Perguntas do paciente (45)

  • Transtorno de Conduta

    Boa tarde, eu estou com um problema mas não sei qual. Eu tão depressa estou bem como de repente mudo sem razão aparente.
    ando quase sempre nervoso, não controlo a minha raiva, sou violento, stresso por um simples já não me apetece fazer ou ir, sei que isso não é normal. também estive preso durante 5 anos e 10 meses. O que devo fazer? Muito obrigado.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Boa tarde. Oscilações de humor podem estar relacionadas com o facto de ter estado encarcerado. Também pode estar relacionado com alguma frustração ou alguma incompreensão social. Creio que deve procurar um psicólogo ou solicitar apoio ao médico de família.
    Atentamente
    MJP


  • Alterações da libido

    Boa tarde
    Tenho 35 anos, estou com alguns problemas na minha relação amorosa, no que diz respeito à parte sexual. O acto em si aborrece-me, sinto pouca vontade, a minha libido está a zero creio, na minha cabeça existem mil e uma coisas mais interessantes para fazer, e vou adiando, o problema é que compreensivelmente o meu parceiro se torna impaciente e as discussões começam.
    O que posso fazer? Existe forma de contornar esta situação? Não sei qual a especialidade que deva abordar.

    Obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Olá.
    Antes de mais, sugeria que avaliasse, tal como já foi sugerido anteriormente por outros colegas, possíveis causas físicas (hormonais, tiroide, medicamentos que possam eventualmente interferir com a sua libido).

    Posteriormente, parece-me significativo que se analise a sintomatologia paralela. Este é o único sintoma presente? A única questão que a/o preocupa? De forma isolada, poderia ser importante o encaminhamento para a especialidade de sexologia. Contudo, se por outro lado existem outros sintomas, poderá ser algo mais abrangente que a questão sexual. Poderá ser, de facto, uma questão circunscrita à sua relação ou, por outro lado, poderá estar presente um quadro ansioso ou depressivo, por exemplo, que também poderia justificar a falta de prazer ou libido.

    Atentamente
    MJP


  • Depressão crônica

    Boa tarde, sempre fui uma criança ansiosa, tive varias depressões derivado a um casamento muito negativo e um divorcio muito difícil. Após a morte dos meus pais, sendo filha única, bati completamente no fundo do poço, fiz um internamento e felizmente recuperei.Acontece que actualmente tenho crises de agorafobia, chegando a ficar em casa durante 8 meses, sem sair por medo, crises essas acompanhadas de pânico,Estou medicada com Quetiapina, Venlafaxina e Victam.Há muitos anos que faço esta medicação.Não sei se ainda estarão adequados.Vivo prisioneira de mim mesma....não vou fazer as minhas compras, não socializo, dependo da boa vontade das filhas.Sinto-me triste pois não faço uma vida normal, como gostaria.Agradecia uma opinião de como dar a volta a esta incomoda situação.Desde já o meu muito obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Que caminho penoso...
    Por esta altura já percebeu que não existe varinha mágica para os desafios que conhece. Não obstante, reparei que no seu discurso está claro que há um conhecimento do problema e uma força que a compele a alterar o curso da sua historia de vida.
    A minha sugestão situa-se m dois pontos. O primeiro, a necessidade de fazer psicoterapia para poder complementar o tratamento químico que está a fazer. Será necessário verificar o ajustamento desta medicação (necessária) com um médico psiquiatra.
    Para concluir esta minha sugestão, deixo esta segunda consideração.
    Atualmente está num episódio que a compele a estar dentro de portas. Não é de desvalorizar esta situação pois o combate desacompanhado só trará ansiedade, dor e por conseguinte, mais isolamento.
    Gostaria também de lhe dizer conheço muito bem o problema pelo qual está a passar, sendo que existem algumas alternativas para uma fase inicial. Sugiro que inicie consultas de psicoterapia remotamente, com recurso às novas tecnologias. Pode parecer uma técnica invulgar, mas a telemedicina é comum, tanto no passado como nos dias correntes. Este será o primeiro passo para a colocar em consultório e consequentemente, fora de sua casa.
    Atentamente
    MJP


  • Depressão

    Tenho depressão cronica há vários anos, entretanto engravidei e tomo Zoloft, é prejudicial na gravidez?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Boa tarde,
    Não obstante da respostas dos caros colegas, creio que deve procurar apoio na psicologia para ultrapassar a sua depressão.
    O que é para si uma depressão crónica? O que sente? Já partilhou com algum psicólogo o que sente?
    A psicologia será boa para encontrar por si mecanismos que a ajudem a ultrapassar o problema sem medicação.
    Atentamente MJP


  • Ataques de Pânico

    Boa tarde, creio que tenho ataques de pânico. A uns meses retirei parcialmente a tiróide e desde que estou diferente. Tive a um mês o que chamaram de ataque de pânico ( urgências) sensação de fraqueza muscular , tonturas, sensação de desmaio em segundos o meu coração disparou e perdi a sensibilidade nos lábios e mãos e falta de ar. Deram me Lexotan em 30 minutos sentia a recuperar. Há 1 semana tive exatamente os mesmos sintomas fui para casa e demorou + tempo a recuperara. Hoje o mesmo episódio... Completamente assustada tomei Lexotan ...sinto me receosa tenho medo de um dia ter algum ataque de Coração ou desmaiar. Preciso de ajuda. Tenho 2 filhos pequenos..e receio que aconteça com eles presentes. O que me aconselham fazer?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Boa tarde e obrigada pela sua pergunta. Penso que será importante, antes de mais, expor esta questão ao médico que a acompanhou no procedimento cirúrgico à tiróide, que a poderá esclarecer quanto à possibilidade do seu ataque de pânico estar ou não relacionado com alguma desregulação hormonal. Por outro lado, parece-me relevante o facto de ter passado por um episódio assustador e traumático, pelo que a resposta desadequada e resultante num ataque de pânico teria alta probabilidade de ocorrer. No imediato, a aplicação farmacológica foi a adequada. Para além da mesma, que poderá manter em situações de SOS, a psicoterapia pode ser bastante benéfica, sendo o principal objectivo ensinar ao paciente estratégias ajustadas para ultrapassar a situação. Compreendo perfeitamente os seus receios, mas são os mesmos que a devem fazer investir na sua recuperação. Atentamente, MJP


  • Transtornos do Sono

    Agora meu psiquiatra me mudou a medição tomo o Cymbalta 30 mg 1 de manha e o Temesta 1mg 1/2 ao pequeno almoço 1/2 au almoço 1/2 jantar 1/2 antes de dormir e continuo a ter muitos pesadelos, porque será?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Cara/o,
    A medicação visa estabelecer um equilíbrio muito específico. Se sente que os sintomas permanecem, deve procurar novamente o seu médico para que este possa ajustar a dose. Ainda assim, a medicação visa estabelecer um meio para resolver um desequilíbrio específico. Muitas vezes isto basta para que alguns problemas deixem de ter a dimensão ou o peso que levou à procura da ajuda médica. Ainda assim, na grande maioria dos casos, o problema permanece embora sem a força inicial, sendo importante que nessa fase procura um/a Psicólogo/a para encontrar métodos que ajudem a lidar com as dificuldades sem constante apoio químico.
    Atentamente
    MJP


  • Transtorno Bipolar

    Boa tarde,

    É possível tratar a doença bipolar leve sem medicamentos?

    Muito obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Bom dia.
    A resposta à sua questão só pode ser efetivamente dada após algum período ou algumas sessões de psicoterapia. Um/a psicólogo/a poderá acompanha-lo/a num processo de auto conhecimento e descoberta de estratégias para controlar certas questões. A Bipolaridade é uma condicionante que requer um equilíbrio quase perfeito, algo que o seu psiquiatria poderá ajudar se for necessário.
    Sugiro que aborde a questão por etapas. Fale com o seu psiquiatria e procure um psicologo/a especialista na sua condição. Atentamente
    MJP


  • Depressão

    Boa tarde, tomei Sertralina, substitui por Efexor 75 2xdia além de Diazpam em caso de emergencia durante 3 anos.
    Neste momento tomo Paroxetina + Bialzpam pela manhã e Victan em caso de emergencia. Após 7 meses nada mudou, só sinto efeitos secundarios: tonturas constantes como se estivesse a flutuar, mau estar apatia fraqueza inquietaçao...A medicaçao estará desajustada? Não sei mais que fazer.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Olá,
    Toma muita medicação há muito tempo. Tomar medicação sem procurar resolver a questão não é um bom plano. A sua medicação tem como objetivo efetuar correções a determinados desequilíbrios. Deve aproveitar o facto de estar medicado/a e procurar um psicologo /a para ir ao cerne da questão é trabalhar esses pontos, criando estratégias que ajudem a conviver melhor o que a/o perturba.
    Atentamente
    MJP


  • Transtorno de conduta na adolescência

    Olá tenho um filho de 14 anos chegamos a um mês do brasil para viver em Portugal quando fomos comprar móveis para seu quarto quis tudo da cor preta e agora fica todo o dia no quarto vendo vídeos series jogos no telemóvel está sempre com preguiça de sair de casa fica isolado isso é normal atitude de adolescentes ou precisa de um acompanhamento psicológico?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Jovens serão jovens... Faz parte gostar de certas tendências, umas mais comerciais e menos comerciais. Sobre a "preguiça" ou "isolamento" que poderá estar a ver acontecer, eu chamo a isso os "home blues". Se o mundo de sua filha mudou é normal que ela sinta várias saudades do espaço que ocupava no seu meio social, familiar e residencial. A questão é: Vou já julgar e colocar mais pressão obrigando a sessões? Vou falar com ela para perceber o nível de tristeza? Nada é tão exato e atómico que dê um resultado imediato. Procure estar atenta a sinais de aumento da tristeza ou de isolamento; de aumento ou diminuição do apetite, de alterações nas rotinas de sono. Sente com ela e fale, converse pois uma mãe sempre sabe quando algo é sério. Se sentir que é o momento de atuar não espere que alguém aqui lhe diga o que fazer, atue e atue logo.
    Abraço
    Maria J Pecegueiro.


  • Fobia social

    Boa noite!
    Sou um jovem de 17 anos (faço os 18 para o mês que vem) e de há uns anos para cá sinto que a minha saúde mental está cada vez mais debilitada. Estive a pesquisar na internet acerca dos meus sintomas e a resposta mais provável para o meu problema é eu ter transtorno de ansiedade social (ou fobia social). No entanto, gostaria de obter a confirmação através de um especialista e caso tenha este problema gostaria de ser tratado o mais rapidamente possível. Vou então relatar alguns sintomas que sinto: fico extremamente nervoso em situações de grandes ajuntamentos sociais, mesmo que conheça todas as pessoas que estão nesse grupo; nas conversas do dia-a-dia não consigo manter o contacto visual e fico muito nervoso e sem saber exatamente o que dizer quando falam comigo; ao andar na rua estou sempre preocupado com a minha postura ao andar, o que faz com que ande de forma desajeitada e artificial; não consigo manter contacto com qualquer rapariga pois os nervos apoderam-se de mim (o que faz com que não consiga ter relações amorosas com ninguém); penso que as pessoas estão todas contra mim e que não gostam de mim; não consigo ter uma relação achegada e de confiança com ninguém (nem mesmo com os meus pais); atividades que antes me davam bastante prazer (jogar futebol por exemplo) são agora "mais uma" atividade, ou seja, já não sinto prazer em fazê-la; ando sempre triste e a querer "desaparecer" deste mundo...
    Ficaria muito agradecido caso alguém me pudesse dizer que problema eu tenho?
    Cumprimentos!

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Bom dia jovem de 17 anos.
    Li com muita atenção o sua história e realmente aquilo que sente é respondido pelo chavão "fobia social". Mas cuidado com o dr. Google, este não é um fato à medida e acaba por exagerar em tudo. Não obstante vou-me focar mais na autoscopia e considerações que faz, que nos sintomas que descreve.
    Além de identificar os seus desafios, consegue perceber diretamente os seus impactos no dia-a-dia e fazer a devida correlação e isso, requer um esforço que considero ser considerável. Na minha opinião não considero que tenha um problema, tem questões para trabalhar como todas as pessoas têm.
    Objetivos que considero serem importantes a curto prazo.
    Marque uma consulta com um psicólogo para poder iniciar o seu processo de psicoterapia. Procure não estar "super" focado no seu problema pois tenderá a dar demasiada importância e a maximizar os sintomas. Não recorra muito ao dr. Google pois este dará sempre o pior cenário, levando a que construa uma realidade que até pode não ser realmente a sua.
    Um passo de cada vez aproximar-se-á das soluções e distanciar-se-á dos problemas.
    Ao dispor,
    MJP


  • Adição a Substâncias Ilícitas

    O meu namorado já faz vários anos que toma substâncias ilícitas mas mantendo sempre uma vida e uma aparência cuidada, mas em tempos de dificuldades o uso é mais frequente e embora se recuse aceitar considero vício, que precisa de tratamento, recursos se a ir a sítios específicos de tratamento de toxicodependentes mas concordou numa consulta com psicólogo! A que especialista devo recurer, que especificação devo procurar e como expor o problema?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Cara,
    De uma forma muito objetiva dou-lhe o meu conselho. Este não é um problema "chave-na-mão". Há casos em que o confronto, estilo intervenção familiar e amigos, resulta e noutros casos não, tornando-se ainda um problema maior.

    É importante que a necessidade venha do paciente, independentemente do que o levará a tomar essa decisão.
    O profissional a procurar nesta fase e na minha opinião, é o Psicólogo/a, pois este/a ajudará a perceber onde está a origem do problema e a criar mecanismos para o enfrentar sem recurso a estupefacientes.
    Atentamrnte
    MJP


  • Ansiedade

    Sofri de bullying quando era criança e então formei uma personalidade forte desde ai nunca querendo mostrar fraqueza a ninguém e receio de me sentir rebaixado, ha uns tempos começei a ter pequenos ataques ansiedade e sempre que tenho encontros sociais (sobretudo com amigos mais próximos) sofro por antecipação, que eles reparem que estou mal, sei que é irracional pois nunca ninguém reparou, não são ataques notórios. Começei a fazer terapia EMDR para reprocessar todas as memorias de bullying de criança. As memorias não me afectam, nunca olhei para o bullying como traumatico... Posso superar isto sem emdr? Pois infelizmente não vou poder continuar as consultas.. Já alguém ouviu falar em hoponopono? É identico? Ou outra forma? Obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    O bullying é um fenómeno peculiar. Acontece muitas vezes, ou na grande maioria das vezes, numa idade muito específica, onde o ser humano é rico em mecanismos de abstração e resiliência mas também é frágil. A sua descrição indica isso mesmo, que não tem impacto visível e estando aparentemente resolvido, ainda se manifesta de forma desassociada com o passado. Mas esta "resolução", este "acomodar" ou até mesmo esta resiliência consiste em alguns casos numa camada fina de proteção que, com o passar do tempo, vai reduzindo.
    É bem possível que agora como adulto não veja uma referência direta entre o seu passado e a condição atual, mas o stress e a ansiedade dos encontros do passado marcam o ser humano e forma como vivemos. Já reparei que ganhou força e estratégias para combater as agressões, mas que estratégias possui para lidar com a ansiedade quando não sabemos onde está o mecanismo que a desperta? No passado conseguiu ultrapassar as agressões e focou-se nessa "força" mas que estratégias encontrou para ultrapassar o stress sentido nesses episódios?
    Relativamente ao Hoʻoponopono, acredito que deve fazer o que o faça sentir-se bem, sendo essa ou outro tipo de meditação, na minha opinião, mais que válida. Contudo proponho um desafio. Um desafio que o levará a focar-se mais nas questões que geram ansiedade no presente. Estou convicta que encontrará estratégias adaptativas para reduzir a ansiedade e trabalhar um poucos algumas crenças.
    Os meus cumprimentos
    MJP


  • Transtornos Psicomotores

    Boa tarde Sr. Doutor ! A minha filha tem 44 anos tem a sua vida de casada e mãe , uma vida normal . Já é a 3º vez que se queixa a mim que em momentos tem a sensação que corpo e mente se separam , o corpo não age mas a mente sabe que ele tem que agir e ela não consegue. O que aconselham? Estou muito preocupada! Agradeço a vossa resposta .
    . Grata ! Edeviz de Melo.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Olá bom dia.
    A sugestão do Dr. José Abreu é a mais correcta. Pode procurar um psicólogo ou um psiquiatra. Ambos saberão detetar minimamente a questão e encaminhar para a área mais concreta.
    Atetentamente
    MJP


  • Hipocondria

    Boa tarde,

    À cerca de 25 anos foi-me diagnosticada uma Neurose Obsessiva Compulsiva andei muitos anos a ser tratada e continuo com medicação. Neste momento e porque perdi uma filha com 9 meses de gestação tenho muito medo de doenças "hipocondria". Tomo Cipralex 10mg dia e Lexotan 4,5mg. Gostaria de um conselho para saber se existe algum método para melhorar? Pois este medo acompanha-me desde essa altura.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Olá bom dia,
    Vou-lhe chamar Maria se me permitir. Acho que a sua história de vida é pautada por momentos que a marcarão para sempre, independentemente do seu estado de animo ou mesmo de saúde.
    Recordo-me de ouvir da boca da minha avó que " o maior desafio da vida é o medo, pois está sempre à espreita". No seu caso em particular, olhando de fora e sem grande contexto, parece-me que nesta fase o receio, o nervoso, o medo, a ansiedade, a angústia, todos estes sintomas que de certeza está a sentir, são de facto "normais". Somos seres humanos, seres vivos e não máquinas, portanto, ter receio do meio envolvente quando passamos por situações stressantes e traumáticas é "normal"... eu sou psicóloga e sinto por vezes receios, dúvidas e angústias. A mais sã das pessoas sente com certeza receios e medos diariamente. Não seja adversa em relação a esses sentimentos, deve, porém, identificar e trabalhar essas condicionantes que a impedem de levar uma vida mais tranquila. Sempre que um sintoma seu ou um receio seu ganha mais forma, perceba que essa é uma manifestação do seu organismo face ao historial que viveu.
    Agora o que deve fazer é outro tipo de conversa. O Conselho que pede é outra história, uma completamente diferente da que está agora a ver. Acho que deve refletir, meditar, fazer o luto conveniente de tudo o que lhe tem acontecido. Como muitos dos meus colegas acima aconselham, acho que deve procurar um Psicólogo/a e que este deve trabalhar em sintonia com o clínico que lhe prescreveu a medicação. Em suma, tem uma tarefa à sua frente e terá de reunir força para a enfrentar com a Psicoterapia. Sem querer ser lamechas deixo-lhe a frase que me caracteriza. "Um dia ao refletir sobre o seu passado, saberá que os dias em que lutou foram os que mais valeram a pena". Um abraço, MJP.


  • Transtorno Bipolar

    Foi-me detectada bipolaridade a quase dez anos...quando tinha apenas dezanove.. na altura estive internada duas semanas para perceberem qual a medicação mais adequada.. mas sinceramente o que mais fiz nessas duas semanas foi dormir pois não tinha ânimo nem vontade de sair da cama... Disseram-me que tinha bipolaridade afectiva... será que esse termo existe? A minha dúvida eh que será que precisarei de alterar a mediação? Pois o meu estado mantém-se... só quero dormir e só me sinto bem na cama... só indo para o trabalho porque tem mesmo de ser pois preciso do dinheiro... mas estou a destruir a minha vida e por consequente o que me rodeia... obrigada pela atenção eh só mais um desabafo

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Antes de mais queria deixar-lhe os meus melhores pensamentos para a luta que tem travado. A Bipolaridade é uma condição muito específica da saúde humana e é também um desafio constante ao paciente e à equipa médica que acompanhará este ao longo da sua vida.
    O meu conselho vai no sentido de a/o incentivar a falar com o seu médico psiquiatra no sentido de perceber se há espaço nesta altura do tratamento para ajustes na medicação. A Bipolaridade requer um equilíbrio específico na medicação e esse equilíbrio é frágil, portanto, é sensível aos vários elementos externos do dia-a-dia. Por vezes e em certas alturas, a medicação, para bem do paciente, é mais forte.
    O que eu sei de facto é no sentido de o/a ajudar: Com base nos resultados que observo com os meus pacientes com a sua condição ou com outras mais severas, é que o binómio psiquiatra/psicólogo é fundamental. Não é imediato mas é certo que o acompanhamento dos dois, concomitantemente de alguns bons hábitos, como desporto ligeiro, meditação e uma boa alimentação, tem excelentes resultados. Portanto, apesar da sua condição é possível que se encontrem melhorias na condição de vida. Atentamente e ao dispor,
    MjP


  • Terapia EMDR

    Como o EMDR funciona? Experimentei 3 vezes e aumenta-me os sintomas de ansiedade depois das sessões. Já li que é normal mas não entendo como um tratamento que se diz eficaz para tratar a ansiedade causa exactamente o oposto...

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    O MDR é fantástico em muitas situações específicas. A psicologia tem tido uma evolução positiva no tratamento de algumas condições, mas, como em todas as áreas da saúde, existem tratamentos em que uma pessoa se adapta e consegue resultados positivos e noutros não. Se sente desconforto com a sua atual linha de terapia, procure uma mais clássica para ver como se sentirá.
    Atentamente e ao dispor,
    MjP


  • Ansiedade

    A decisão de tomar ou não antidepressivos é muito difícil. Acredito na psicoterapia e estou a ser muito bem acompanhado. Entrei numa crise de ansiedade a uns tempos e agora vejo que desde de criança que tenho formas de pensar disfuncionais... Ha um conflito de informações, uns dizem que a medicação não resolve o problema e só trata os sintomas, outros dizem que ha um inbalanço quimico no cerebro que só a medicação consegue resolver! Eu sei quais são os meus problemas, mas muitas vezes não consigo mesmo controlar e a minha mente toma total controlo sobre mim! Queria evitar medicação a todo custo pois tenho muito receio de efeitos colaterais ou ficar dependente mas as vezes penso que só psicoterapia não chega... Tenho sintomas de ansiedade constantes, sobretudo despersonalização/desrealização... entre muitos outros... muita ansiedade social mas nunca tive um ataque de pânico. O que faço? Se tenho um imbalaço químico (pois agora vejo que sofri de ansiedade toda a vida) pode ser resolvido só com psicoterapia? Não tenho depressão grave, raramente me sinto triste, mas sinto-me muitas vezes desmotivado... obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Antes de mais espero que esta mensagem a/o encontre bem. Respondendo de uma forma direta, a medicação tem efeito no ser humano e resolve o problema no momento que a toma, ou na forma continua. Claro que a medicação de forma continua estabiliza minimamente o ser humano, dando espaço e tempo para que este encontre algum equilíbrio para resolver por si a questão. Ora, quando estamos a falar de comportamentos cristalizados ou até mesmo aspetos com anos de existência, a medicação pouco ajudará pois o desafio está no comportamento e na percepção da realidade. Aqui o Psicólogo é uma mais valia, seja quando o paciente está medicado ou quando não está. Será através do processo de psicoterapia que a paciente encontrará o seu equilíbrio e fará frente aos seus desafios. Há uma analogia que gosto de usar pois muitos dos meus pacientes consideram que na sua vida encontram muitas "pedras". Todos encontramos barreiras pelo caminho mas estou certa que um dia olhará para trás em refletirá que os melhores dias foram aqueles em que superou todos os seus obstáculos. Cumprimentos,
    MJP


  • Transtornos de Personalidade Borderline

    Caso um paciente diagnosticado com Perturbação da Personalidade Borderline também sofrer da doença Bipolar será uma mais valia para o mesmo ter o diagnóstico ou será mais um obstáculo no tratamento?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Bom dia.
    Ora cá está uma questão pertinente e algumas respostas também. Por um lado, temos o "borderline" que se olharmos à letra percebemos que estamos no limite de alguma coisa. Esta é a personalidade mais estudada em psicologia, em virtude das suas características tão amplas, desafiadoras e peculiares.
    Os traços borderline na personalidade denotam a presença de um padrão global de instabilidade na forma habitual de funcionar que afeta as relações com os outros, a imagem que tem de si e os afetos, bem como o comportamento, no qual existe um reduzido controlo de impulsos.
    Por outro temos uma condição séria e que merece muito cuidado pois depende de equilíbrio, a bipolaridade. Como é que equilibramos uma condição que necessita de equilíbrio numa personalidade que está no limite. Quem está na génese do resultado de comportamentos do paciente?
    A resposta não poderá vir sozinha de um Psicólogo ou de um Psiquiatra. Ambos aqui vão ter um papel fundamental à procura do equilíbrio do paciente.
    Acima de tudo, numa personalidade borderline e bipolar, a transparecia e a realidade necessitam de ser a constante da equação.
    Cumprimentos,
    MJP


  • Tenho uma depressão desde Agosto do ano passado e desde aí sonho muito, porquê sonho muito e muitos

    Tenho uma depressão desde Agosto do ano passado e desde aí sonho muito, porquê sonho muito e muitos pesadelos. Tomo um Rivotril 0.5mg de manhã o meu antigo psiquiatra mandou tumar 2 á noite faz algum tempo mas nada mudou, será normal?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Caro,
    Uma depressão não se resolve tomando apenas medicamentos. Ou procura um psiquiatria que conjugue a sua acção com outras terapias, ou procure um psicologo para o acompanhar.
    Atentamente,
    MJP
    Atentamente


  • Porque há tantas historias na Internet de pessoas a dizer que sofrem de ansiedade há 40 anos e já fi

    Porque há tantas historias na Internet de pessoas a dizer que sofrem de ansiedade há 40 anos e já fizeram de tudo para resolver mas os sintomas voltam sempre? Estou muito preocupado, tenho medo da medicação antidepressiva e já estou em terapia há 2 anos, já sei os meus problemas mas tenho traços de personalidade muito fortes e esta a ser muito difícil mudar os padrões de pensamento. Começo a pensar que vou ser um desses casos...

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Maria João Pecegueiro

    Boa tarde. Que pertinente a sua exposição. Antes de mais, permita-me referir um aspecto importante: a ansiedade tem uma função adaptativa, ou seja, até determinado "grau", ela ajuda-o a preparar-se para os diferentes desafios da sua vida e do seu quotidiano. Quando a mesma é demasiado intensa, impede-o de agir de forma saudável, e por isso atrapalha mais do que ajuda. Outra questão é o facto de referir que se encontra em terapia há cerca de dois anos sem resultados. Este aspecto pode ter variadas causas, nomeadamente a não adesão da parte do paciente à metodologia, ou mesmo a abordagem escolhida não ser a mais indicada (de acordo com o quadro patológico e com as características do paciente). Por fim, há casos em que a medicação é necessária, e pode ajudar bastante. Não tenha medo do efeito da mesma, nem pense na questão como sendo uma coisa má ou uma coisa boa. A medicação pode ou não ser necessária e quando o é, ajuda. Estar bem acompanhado na área da psiquiatria (assim como na psicologia) é essencial, e se algo não corre bem, deve discutir isso com o médico/psicólogo, para que ambos possam analisar o que está a correr menos bem e reajustar o plano de intervenção.
    Repense estas questões e não desista. É sim possível viver com níveis ajustados de ansiedade (lembre-se que ela nunca vai desaparecer - o objectivo é aprender a viver com ela, em níveis que lhe permitem estar bem).
    Estarei disponível para ajudar.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no Doctoralia.com.pt, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.