediatamente o seu passado. É, antes de tudo, uma relação em que deve poder sentir-se escutado, respeitado e acolhido, ao seu ritmo e sem julgamentos. Se a experiência que teve foi de frieza e distanciamento, vale a pena reconhecer que essa forma de se relacionar não corresponde necessariamente ao que a terapia pode oferecer. Poderá partilhar essa sensação com o profissional que o acompanha ou procurar alguém com quem sinta maior confiança e disponibilidade para o escutar. Talvez, neste momento, não precise de compreender tudo o que aconteceu, mas de encontrar um espaço onde possa começar a falar sobre isso sem ter de minimizar o que sentiu. A sua história merece ser escutada com respeito, e aquilo que sente merece ser levado a sério.


Antes de tudo, quero que saiba que aquilo que viveu merece ser acolhido com seriedade, respeito e sensibilidade. Quando somos crianças, podemos não ter maturidade para compreender que determinados comportamentos são inadequados, sobretudo quando vêm de pessoas próximas, em quem confiamos, e nos são apresentados como algo normal. O facto de ter demorado a reconhecer o que aconteceu não diminui a sua experiência nem o sofrimento que possa sentir hoje. Talvez a separação dos seus pais tenha despertado reflexões e sentimentos que, até então, não conseguia compreender. E lamento que a terapia lhe tenha parecido fria e desconectada, porque o cuidado psicológico também precisa de vínculo, segurança e humanidade. Tem o direito de procurar um profissional com quem se sinta verdadeiramente escutado, respeitado e acolhido, sem pressão para falar sobre aquilo para o qual ainda não se sente preparado. Não precisa de compreender tudo de uma vez, nem de percorrer este caminho sozinho. O primeiro passo pode ser permitir-se reconhecer a sua história, respeitar o seu tempo e descobrir que hoje pode construir uma relação consigo mesmo baseada na segurança, no respeito e no cuidado que merece. Um abraço acolher, Drª Gilnéia Castro

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.