Fui molestado por sedução e somente após separação dos meus pais é que comecei a pensar sobre o assu
Fui molestado por sedução e somente após separação dos meus pais é que comecei a pensar sobre o assunto, tendo mais tarde sentido que a terapia é demasiado fria e desconectada. O que fazer? Fui molestado desta forma por todos os parentes próximos, achando eu ser normal.
1 resposta
Olá, boa tarde. O que descreve parece ter sido muito difícil de compreender e de integrar, sobretudo por ter acontecido no contexto familiar e por ter sido vivido, durante muito tempo, como algo normal. Muitas vezes, aquilo que vivemos em criança não conseguimos nomear como abusivo. Quando as pessoas que nos rodeiam validam determinados comportamentos, podemos crescer sem reconhecer que algo nos estava a fazer mal. Mais tarde, quando começamos a olhar para essas experiências de outra forma, podem surgir sentimentos de confusão, sofrimento, revolta ou até dificuldade em compreender como foi possível não ter percebido antes. O facto de estar agora a conseguir nomear o que aconteceu pode ser um passo importante, mas também pode tornar mais difícil continuar a viver como se nada tivesse acontecido. Se sente que a terapia tem sido fria ou desconectada, talvez seja importante procurar um profissional com quem possa construir uma relação de confiança e segurança. Nem sempre encontramos essa sintonia à primeira, e isso não significa que a terapia não possa ajudar. Pode ser útil procurar alguém com experiência no acompanhamento de pessoas que viveram experiências similares e que trabalhe de forma sensível ao trauma. O mais importante é que possa sentir que tem espaço para falar ao seu ritmo, sem ser julgado, pressionado ou obrigado a recordar mais do que consegue suportar naquele momento. Não precisa de enfrentar isto sozinho. Com o acompanhamento adequado, é possível compreender melhor o que aconteceu, cuidar do sofrimento que possa estar presente e construir uma relação consigo próprio mais segura e confiante. Se quiser, pode também partilhar com o seu terapeuta o que está a sentir em relação à terapia. Essa conversa, por si só, pode ser um passo importante para perceber se é possível ajustar o acompanhamento às suas necessidades.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.