Perguntas do paciente (72)
-
Há vários anos que a minha relação com os meus pais não é saudável. Damo-nos bem quando tudo está tr
Há vários anos que a minha relação com os meus pais não é saudável. Damo-nos bem quando tudo está tranquilo, mas tanto na infância como na adolescência — e agora na vida adulta — a nossa relação tem sido marcada por discussões intensas, muitas vezes desproporcionadas, manipuladoras e, por vezes, até violentas.
Neste momento, estou a trabalhar estes traumas com uma psicóloga. Ainda assim, falar com eles sobre temas com os quais não concordam parece impossível. Sempre que surge um conflito, acabam por trazer à tona discussões antigas, e ficamos presos num ciclo do qual não conseguimos sair. Em vez de resolvermos as coisas, acumulam-se mais conflitos, mais mágoas e palavras ditas de forma menos cuidada.
Por isso, tenho pensado em sugerir terapia familiar, na esperança de conseguirmos finalmente resolver esta dinâmica. No entanto, sei que pode ser difícil, especialmente porque a minha mãe nunca recorreu a apoio psicológico e tende a desvalorizar a importância da saúde mental.
Alguma sugestão/ ideia?
Agradeço qualquer feedback construtivo.RESPOSTA DO MÉDICO:
Já estar em acompanhamento e conseguir olhar para estes padrões é, em si, um passo importante. A terapia familiar pode ajudar quando existe disponibilidade de todos os envolvidos para participar — e, pelo que descreve, essa disponibilidade pode não estar reunida neste momento. Uma forma de avançar é levar esta questão à sua psicóloga e pensarem em conjunto se faz sentido propor a terapia familiar, como e quando, ou se o caminho mais útil passa por trabalhar, no seu próprio acompanhamento, a forma como se posiciona nestes conflitos. É possível mudar a sua parte na dinâmica mesmo quando os outros não mudam — e isso, muitas vezes, já altera o ciclo.
-
Ola boa tarde, tenho 50 anos, sofro de depressão crónica desde os meus 18 anos,estou em muito sofrim
Ola boa tarde, tenho 50 anos, sofro de depressão crónica desde os meus 18 anos,estou em muito sofrimento, acabei uma relação á 3 meses e nao sei mais o que fazer para o esqueçer,està a ser muito difícil penso muito em acabar com a minha vida
RESPOSTA DO MÉDICO:
O sofrimento que descreve merece apoio imediato e próximo, não à distância. Se sentir que corre risco neste momento, contacte de imediato o número nacional de emergência. Pode também ligar à Linha SNS 24, que tem uma opção de apoio psicológico, ou à SOS Voz Amiga, que dá atendimento por telefone ao final do dia, todos os dias — ambos os contactos encontram-se facilmente numa pesquisa online. Depois disto, procure acompanhamento psicológico ou psiquiátrico com continuidade — o que está a viver tem tratamento e não tem de o enfrentar sem apoio.
-
Em que casos se pode fazer a terapia cognitiva comportamental?
Em que casos se pode fazer a terapia cognitiva comportamental?
RESPOSTA DO MÉDICO:
A terapia cognitivo-comportamental tem indicação em situações como a ansiedade, as fobias, a depressão, o stress, as dificuldades de sono ou os pensamentos e comportamentos repetitivos que a pessoa não consegue travar. Em psicoterapia, o trabalho centra-se em identificar os padrões de pensamento e de comportamento que mantêm o sofrimento e em desenvolver formas mais úteis de lidar com eles, com ferramentas aplicáveis ao dia a dia. Pode ser seguida de forma isolada ou a par de acompanhamento médico, conforme cada situação. Saber se é a abordagem indicada no seu caso depende de uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Como perder o medo da rejeição? O medo de abordar mulheres? Medo de tentar criar amizades? Que tipo
Como perder o medo da rejeição? O medo de abordar mulheres? Medo de tentar criar amizades? Que tipo de terapia é aconselhável para ultrapassar esta barreira mental?
RESPOSTA DO MÉDICO:
O medo da rejeição é uma experiência comum e costuma estar ligado a vivências anteriores, à forma como cada um se vê e ao hábito de evitar as situações onde esse receio pode surgir — abordar alguém, criar novas amizades, expor-se. Em psicoterapia, e a terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens indicadas, trabalha-se a origem desse medo, os pensamentos automáticos que o alimentam ("vão afastar-me", "não sou suficiente") e a aproximação gradual às situações evitadas, para que deixem de ter tanto poder. O objetivo não é deixar de sentir, mas fazer com que o medo pese menos nas decisões. Para perceber o que o mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Resumidamente acredito que meu problema seja psicológico. Eu sinto que estou quase que consciente d
Resumidamente acredito que meu problema seja psicológico.
Eu sinto que estou quase que consciente demais do meu arredor, certas coisa ja nao fazem sentido, ou fazem demais, é difícil explicar, é como se eu percebesse o padrão de tudo ao meu redor, e que o meu cérebro esta demasiado ativo.
Eu ate consigo viver e lidar bem com isto, e pode ser útil em certas ocasiões, mas o pior de tudo é quando nao fico estimulado o suficiente, como um tédio mas diferente, é psicologicamente doloroso e stressante, eu so queria saber o porque acontece e como posso aliviar este stress imenso.RESPOSTA DO MÉDICO:
O que descreve é difícil de resumir a partir de um texto, mas há aqui elementos que valem uma avaliação mais atenta: a sensação de estar demasiado consciente do que o rodeia, de perceber padrões em tudo, e sobretudo o desconforto intenso e o stress que sente quando não está suficientemente estimulado. Uma avaliação psicológica individual permite compreender o que está por trás destas experiências — se se relacionam com ansiedade, com a forma como funciona a sua atenção, ou com outra coisa — e, a partir daí, encontrar formas concretas de aliviar esse stress. Não tem de o interpretar sozinho. O indicado é procurar acompanhamento psicológico, num espaço onde possa explorar isto com calma e obter respostas ajustadas ao seu caso.
-
Tenho 43 anos e, após um episódio de vida traumático aos 31, deixei a antiga profissão para o qual m
Tenho 43 anos e, após um episódio de vida traumático aos 31, deixei a antiga profissão para o qual me sentia vocacionada. No essencial, consegui superar o episódio com a ajuda de psicoterapia, que já terminei há alguns anos. Encontro-me bem, tanto a nível pessoal como profissional, e, embora neste último caso até seja bem remunerada, sinto ter um emprego pouco estimulante, o que lhe retira parte do interesse.
Uma vez que era excelente aluna no Ensino Superior, e sinto que talvez não tenha perdido as capacidades cognitivas, onde e com quem posso fazer uma avaliação rigorosa que determine o meu QI?
Mais do que a recente curiosidade por um valor que até pode nem significar grande coisa, ou sequer estar à procura de orientação vocacional, tenho vontade de perceber se me podem esperar boas hipóteses ao retomar os meus verdadeiros interesses académicos e profissionais. Obrigada!RESPOSTA DO MÉDICO:
A avaliação formal do QI é feita através de testes psicométricos aplicados por psicólogos com diferenciação em avaliação psicológica — uma área específica, distinta do acompanhamento psicoterapêutico. É esse o profissional a procurar se pretender um valor rigoroso. Dito isto, pela forma como coloca a questão, o que parece estar em jogo não é tanto o número, mas a vontade de perceber se faz sentido retomar interesses que ficaram para trás após aquele período mais difícil. Essa reflexão — sobre o caminho profissional, o que a motiva e o que a realiza — trabalha-se bem em acompanhamento psicológico, mesmo sem uma avaliação de QI. São dois pedidos diferentes, e vale a pena distinguir qual o que realmente procura.
-
Sinto-me um bocado perdida.. tenho um relacionamento que dura há praticamente 7 anos (faltam apenas
Sinto-me um bocado perdida.. tenho um relacionamento que dura há praticamente 7 anos (faltam apenas dia para isso) mas não sei se estou a fazer a coisa certa na minha vida…
Ao início tudo parecia bonito, tivemos de ir viver juntos muito cedo pois a minha família era contra a relação e pôs-me fora de casa, e fui viver com a família dele. Meses depois o meu namorado obrigou-me a engravidar porque queria ser pai antes dos 30 anos, escondendo-me as pílulas. Quando avisei no trabalho que estava grávida, mandaram-me embora.
A minha gravidez parecia ter corrido normal, no entanto passei fome pois a família dele não me deixava comer, ver tv, nem ter a luz do quarto acesa diziam que “fazia mal ao bebé “.
Ele também nem sempre me deixava descansar, pois quando chegava do trabalho há noite, ia jogar com o irmão enquanto eu tentava dormir… acabei por voltar a falar com os meus pais que me receberam de braços abertos e me alimentavam, só já não tinham quarto para mim… e fiquei onde estava, na casa dos pais dele.
No dia em que faltavam 3 dias para ter 8 meses de gravidez não conseguia manter nada no estômago , a mãe dele pediu-me para ir ao hospital obrigando-o a ir comigo quando ele disse que “quando eu parisse que ia morrer.” E aqueles palavras foram dolorosas… fiquei internada, passei a noite a fazer exames e fui diagnosticada com síndrome de Help. Depois de toda a situação e susto, já com a minha filha nos braços decidi dar uma oportunidade ao meu companheiro. Contudo 2 meses depois a mãe dele quis o quarto para a irmã e o seu namorado, e tivemos de ir viver numa outra casa…. Desta vez sem condições e por baixo da casa dos pais dele. Quando a minha filha tinha cerca de 1 ano consegui arranjar trabalho, adorava ser empregada de balcão, tinha um bom horário mas faltava uma pessoa para preencher a equipa (era apenas eu a trabalhar e faltava uma segunda pessoa) ele achou que era boa ideia a irmã dele ir trabalhar comigo e assim foi… contudo ela envergonhou-me imensas vezes, discutimos imenso, pois ela foi expor os defeitos da família para o trabalho. Acabei por arranjar outra coisa para trabalhar mas… sinto que algo já tinha mudado mais ainda, ele estava cada vez mais distante, nunca me protegeu da família dele nem quando a mãe dele chamou a polícia porque eu queria ir-me embora da minha casa com a minha filha porque eu e o meu namorado tínhamos tido uma discussão por ele ter bebido muito e me ter falto ao respeito.
Ele cada vez procura-me menos, ajuda-me em casa com a menina e com as tarefas mas não me protege, não faz nada para sairmos desta casa e termos uma vida melhor, e cada vez parece mais distante…
Tanto que muitas vezes me sinto envergonhada porque moramos num rés do chão e a família dele várias vezes põe a cabeça na minha janela para nos verem… e muitas das vezes estou há vontade em casa, vestida ou não… e ele não os impede, não fala… nada…
Não sei se é normal… nunca tive um relacionamento tão duradouro e com um filho no meio…
Já pensei em ir a um psicólogo mas ele diz que eu sou maluca por pensar nisso e que nada iria mudar se fosse falar com um psicólogo sobre tudo o que já se passou…
Alem disso muitas vezes eu não sei o que eu sinto por ele, as vezes parece que o amo, mas outras… que não, pois não o consigo compreender por ser assim… será normal?RESPOSTA DO MÉDICO:
Pela forma como descreve o que viveu e continua a viver, o mais importante agora é ter apoio próximo e continuado, não uma resposta à distância. Procure acompanhamento psicológico para si — um espaço seguro, de fora, ajuda a ver com clareza. Se em algum momento se sentir em risco ou precisar de apoio especializado, a APAV (116 006, dias úteis) presta apoio confidencial e gratuito. O que descreve merece ser ouvido com atenção, e não tem de decidir tudo sozinha.
-
Boa tarde, tenho ansiedade diagnosticada e faço psicoterapia todas as semanas. Tive episódios extrem
Boa tarde, tenho ansiedade diagnosticada e faço psicoterapia todas as semanas. Tive episódios extremos de ansiedade, inclusive momentos de desrealização, dos quais fiquei com trauma. Estou muito melhor no entanto, há momentos em que sinto que não estou bem presente, há certas situações que me provocam esse sentimento, começo a ver tudo com mais definição e a minha cabeça começa a levar-me logo para um "sitio de ansiedade" e medo inconsciente de ter algum episódio de desrealização. Tenho receio porque não quero continuar assim para sempre, e tenho medo que isto controle a minha vida e nunca mais sinta que estou presente e a viver a minha vida, e não em piloto automático. Na maioria dos momentos sinto que estou aqui, no entanto, quando tenho estes momentos a ansiedade acaba por se prolongar durante uns dias e é desafiante. Comecei com ansiedade extrema no início do verão, com ataques de ansiedade diários. Neste momento não tenho ataques de ansiedade, aprendi a geri-los mas tenho estes pensamentos que quero muito mudá-los e preciso disso para sentir que estou a viver a minha vida. Sei que é recente mas quero perceber se é normal ou se é algum distúrbio.
Não tomo medicação antidepressiva ou para a ansiedade, e não pretendo tomar. Tomo medicação para a ansiedade mas medicação natural.RESPOSTA DO MÉDICO:
O que descreve é compreensível e não significa que esteja a regredir. A recuperação da ansiedade raramente é linear: é comum haver períodos melhores e, depois, momentos em que os sintomas — como a desrealização — voltam a surgir perante situações que os desencadeiam. O medo de que "volte" pode, por si só, alimentar a ansiedade e prolongá-la, tal como descreve. Como já faz psicoterapia semanal, o mais útil é levar exatamente estes episódios e este receio à sua psicóloga, para trabalharem os gatilhos e a relação que tem com estas sensações. O objetivo não é nunca mais as sentir, mas fazer com que percam poder sobre o seu dia a dia. Pelo que descreve, está no caminho certo.
-
Estou sempre a pensar no mesmo, imagino que acontecem coisas.. faço filmes na minha cabeça. Não sei
Estou sempre a pensar no mesmo, imagino que acontecem coisas.. faço filmes na minha cabeça. Não sei mais o que fazer..
RESPOSTA DO MÉDICO:
Ficar preso ao mesmo pensamento e imaginar cenários — "fazer filmes na cabeça" — é um padrão comum na ansiedade. A mente tenta antecipar e controlar o que ainda não aconteceu, mas o efeito acaba por ser o contrário: aumenta o desconforto e prende-nos ainda mais. Em psicoterapia trabalha-se a identificar estes padrões e a desenvolver formas de os interromper, para que deixem de ocupar tanto espaço no dia a dia. Para perceber o que os mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Olá Namoro faz 4 meses e tudo tem estado até bem Meu namorado me ama, da atenção a pequenos detal
Olá
Namoro faz 4 meses e tudo tem estado até bem
Meu namorado me ama, da atenção a pequenos detalhes e é carinhoso
Porém ele tem alguma ciúmes do meu passado
Inicialmente tinha porque tive uma fase em que beijei pessoas desconhecidas e para ele beijar tinha que ser com conexão e então não entendia isso, discutimos e na altura fiquei magoada com algumas palavras mas depois ele percebeu o erro, pediu me desculpa e hoje até conseguimos falar disso sem discutir
Ontem ficou com ciúmes por causa do meu ex, porque achava que por ter feito uma coisa com meu ex e com ele não que não gostava mais dele
Eu percebo que ele seja assim porque e a primeira relação dele mas sinto me triste porque não queria que situações destas acontecessem
Ele já foi a psicóloga uma vez e vai continuar a ir mas ainda assim queria ser um suporte para eleRESPOSTA DO MÉDICO:
É natural querer apoiar quem amamos, e o facto de ele já procurar acompanhamento psicológico é positivo. Ainda assim, o ciúme e a insegurança em relação ao passado são questões que competem sobretudo a ele trabalhar, no espaço dele. O que pode fazer a partir de si é cuidar de como estas situações a afetam — pelo que descreve, deixam-na triste — e comunicar de forma clara o que sente. Se estas dinâmicas se tornarem recorrentes, uma avaliação individual, ou mesmo o acompanhamento enquanto casal, pode ajudar. O apoio que dá a alguém não substitui o trabalho que cada um faz consigo próprio.
-
Não consigo perceber se gosto das pessoas pelo que elas são ou pelo que elas fazem por mim... E te
Não consigo perceber se gosto das pessoas pelo que elas são ou pelo que elas fazem por mim...
E tenho a sensação que, a nível psicológico, algo de grave se passa comigo..RESPOSTA DO MÉDICO:
Questionar os próprios sentimentos e as motivações nas relações é mais comum do que parece, e raramente significa que "algo de grave" se passa. Muitas vezes está ligado à forma como nos vemos e à insegurança sobre o nosso valor nas relações. Em psicoterapia trabalha-se precisamente a origem destas dúvidas e a relação que temos connosco próprios, para que deixem de gerar tanto sofrimento. Para perceber o que as mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Bom dia, só tive episódios depressivos após deixar de fumar (mais ou menos há 12 dias), mas tenho mu
Bom dia, só tive episódios depressivos após deixar de fumar (mais ou menos há 12 dias), mas tenho muita ansiedade e inquietação há muito tempo, difícil controlar-me em espaços públicos, sem ter ataques de pânico.
Receitaram-me Sertralina, mas denotei que é mais um antidepressivo, é uma boa ideia tomar esta medicação?RESPOSTA DO MÉDICO:
A questão da Sertralina deve ser colocada ao médico que a receitou — é ele quem deve esclarecer todas as suas dúvidas relativamente à medicação. Quanto ao resto, a ansiedade e a inquietação de longa data, com a dificuldade em estar em espaços públicos, são exatamente o tipo de questões que se trabalham em psicoterapia. A abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender a origem desta ansiedade e a lidar com ela de forma continuada. Para perceber o que a mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Boa tarde, acredito que desde criança fui sofrendo algum tipo de bullying psicológico, por alguns me
Boa tarde, acredito que desde criança fui sofrendo algum tipo de bullying psicológico, por alguns membros da minha familia e também por colegas de escola. Existiu um momento da minha vida que não queria ir para a escola mas como queria terminar o curso sofri e concluí o mesmo. Já em adulto e após o término de um relacionamento tive uma depressão e queria afastar-me de tudo. Apartir desse momento tentei ajuda com vários psicológicos. Estou melhor mas sinto que tenho fobias sociais que fazem com que evite a exposição e relacionamento amorosos. Sinto que cada vez tenho menos amigos e relacionamentos amoroso. Qual será o melhor apoio neste caso?
Cumprimentos e obrigado pelas respostasRESPOSTA DO MÉDICO:
O que descreve — a ligação entre as experiências de bullying na infância e as dificuldades atuais na exposição social e nas relações — faz todo o sentido e merece um acompanhamento continuado. Aquilo a que chama fobias sociais, o evitamento da exposição e o afastamento gradual dos outros, trabalha-se bem em psicoterapia: a abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender a origem destes medos, os pensamentos que os alimentam e a reconstruir, de forma gradual, a confiança nas situações sociais e nas relações. Já ter procurado ajuda e sentir-se melhor é um bom ponto de partida; o passo seguinte é dar continuidade a esse trabalho, com foco específico nestas dificuldades. O melhor apoio, no seu caso, é o acompanhamento psicológico individual e regular. Uma avaliação inicial permitiria definir o caminho mais adequado.
-
Minha mãe faleceu de paragem cardíaca a partir daí fiquei com ataques de pânico e ansiedade levanto
Minha mãe faleceu de paragem cardíaca a partir daí fiquei com ataques de pânico e ansiedade levanto - me muitas noites com a garganta e a boca seca com dificuldade em respirar não sei que fazer, tomo concord para o coração, por vezes é muito assustador pois penso que vou morrer, com a dificuldade em respirar e o aperto no peito e fico com o corpo todo a tremer..,
RESPOSTA DO MÉDICO:
Sinto muito pela perda da sua mãe. O que descreve — os ataques de pânico com falta de ar, aperto no peito, tremores e o medo intenso de morrer, surgidos após esta perda — é uma reação de ansiedade que, sendo muito assustadora, é também compreensível e tratável. É comum que uma perda súbita como a que viveu desencadeie este tipo de sintomas. Como toma medicação para o coração, vale a pena confirmar com o seu médico que estes episódios são efetivamente de origem ansiosa, para ficar tranquila quanto a isso. Confirmado esse ponto, o passo indicado é o acompanhamento psicológico: a abordagem cognitivo-comportamental ajuda a compreender e a controlar os ataques de pânico, e a psicoterapia dá espaço para elaborar o luto que está na origem de tudo isto. Uma avaliação individual com um psicólogo permitiria começar esse trabalho. Não tem de enfrentar isto sozinha.
-
Olá!! Eu tive alguns relacionamentos passados que não correram bem porque me mentiram e traíram, esp
Olá!! Eu tive alguns relacionamentos passados que não correram bem porque me mentiram e traíram, especialmente um antes deste que me deixou traumatizada. Ele mentiu me em tudo e tratou me como lixo. Tive 3 anos e tal solteira e agora tenho outro namorado. Basicamente tenho imensos ciúmes e gostava de poder controlar, não consigo. Tudo me faz confusão, é algo muito chato n é? É estranho mas até se ele comentar que outra mulher é bonita eu fico a matutar nisso... Ou se uma conhecida o cumprimentar com abraço, ou outra amiga o cumprimentar na rua e falar.... Não sei, sinto me mal sempre, já lhe tive q dizer isto as vezes... Discussões já aconteceram por causa disto, até pode ser escusado mas não consigo sentir me normal com coisas destas. O meu passado familiar foi horrível também, votei contato com a família porque me perseguiam, são de uma religião q eu n aceitei e q sempre me obrigaram a seguir mesmo eu não querendo. Foram manipuladores e tratavam me mal, vivia muito oprimida e presa sempre, sem poder ter uma infância normal.
RESPOSTA DO MÉDICO:
O que descreve faz todo o sentido à luz do que viveu. Depois de relações em que foi mentida e traída, e de um passado familiar marcado por manipulação e controlo, é natural que o ciúme e a necessidade de controlar surjam com esta intensidade — muitas vezes são uma forma de a mente tentar proteger-se de voltar a ser magoada. Isso não a torna "chata"; são feridas antigas a manifestar-se na relação atual. Em psicoterapia trabalha-se precisamente esta ligação entre as experiências passadas e o que sente hoje, para que o ciúme deixe de ter tanto poder e não desgaste a relação nem a si própria. A abordagem indicada passa por compreender a origem desta insegurança e reconstruir a confiança — em si e no outro. Uma avaliação individual com um psicólogo seria o ponto de partida. O que viveu merece ser ouvido com atenção.
-
Boa tarde :) Nao sei se preciso de ajuda, mas preciso de alguem com quem falar. Emigrei ha 2 ano
Boa tarde :)
Nao sei se preciso de ajuda, mas preciso de alguem com quem falar.
Emigrei ha 2 anos e meio, completamente sozinha, num pais que nao entendo nada.
Tenho 30 anos, tenho me safado, mas ...
Gostava mesmo de conseguir entender tudo na minha vida, resolver traumas, quebrar rotinas e vicios, entender o meu preposito na vida, qual o meu caminho, o porquê de ser tao ambiciosa.
Sei que é normal isto na vida. Altos e baixos, por mais baixo que estive na vida consegui sempre votlar a cima, sinto que preciso de falar as vezes com alguem, que aqui jao confio em ninguem, mas por outro lado depois passa e nao sei se vale a pena, porque os meus problemas nao sao assim tao graves comparados com outras pessoas.
Tive algumas crises de ansiedade e depressao na adolescencia, sempre me recusei a fazer a medicacao, aos 15/16 comecei a fumar thc, o que me fazia dormir e acalmava, ate hoje.. ano passado deixei de fumar, mas no fim do ano voltei, porque nao consigo dormir, tenho muitas insonias e pesadelos e pronto, tenho que dormir e trabalhar...
Milhoes de coisas, tenho medo de ficar maluca também.
E pronto, nao tenho NINGUEM a minha volta que saiba mais ou faça mais ou me ensine mais que eu ja saiba e nao sei que fazer entretanto.
Espero me identificar com algum Dr nos comentarios.
Muito obrigada pelo tempo disponibilizadoRESPOSTA DO MÉDICO:
Antes de mais, o que sente é válido — e não precisa de ter "problemas graves" para merecer apoio. A comparação com os outros ("os meus problemas não são assim tão graves") é, aliás, muito comum e costuma servir para desvalorizarmos o próprio sofrimento. Emigrar sozinha, sem uma rede de apoio e num contexto que ainda não domina, é exigente, e a vontade de compreender o seu caminho, de resolver o que ficou por resolver e de quebrar rotinas que já não a servem é um bom motivo para procurar acompanhamento. É precisamente esse espaço que a psicoterapia oferece: alguém de fora, de confiança, com quem pensar tudo isto com calma. As insónias e os pesadelos que descreve merecem também atenção nesse trabalho. Não tem de continuar a resolver tudo sozinha. O indicado é uma avaliação individual com um psicólogo, que pode hoje ser feita também online, o que facilita estando fora do país.
-
Boa tarde, Há mais de 5 anos que tenho sofrido de ansiedade na condução, principalmente na auto-e
Boa tarde,
Há mais de 5 anos que tenho sofrido de ansiedade na condução, principalmente na auto-estrada. Evito ao máximo andar na mesma, mas há situações que tem mesmo de ser, e começo a sentir o coração acelerado, as vezes problemas a respirar, engolir saliva, boca seca, soar nas mãos... Será que me podiam aconselhar? Gostava muito de tirar este problema da minha vida!
Obrigado.RESPOSTA DO MÉDICO:
O que descreve tem características de ansiedade associada a uma situação específica — neste caso a condução — e é mais comum do que se pensa. O padrão de evitamento, embora traga alívio imediato, acaba por reforçar o medo a longo prazo, porque confirma à mente que a situação é perigosa. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens indicadas nestes casos: trabalha-se a origem do medo, os pensamentos que o alimentam e uma aproximação gradual à situação evitada, para que deixe de ter tanto poder. O objetivo é que a condução volte a ser possível sem este nível de sofrimento. Para perceber o que o mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Com 28 anos, nunca tive uma relação muito séria. Só me envolvo com pessoas que não querem um comprom
Com 28 anos, nunca tive uma relação muito séria. Só me envolvo com pessoas que não querem um compromisso, pela leveza de não ter de as magoar. No entanto, acabo sempre por me apaixonar por essas pessoas e sair magoada.
Agora conheci alguém incrível, com qualidades que eu acredito serem o que procuro, mas sinto-me paralisado pela ansiedade e pelas comparações constantes com relações passadas. O medo e até ataques de pânico estão a impedir-me de viver esta relação e tenho medo de que aquilo que sinto pela pessoa não seja o suficiente ou que não goste dela de todo.RESPOSTA DO MÉDICO:
O padrão que descreve — envolver-se apenas com quem não quer compromisso e, agora, sentir-se paralisada perante alguém que reúne o que procura — é revelador e trabalha-se muito bem em psicoterapia. Muitas vezes, o medo e as comparações constantes surgem precisamente quando há algo a perder de verdade: a possibilidade de uma relação séria ativa receios mais antigos ligados ao compromisso, à intimidade e ao medo de ser magoada. As dúvidas sobre se "o que sente é suficiente" costumam ser mais fruto dessa ansiedade do que um sinal fiável sobre a relação em si. Em acompanhamento psicológico compreende-se a origem deste padrão e trabalha-se para que o medo deixe de decidir por si. A abordagem cognitivo-comportamental ajuda também a lidar com os ataques de pânico que descreve. Uma avaliação individual com um psicólogo seria o ponto de partida.
-
Preciso tratar uma condição que me assombra desde sempre, mas que penso que se agravou em algum mome
Preciso tratar uma condição que me assombra desde sempre, mas que penso que se agravou em algum momento durante o ensino médio/secundário.
Fico extremamente nervoso, com medo, coração acelerado, voz trêmula e acelerada e esqueço o que pretendo falar ou as palavras que quero usar, tudo isso quando preciso me expor, seja em uma conversa com alguém que julgo superior, em apresentações, quando tento expor meu ponto de vista sobre algo, quando sou questionado ou a vezes até em uma conversa normal. Até então entendia isso como ansiedade, mas acho que pode ser fobia social.
Gostaria muito de ultrapassar isso, pois não consigo dar 100% de mim no trabalho ou em entrevistas.
Preciso de ajuda para me entender melhor e quem sabe, passar por esta fase.RESPOSTA DO MÉDICO:
O que descreve — o coração acelerado, a voz trémula, o esquecer as palavras perante situações de exposição — é característico da ansiedade social, e tem tratamento. A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais indicadas: trabalha-se os pensamentos automáticos que surgem nestes momentos ("vão reparar", "vou falhar"), o medo do julgamento dos outros e uma aproximação gradual às situações evitadas. O objetivo não é deixar de sentir qualquer nervosismo, mas fazer com que deixe de o impedir de dar o seu melhor no trabalho e nas entrevistas. Para perceber o que o mantém, no seu caso, o indicado é uma avaliação individual com um psicólogo.
-
Boa noite neste momento estou a ter com a minha esposa terapia de casal. A terapeuta já era há algu
Boa noite
neste momento estou a ter com a minha esposa terapia de casal. A terapeuta já era há algum tempo terapeuta pessoal da minha esposa.
Nas sessões conjuntas, tenho vindo a sentir que as mesmas estão a ser conduzidas de uma forma tendencial, ou seja, sinto que a terapeuta pelo facto de já conhecer os temas da minha esposa, não está a ser imparcial nas suas analises e comentários durante as sessões. Ou seja, sinto que em grande parte das sessões sou apenas eu que estou a ser analisado face ao relatado pela minha esposa à Terapeuta.
É aconselhável existir esta partilha de Terapeuta ou a a Terapeuta do casal deveria ser uma terceira pessoa com o mesmo nível de conhecimento das partes envolvidas de modo a não ser, mesmo de forma não premeditada, mas empática e tendencial com a sua paciente ?
ObrigadoRESPOSTA DO MÉDICO:
O desconforto que sente é compreensível e merece ser levado a sério. Sentir que está a ser mais analisado, ou que as sessões pendem para o lado da sua esposa, é uma experiência que pesa e que pode facilmente minar a confiança no processo — e essa confiança é essencial para que a terapia de casal resulte. Independentemente de haver ou não parcialidade real, o que importa aqui é que não se está a sentir num espaço equilibrado e seguro, e isso é, por si só, motivo para agir. O passo mais construtivo é levar exatamente este sentimento à terapeuta, em sessão conjunta: dizer-lhe, com as suas palavras, que se tem sentido assim. A forma como ela acolher esta partilha vai ajudá-lo a perceber se é um espaço onde se pode sentir ouvido. Se o desconforto se mantiver, é inteiramente legítimo procurarem um terapeuta que não tenha acompanhado nenhum dos dois individualmente. O que sente é válido e não tem de o guardar para si.
Autor
Perguntas frequentes
-
Bom dia, o meu filho tem 10 anos e começou a queixar-se com dores de ouvidos estávamos fora de Portu
Bom dia.
Pela história clínica parece-me uma otite media serosa pós…