Perguntas do paciente (72)

  • Boa tarde. Sofro de ansiedade e fiz cerca de um ano de psicoterapia, o que me ajudou bastante a co

    Boa tarde.
    Sofro de ansiedade e fiz cerca de um ano de psicoterapia, o que me ajudou bastante a controlar as crises e evitou que tivesse de recorrer a medicação.
    Mas de há uns meses para cá notei que sinto a necessidade de ter sempre as mãos ocupadas, seja a mexer numas bolinhas de uma pulseira que tenho ou a coçar o couro cabeludo.
    A minha questão é se este novo "sintoma" poderá ser derivado à ansiedade ou algo para além disso.
    Sem mais,
    Obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve pode, de facto, estar relacionado com a ansiedade. A necessidade de ter as mãos sempre ocupadas — mexer nas contas de uma pulseira, coçar o couro cabeludo — enquadra-se muitas vezes em comportamentos que ajudam a descarregar ou a autorregular a tensão interna, e é comum surgirem em quadros de ansiedade. Dito isto, só uma avaliação pode confirmar se é esse o caso ou se há algo mais a considerar, sobretudo se estes gestos se tornarem frequentes ou difíceis de controlar. Como já fez psicoterapia com bons resultados, o mais útil é retomar o contacto com o seu psicólogo e trazer exatamente esta questão, para que seja avaliada com o devido contexto. Não é motivo para alarme, mas é um sinal que vale a pena compreender.


  • Boa noite, tenho muito receio de falar em público. Nao me sinto confortável em fazer akguma coisa

    Boa noite, tenho muito receio de falar em público.
    Nao me sinto confortável em fazer akguma coisa ao pe de alguém tenho medo de falhar..
    Nao queria ser assim, parece que estou sempre dependente de alguem para poder fazer algo bem..
    Obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve — o receio de falar em público, o desconforto em fazer algo perante os outros e o medo de falhar — é característico da ansiedade social, e é mais comum do que parece. Muitas vezes está ligado ao medo do julgamento e a uma exigência elevada connosco próprios, o que nos leva a sentir que precisamos da validação ou da presença de alguém para fazer bem as coisas. A boa notícia é que se trabalha bem em psicoterapia: a abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender a origem deste medo, os pensamentos que o alimentam e a construir, de forma gradual, mais confiança para agir de forma autónoma. O objetivo é que o receio deixe de a limitar. Para perceber o que o mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.


  • Boa tarde! Tenho muito dificuldade de aprendizagem de concentração , foco sou muito distraída desde

    Boa tarde!
    Tenho muito dificuldade de aprendizagem de concentração , foco sou muito distraída desde quando era criança era assim. A professora ate chegou chama de burra por eu ser atrasada na escola.
    Hoje tenho 37 anos continuo na mesma falta de concentração ,foco dificuldade de acompanhar uma conversa me perdo na conversa faço coisa sem da conta muitas das vezes até me prejudico só depois que dou conta.
    Tenho vontade de lê aprender algo novo mas me desmotiva por ter falta de concentração ,foco.
    Não sei que devo fazer sinto-me triste por ser assim.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    Sinto que carrega isto há muito tempo, e o sofrimento de ter sido chamada "burra" em criança não é inofensivo — muitas vezes deixa marcas na forma como nos vemos. Dito isto, a dificuldade de concentração e de foco que descreve, presente desde a infância e que se mantém na vida adulta, merece ser avaliada com atenção. Pode ter várias origens — desde questões de atenção a fatores emocionais como a própria ansiedade ou a desmotivação — e só uma avaliação psicológica pode esclarecer o que está por trás e indicar o melhor caminho. Não é sinal de falta de capacidade sua; é algo que merece ser compreendido. O indicado é procurar acompanhamento psicológico para uma avaliação individual, que lhe dê respostas e um plano ajustado ao seu caso.


  • Olá eu já namoro há algum tempo sempre vivemos a 30 minutos um do outro, há três anos ele passa todo

    Olá eu já namoro há algum tempo sempre vivemos a 30 minutos um do outro, há três anos ele passa todos os verões comigo em minha casa neste momento estou a passar uns meses na casa dele, ele tem me deixado sozinha varias vezes para estar com amigos e acaba por dormir fora de casa sem me avisar, fiquei chateada com a situação só depois de uns dias é que fui falar com ele da situação de como isso me incomodou, eu falei a minha perspetiva de como me sentia mas parece que fui ignorada isto nunca aconteceu na minha relação e tenho sentido um distanciamento por parte dele e eu me aproximo dele para conversar/namorar ele nem me olha nos olhos não me toca ele diz que se sente confuso e tem que muita coisa na cabeça e não fala comigo já lhe pedi varias vezes o que faço?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    É natural que este distanciamento a afete e que se sinta magoada por sentir que o que comunicou não foi ouvido. Numa relação, a forma como cada um lida com o conflito e comunica o que sente faz toda a diferença — e, pelo que descreve, parece haver aqui uma dificuldade de comunicação de ambos os lados. O que pode fazer a partir de si é continuar a expressar com clareza o que precisa, sem que isso dependa da reação dele. Se este padrão se mantiver, a psicoterapia — individual ou enquanto casal, se ambos estiverem disponíveis — pode ajudar a compreender o que está a acontecer entre os dois. Uma avaliação individual seria um bom ponto de partida para perceber o melhor caminho.


  • Eu e a minha irmã , ao longo dos anos fomos nos afastando. Aconteceu por nenhuma razão em particular

    Eu e a minha irmã , ao longo dos anos fomos nos afastando. Aconteceu por nenhuma razão em particular, não nos chateámos.
    Esta situação afeta me muito e causa me depressão.
    Gosto muito da minha irmã e tenho tentado reaproximar me e recriar os laços, mas está difícil da parte dela, dá a sensação que o tempo fez desvanecer o afeto Preciso de um terapeuta que saiba fazer com que os afetos voltem a vir ao de cima.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O afastamento gradual de alguém de quem gostamos, sem uma rutura clara, pode ser doloroso e é natural que a afete tanto. Sobre o que procura, importa ser clara: nenhuma terapia consegue, por si só, fazer regressar o afeto de outra pessoa — a reaproximação depende sempre das duas partes, e isso não está inteiramente nas suas mãos. O que a psicoterapia individual pode fazer, e é muito, é ajudá-la a compreender o que se passou entre as duas, a lidar com a tristeza que isto lhe causa e a encontrar formas de se aproximar respeitando o ritmo da sua irmã, sem que o seu bem-estar fique dependente da resposta dela. Uma avaliação individual seria o ponto de partida para esse trabalho.


  • Boa tarde, sinto que estou sempre ansiosa, e que fico um bocado nervosa em situações menos boas. Est

    Boa tarde, sinto que estou sempre ansiosa, e que fico um bocado nervosa em situações menos boas. Estou sempre a pensar que algo mau vai acontecer. Nao consigo olhar para um espelho e tirar fotos so se necessário. Sinto me mal por ser assim, e muito insegura. Tenho uma filha de quase um ano, e nao quero transmitir esta insegurança toda..

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve — a ansiedade constante, a antecipação de que "algo mau vai acontecer" e a insegurança que a leva a evitar espelhos e fotografias — enquadra-se no tipo de dificuldades que se trabalham bem em psicoterapia. Muitas vezes, a ansiedade e uma imagem crítica de nós próprios alimentam-se mutuamente, criando este mal-estar contínuo. E o facto de o querer resolver, também por causa da sua filha, é uma motivação legítima e importante — mas o primeiro passo é cuidar de si. As crianças aprendem sobretudo com o que nos veem fazer por nós próprios, e procurar ajuda é já dar-lhe um bom exemplo. A abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender a origem desta ansiedade e desta insegurança e a lidar com elas de forma mais serena. O indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.


  • Olá, a minha esposa tem um problema de (TOC) e eu gostaria de a ajudar convosco, ou até eliminar o p

    Olá, a minha esposa tem um problema de (TOC) e eu gostaria de a ajudar convosco, ou até eliminar o problema. Ou seja, a minha esposa necessita de quando passa num interruptor de luz,tocar várias vezes ao dia durante alguns segundos, assim como também se passa o mesmo com torneiras, botões de autoclismo, lavar as mãos com água corrente, lavar loiça á mão,porta do carro, cinto de segurança etc... Mas quando chega a noite antes de deitar,ela faz o mesmo procedimento mas já com alguns minutos em cada interruptor, almofadas etc... Isto tem vindo a piorar bastante e ela fica exausta mesmo eu tentando que ela não o faça, puxando-a etc... Já falei com ela várias vezes para fazermos um tratamento mas ela recusa sempre e foge ao tema da conversa. Gostaria de saber a vossa opinião e ajuda, quais são os passos a dar para que ela tenha uma vida saudável sem este problema.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    Nota-se o quanto se preocupa com a sua esposa, e o desgaste de assistir a isto sem saber como ajudar é real. O que descreve é característico da perturbação obsessivo-compulsiva, que tem tratamento eficaz — sobretudo através da terapia cognitivo-comportamental, na modalidade de exposição com prevenção de resposta, considerada a abordagem mais indicada para estes casos. Dois pontos importantes: primeiro, tentar impedi-la fisicamente ou insistir para que pare, ainda que bem intencionado, costuma aumentar a ansiedade dela e não resolve — o tratamento faz-se de forma estruturada, com apoio profissional. Segundo, e mais delicado, é que ela própria precisa de estar disponível para procurar ajuda; ninguém pode iniciar este processo por ela. O que pode fazer é acompanhá-la sem pressão nem crítica, mostrar-lhe que a compreende e que não está sozinha, e transmitir-lhe que existe tratamento e que a vida dela não tem de ser assim. Se ela chegar a esse ponto, o passo é procurar um psicólogo com experiência em TOC. O seu apoio, dado desta forma, pode fazer toda a diferença.


  • Numa terapia de casal o terapeuta diz a uma das partes que vai falar com a outra, no sentido de aler

    Numa terapia de casal o terapeuta diz a uma das partes que vai falar com a outra, no sentido de alertar para comportamentos incorretos. Mas não o faz.

    Como pode ser interpretada esta situação? O que fazer nestes casos.

    Obrigada

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    É compreensível que fique confusa com esta situação. Convém, antes de mais, distinguir dois planos. Do ponto de vista técnico, o terapeuta de casal não costuma assumir o papel de "alertar" um dos membros para os comportamentos do outro, nem tomar partido — o seu papel é ajudar ambos a compreenderem a dinâmica entre os dois. Se ele referiu que o faria e depois não o fez, pode haver várias explicações: uma opção clínica de abordar o tema de outra forma, um mal-entendido sobre o que foi dito, ou, de facto, algo que ficou por cumprir. Do ponto de vista do que sente, o mais construtivo é levar esta questão diretamente ao terapeuta, em sessão: perguntar-lhe o que aconteceu e porquê. A resposta dele, e a forma como acolhe a sua dúvida, vão ajudá-la a perceber se confia no processo. Se ficar com a sensação de que algo não está a funcionar, é legítimo procurarem uma segunda opinião ou outro profissional. A sua confiança no processo é essencial para que a terapia resulte.


  • Bom dia, O meu companheiro é uma pessoa que não demonstra minimamente afeto por mim ou algum intere

    Bom dia,
    O meu companheiro é uma pessoa que não demonstra minimamente afeto por mim ou algum interesse na relação. Nunca conversa sobre nada que seja à relação, não se preocupa em fazermos atividades juntos, não demonstra interesse em nada nem me prioriza.
    Já tentei falar com ele de diversas formas, não resultou, agora nem sequer quer falar.
    Comecei a sentir um desgaste emocional muito grande, ando todos os dias triste, mal disposta e estou sempre a apontar - lhe os defeitos, porque na verdade não sei mais o que fazer.
    Já tentamos terapia de casal mas ele depois quando chega a casa diz que só vou para lá falar mal dele, interrompe-me nas consultas, ameaça que se vai embora quando estou a falar dele e eu acabo por não falar das coisas, acho que o médico está a conduzir as sessões como se o problema fosse meu... Já não sei o que fazer

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O desgaste que descreve é real, e andar todos os dias triste e sem saber o que fazer é um peso grande de carregar. Numa relação, o afeto e o interesse têm de partir dos dois — e, pelo que descreve, tem-se esforçado bastante por comunicar sem obter resposta. Isso é exaustivo e é natural que a leve a apontar defeitos, mesmo sabendo que não é o que gostaria de fazer. Sobre a terapia de casal: para funcionar, exige que ambos estejam genuinamente disponíveis para se olharem a si próprios, e não apenas para se defenderem — e é legítimo o que sente sobre a forma como as sessões têm decorrido. Ainda assim, o que quero sublinhar é que, independentemente do que ele decida fazer, é importante que cuide de si. Um acompanhamento psicológico individual dava-lhe um espaço só seu para perceber o que quer desta relação, recuperar algum equilíbrio e decidir os próximos passos a partir de um lugar mais sereno. Não tem de continuar a resolver isto sozinha. Uma avaliação individual com um psicólogo seria um bom ponto de partida.


  • Ansiedade extrema pode provocar formigamentos no corpo que duram vários meses?

    Ansiedade extrema pode provocar formigamentos no corpo que duram vários meses?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    Sim, a ansiedade elevada pode provocar sintomas físicos, e os formigamentos (parestesias) são um dos mais comuns — resultam da forma como o corpo reage em estado de tensão e hiperventilação. No entanto, quando um sintoma físico se prolonga durante vários meses, o passo mais prudente é confirmar primeiro com o médico que não há outra causa a considerar, através de uma avaliação clínica. Excluída essa hipótese, e sendo o sintoma de origem ansiosa, a psicoterapia ajuda a compreender e a reduzir a ansiedade que está na base — e, com ela, também estas manifestações no corpo. Se quiser trabalhar essa componente, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.


  • Olá tenho 29 anos, e entrei recentemente em uma relação acontecesse que com o tempo fui sabendo algu

    Olá tenho 29 anos, e entrei recentemente em uma relação acontecesse que com o tempo fui sabendo algumas coisas do passado da minha namorada, algo que ela admite e não tem problemas a falar sobre isso, o problema é que eu não estou a saber lidar isto porque ela mantem muitos ex namorados e pessoas que esteve presentes na vida dela e dou por mim a comparar-me com pessoas que ela esteve como se não fosse suficiente para ela e apesar de acreditar que ela realmente gosta de mim acabo por imaginar o que ela teve, pesquisei sobre isso e penso que tenho ciumes retroativos , acabando por a confrontar várias vezes e a ultima semana tem sido desgastante porque pensamos de forma muito diferente e sempre que tento dialogar com ela penso que para ter mais certezas que ela gosta de mim ela entende como um ataque e amua.
    E por vezes sinto que ela ainda tem medo de mostrar que namora comigo e isso só ajuda a fazer 'filmes' da minha cabeça. E acabo por não estar a confiar aparentemente sem razão para tal.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve — comparar-se com o passado dela, imaginar cenários, confrontá-la em busca de segurança — corresponde de facto ao chamado ciúme retroativo, e é mais comum do que parece. Costuma ter menos a ver com a sua namorada e mais com uma insegurança interna: a sensação de "não ser suficiente" leva a mente a procurar provas constantes de que é amado, mas essas provas nunca chegam a tranquilizar por muito tempo, e o ciclo repete-se — desgastando ambos. Já ter identificado o padrão e reconhecer que confronta "aparentemente sem razão" é um bom ponto de partida. Este tipo de ciúme trabalha-se bem em psicoterapia: compreende-se a origem da insegurança, aprende-se a lidar com os pensamentos intrusivos e a impedir que ditem o comportamento na relação. O indicado é uma avaliação individual com um psicólogo, para perceber o que o mantém, no seu caso.


  • Olá, tenho 25 anos, procrastino bastante, tenho dificuldade em começar tarefas. Muitas vezes perco-m

    Olá, tenho 25 anos, procrastino bastante, tenho dificuldade em começar tarefas. Muitas vezes perco-me à procura da melhor metodologia, por onde começar a aprender algo, a forma mais eficiente, etc, e acabo por não passar desta fase. Das poucas tarefas que consigo realmente dar início muitas não consigo concluir, por norma consigo manter um bom ritmo nos primeiros 2 meses, mas de um dia para o outro simplesmente paro, adio e fica por aí.
    Gostava de perceber como trabalhar para melhorar nisto e que especialidade/consulta será a mais adequada. Obrigado!

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve é mais comum do que parece, e a procrastinação raramente é uma questão de falta de vontade ou de disciplina. Muitas vezes está ligada ao medo de falhar, à autoexigência ou à dificuldade em tolerar a incerteza de começar sem ter tudo "perfeito" — o que o leva a ficar preso na fase de procurar a melhor metodologia antes de avançar. O ciclo que descreve, de manter o ritmo durante algumas semanas e depois parar de um dia para o outro, é também um padrão que se trabalha bem em psicoterapia. A abordagem cognitivo-comportamental ajuda a identificar os pensamentos e os bloqueios que sustentam este padrão e a desenvolver formas mais úteis de iniciar e concluir tarefas. A especialidade indicada é a psicologia clínica ou a psicoterapia. Uma avaliação individual permitiria perceber o que o mantém, no seu caso.


  • Ultimamente tenho sentido tremor no olho direito, algumas situações uma sensação de cabeça vazia, em

    Ultimamente tenho sentido tremor no olho direito, algumas situações uma sensação de cabeça vazia, em que pouco me consigo concentrar no que me dizem. parece que ate deixo de ouvir como deve ser. preocupa-me excessivamente o que os outros acham, se posso estar a fazer algum olhar estranho ou dizer algo estranho. as vezes ate tenho medo de enlouquecer. pode parecer esquisito mas tem afectado a minha vida social. sempre fui ansiosa desde criança. o que me poderiam aconselhar?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve encaixa naquilo que costuma acontecer quando há ansiedade elevada e mantida ao longo do tempo. A preocupação excessiva com o que os outros pensam, o medo de fazer ou dizer algo estranho e as sensações físicas — como o tremor no olho ou a sensação de "cabeça vazia" e de desligar do que a rodeia — são manifestações comuns da ansiedade, e não sinais de que vá "enlouquecer". Muitas vezes, quanto mais nos preocupamos com estas sensações, mais elas se intensificam, criando um ciclo. A boa notícia é que se trabalham bem em psicoterapia: a abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender a origem desta ansiedade, os pensamentos que a alimentam e a forma de reduzir o seu impacto no dia a dia e na sua vida social. Para perceber o que a mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.


  • Há uns meses atrás, depois de um episódio em que fui às urgencias devido a dores no peito, falta de

    Há uns meses atrás, depois de um episódio em que fui às urgencias devido a dores no peito, falta de ar e membros dormentes (em que apois um eletrocardiograma e um holter disseram que era ansiedade) que tenho tido episódios em que sinto dificuldade em adormecer, fico nervosa, o meu coração começa a bater muito forte (até o consigo ouvir) e não consigo estar descansada.
    Durante o dia não fico tão mal, mas ultimamente sinto-me mais cansada e com a sensação que algo mau vai acontecer.
    Tenho medo que apesar de o exame de holter e o eletrocardiograma apresentarem resultados normais, possa ser algo mais grave.
    O que fazer?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve é característico da ansiedade, sobretudo depois de um episódio como o que teve nas urgências. É comum que, uma vez despoletado o medo, a atenção fique focada nas sensações do corpo — o coração a bater mais forte, a dificuldade em adormecer — e que isso, por si só, alimente a ansiedade e a mantenha, mesmo com os exames a confirmarem que o coração está bem. O medo de que "seja algo mais grave", apesar dos resultados normais, faz também parte deste padrão. A boa notícia é que se trabalha bem em psicoterapia: a abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender este ciclo, a lidar com os pensamentos que o alimentam e a reduzir o impacto destes episódios no seu descanso e no dia a dia. Tendo já os exames médicos que a tranquilizam quanto ao coração, o passo indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.


  • Sou uma adulta. Devido a falta de socialização na infância/adolescência, sou muito "inocente", tenho

    Sou uma adulta. Devido a falta de socialização na infância/adolescência, sou muito "inocente", tenho dificuldade em reconhecer emoções nos outros. Preciso de aprender o que as crianças e adolescentes normalmente aprendem.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve — a dificuldade em reconhecer emoções nos outros e a sensação de que lhe faltaram experiências de socialização — é algo que se pode trabalhar em psicoterapia, a qualquer idade. As competências relacionais e emocionais não se aprendem apenas na infância; desenvolvem-se também ao longo da vida adulta, num espaço seguro onde se possa compreender a origem destas dificuldades e treinar formas novas de se relacionar e de ler o outro. A abordagem cognitivo-comportamental, entre outras, é útil neste tipo de trabalho. O indicado é uma avaliação individual com um psicólogo, que permita perceber o seu ponto de partida e definir, em conjunto, o caminho mais adequado ao seu caso.


  • Como é que funciona a terapia de casal? Há consultas individuais ou são sempre com o casal? Que med

    Como é que funciona a terapia de casal? Há consultas individuais ou são sempre com o casal?
    Que medicos estão habilitados a fazer terapia de casal, psicologos ou psiquiatras?
    Todos os profissionais fazem terapia de casal?
    Obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    A terapia de casal é um acompanhamento em que os dois elementos trabalham, com o apoio de um psicólogo, as dificuldades de comunicação, os conflitos e a dinâmica da relação. Habitualmente as sessões são conjuntas, com ambos presentes, embora em alguns casos possam ser feitas uma ou outra sessão individual, sempre dentro de um enquadramento acordado e transparente para os dois. Quanto aos profissionais: a terapia de casal é feita por psicólogos com formação nesta área específica — não é qualquer psicólogo nem qualquer psiquiatra que a realiza, pois exige competências próprias no trabalho com relações e casais. O mais importante é procurar um profissional com experiência nesta modalidade. Se pretender, pode agendar uma primeira consulta para perceber como funcionaria no vosso caso concreto.


  • Sou pasteleira, causo problemas na minha empresa devido a constantes esquecimentos, confusões que fa

    Sou pasteleira, causo problemas na minha empresa devido a constantes esquecimentos, confusões que faço com encomendas, tarefas que nem sempre cumpro corretamente porque entendo mal o que me pedem para fazer, falta de concentração, até pagamentos mal feitos à fornecedores...
    Preciso de ajuda porque sinto que poderei ter défice de atenção ou algo relacionado.
    Tudo isto tem interferido com a minha relação porque o meu companheiro é meu colega de trabalho.
    Qual é o médico especialista que devo consultar?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve — os esquecimentos, as confusões com tarefas, a dificuldade em concentrar-se e em interpretar o que lhe pedem, com impacto real no trabalho e na relação — merece ser avaliado com atenção. A hipótese que levanta, de défice de atenção, é uma das possíveis, mas há outras (como ansiedade, stress ou fatores emocionais) que também podem estar na origem, e só uma avaliação pode esclarecer. O profissional indicado para essa avaliação é o psicólogo com diferenciação em avaliação psicológica, que pode aplicar os instrumentos adequados e, se necessário, articular com outras especialidades. Não é sinal de incapacidade sua — é algo que merece ser compreendido e trabalhado. O passo a dar é procurar acompanhamento psicológico para uma avaliação individual, que lhe dê respostas e um plano ajustado ao seu caso.


  • Fui diagnosticada com hiperatividade em crianca. Julgava que n se refletisse na vida adulta. Ha poss

    Fui diagnosticada com hiperatividade em crianca. Julgava que n se refletisse na vida adulta. Ha possibilidade de tratamento ou quais as precauções?!

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    Sim, a hiperatividade (PHDA) diagnosticada na infância pode manter-se na vida adulta — nem sempre desaparece, embora as suas manifestações mudem com a idade, tornando-se por vezes mais subtis. A boa notícia é que existe acompanhamento eficaz. O tratamento na vida adulta pode combinar acompanhamento psicológico — que ajuda a desenvolver estratégias de organização, concentração e gestão do dia a dia, além de trabalhar o impacto emocional — e, em alguns casos, acompanhamento médico, quando se justifica. O primeiro passo é uma avaliação individual que confirme como se apresenta atualmente e defina o que faz mais sentido no seu caso. O indicado é procurar um psicólogo, que poderá também articular com a especialidade médica se necessário.


  • Boa noite, fui diagnosticada com TDAH pela minha psiquiatra, no entanto, não sinto muito apoio da pa

    Boa noite, fui diagnosticada com TDAH pela minha psiquiatra, no entanto, não sinto muito apoio da parte dela para responder ás minhas questões. Sempre tive uma tendência por obcecar pelas coisas, sejam estes objetos, ou até mesmo pessoas, apercebi-me que isto é na verdade, algo importante, e que impacta, de facto, a minha saúde e bem-estar. Depois de pesquisar, descobri que a obcessão e impulsividade estão ligados com TDAH, é verdade? Se sim, como posso aprender a lidar com isso, de forma a diminuir?
    Obrigada, cumprimentos

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    A sua observação faz sentido. A impulsividade é, de facto, uma das características centrais da PHDA. Já a tendência para "obcecar" com objetos ou pessoas pode estar relacionada — o funcionamento da atenção na PHDA pode levar a uma concentração muito intensa em determinados focos (o chamado hiperfoco) — mas pode também ligar-se a outras questões, algo que só uma avaliação mais atenta esclarece. Sobre como lidar com isto de forma a reduzir o impacto no seu bem-estar: o acompanhamento psicológico é precisamente o espaço indicado. A psicoterapia ajuda a desenvolver estratégias concretas de autorregulação, a compreender estes padrões e a reduzir o peso que têm no dia a dia — um trabalho que complementa o acompanhamento psiquiátrico que já tem. Se sente que precisa de mais apoio nestas questões específicas, o indicado é procurar um psicólogo. Uma avaliação individual permitiria traçar esse plano.


  • O que fazer quando a auto estima foi destruída durante a infância/ adolescência e não houve acesso a

    O que fazer quando a auto estima foi destruída durante a infância/ adolescência e não houve acesso a afeto de outros familiares ou amigos, causando um adulto assustado, carente, infeliz e frágil?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Dulce Silva

    O que descreve — uma autoestima marcada pela falta de afeto na infância e na adolescência, e o seu reflexo num adulto que se sente assustado, carente e frágil — é profundo, mas não é definitivo. A forma como nos vemos hoje foi aprendida ao longo do tempo e, por isso mesmo, pode ser trabalhada e reconstruída, a qualquer idade. É exatamente esse o trabalho da psicoterapia: compreender de onde vêm estas feridas, elaborar o que faltou e desenvolver, de forma gradual, uma relação mais segura e compassiva consigo próprio. Não se trata de apagar o passado, mas de deixar de o carregar com o mesmo peso. O primeiro passo — o mais importante — é procurar acompanhamento psicológico, num espaço seguro onde possa fazer esse percurso com apoio. O que sente merece ser cuidado, e não tem de o enfrentar sozinho.


Perguntas frequentes

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