Perguntas do paciente (4)
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Olá eu já namoro há algum tempo sempre vivemos a 30 minutos um do outro, há três anos ele passa todo
Olá eu já namoro há algum tempo sempre vivemos a 30 minutos um do outro, há três anos ele passa todos os verões comigo em minha casa neste momento estou a passar uns meses na casa dele, ele tem me deixado sozinha varias vezes para estar com amigos e acaba por dormir fora de casa sem me avisar, fiquei chateada com a situação só depois de uns dias é que fui falar com ele da situação de como isso me incomodou, eu falei a minha perspetiva de como me sentia mas parece que fui ignorada isto nunca aconteceu na minha relação e tenho sentido um distanciamento por parte dele e eu me aproximo dele para conversar/namorar ele nem me olha nos olhos não me toca ele diz que se sente confuso e tem que muita coisa na cabeça e não fala comigo já lhe pedi varias vezes o que faço?
RESPOSTA DO MÉDICO:
Olá! Quero começar por dizer-te que não fizeste nada de errado:
- Tentaste comunicar de forma clara a tua perspetiva e a forma como os comportamentos dele te faziam sentir;
- Para além da comunicação verbal, tentaste a aproximação física;
- Esperaste alguns dias antes de falar, o que possivelmente evitou que reagisses de forma impulsiva e permitiu que pensasses melhor na forma como ias expressar os teus pensamentos e sentimentos.
É completamente normal que a falta de reciprocidade por parte do teu companheiro te esteja a deixar um pouco insegura e incerta, sem saber como reagir perante estas atitudes e comportamentos.
O que descreveste parece-me uma situação de estar num relacionamento com uma pessoa com vinculação evitante. As pessoas com este traço tendem a:
- Desligar ou afastar-se quando sentem pressão emocional (ex: quando expuseste a forma como te sentias);
- Precisar de "espaço" de forma excessiva, especialmente depois de passarem o que consideram ser uma boa quantidade de tempo com a pessoa com quem estão numa relação amorosa (ex: o facto dele te deixar sozinha com frequência para estar com amigos ou dormir fora de casa). Isto pode acontecer porque começam a sentir o seu espaço "invadido" e a sentir-se sobrecarregados pelas exigências emocionais de uma relação amorosa;
- Apresentar dificuldades em falar sobre emoções (ex: o distanciamento que sentes dele, que parece não ser apenas físico, mas também emocional; a falta de contacto visual, o facto de apenas dizer que se sente "confuso" e com "muita coisa na cabeça", sem expressar de forma clara o que está a sentir).
As duas questões centrais aqui parecem ser, a meu entender: a falta de comunicação e a falta de reciprocidade emocional por parte do teu companheiro, aspectos que estão interligados.
Um companheiro com dificuldades expressar-se emocionalmente pode deixar espaço para interpretações daquilo que não é dito, o que pode levar a um aumento da ansiedade e da frustração.
O que eu aconselharia, nesta situação, seria pedir para ter uma conversa com ele de forma séria e inequívoca. Expressar que não te queres sentir sozinha nem como a única pessoa a investir na relação, e que, embora possas respeitar que ele esteja confuso, precisas de saber se ele ainda pretende continuar a investir na vossa relação: sim ou não.
Com esta conversa não se pretende implorar, iniciar uma discussão ou fazer acusações, mas sim:
- Perceber quais são as intenções do teu companheiro em relação à vossa atual relação amorosa;
- Perceber se ele está disposto a investir tempo e esforço da mesma forma que tu, nomeadamente trabalhando na melhoria da sua comunicação emocional;
- E, por fim, perceber se as palavras dele se traduzem em ações.
Agora deixo-te uma pergunta para refletires, com sinceridade: se ele continuar exatamente com estes mesmos comportamentos nos próximos 6 meses, aceitarias viver e permanecer na relação assim?
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Sofro de ansiedade, misofonia diagnosticada, tenho pouca paciencia, tenho mudanças drasticas de humo
Sofro de ansiedade, misofonia diagnosticada, tenho pouca paciencia, tenho mudanças drasticas de humor, estou numa relaçao á pouco tempo e nao tenho apetite sexual, mesmo que sinta um desejo muito grande pelo meu parceiro. Um psicologo poderá ajudar?
RESPOSTA DO MÉDICO:
Boa tarde. Pelos sintomas que descreveste, poderia ser benéfico o começo do acompanhamento psicológico para entender algumas questões centrais:
- Mencionaste que tens mudanças de humor drásticas. Seria importante começar por identificar a origem dessas mudanças de humor, primeiro, ao descartar possíveis causas fisiológicas (realização de análises ao sangue, por exemplo). Após descartar causas médicas, ai sim, poder-se-á então aprofundar a exploração psicológica dessas alterações de humor, tentando perceber padrões, frequência, intensidade e fatores precipitantes - e desenvolver formas de regulação emocional.
- Trabalhar a tua ansiedade de forma estruturada: compreender quais são as principais fontes de ansiedade na tua vida, identificar os teus principais "gatilhos" (triggers), perceber que pensamentos automáticos/crenças podem estar a sustentar esta ansiedade.
- Explorar as questões relacionadas com a tua relação (nomeadamente o que pode estar a contribuir para o "bloqueio" do apetite sexual) - abordar as dinâmicas relacionais, padrões de comunicação, estilos de vinculação, forma como comunicam as vossas necessidades e limites e analisar os momentos de intimidade para compreender se existe questões como pressão interna, evitamento, medo de julgamento, dificuldade em relaxar, entre outras questões.
A tua ansiedade e misofonia podem estar a contribuir para uma menor disponibilidade para a intimidade sexual, mas é uma questão que deve ser explorada num contexto terapêutico e que necessita de mais informação para se chegar a respostas mais conclusivas.
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Boa noite. Tenho 23 anos e neste momento sou trabalhadora e estudante de mestrado. A nível profissio
Boa noite.
Tenho 23 anos e neste momento sou trabalhadora e estudante de mestrado. A nível profissional não podia estar mais contente, recentemente fui promovida a supervisora e sinto me desafiada todos os dias. Contudo, desmotivei muito a nível do mestrado e adiei 6 meses, e agora sinto que estou a adiar a continuação da minha tese.
Em parte sinto que tudo o que está acontecer é um reflexo de muitas coisas que se têm passado na minha vida. Sofro de ansiedade e de há um ano para cá que tenho imensa dificuldade em dormir. Sinto-me emocionalmente instável e desgastada e tem se vindo a refletir a nível físico. Recentemente fui parar ao hospital completamente desgastada fisicamente. Não sei o que fazer, sempre tive objetivos bem definidos e muita motivação, e agora não o consigo. Há dias já não me apetece sair da cama e não sei o que fazer? A minha cabeça balança entre querer alcançar todos os meus objetivos e querer largar tudo.RESPOSTA DO MÉDICO:
Boa noite. Antes de mais, os meus parabéns por estares a realizar tarefa nada fácil e muito exigente de estudante-trabalhadora.
Pela informação que descreveste, parece que os sintomas que estás a descrever (i.e., dificuldade em iniciar/continuar a tua tese, dificuldades relacionadas com o sono, situação de exaustão física no hospital) são provavelmente fruto de uma sobrecarga do teu sistema nervoso. Os teus objetivos e motivação não desapareceram, o teu cérebro está simplesmente demasiado exausto neste momento, entrou em "modo sobrevivência" e está poupar energia para garantir as necessidades básicas. A procrastinação que mencionas relacionada com a tese não tem qualquer relação com falta de capacidade, ou com uma vontade de "largar os teus objetivos", mas sim com um cansaço extremo que te leva a dias indefinidamente as tarefas que exigem mais de ti mentalmente e emocionalmente (como é o caso da tua tese).
Mencionaste que tens dificuldades a dormir há um ano, o que pode ter agravado outros sintomas que já estavam presentes, pois a privação do sono aumenta a ansiedade, afeta a memória e concentração e pode reduzir a motivação. Depois, entra-se num ciclo vicioso, em que a ansiedade resulta em mais dificuldades em adormecer, as dificuldades em adormecer em mais ansiedade, e uma coisa alimenta-se da outra.
Mas agora é importante perguntares-te a ti mesma para perceberes: estás desmotivada ou exausta?
Neste momento, seria importante que, acima de tudo, priorizasses a tua saúde - abordando questões essenciais como: 1) as dificuldades do sono; 2) a ansiedade, assim como o acompanhamento psicológico para explorar temas como:
- De que forma as tuas próprias expectativas em relação ao sucesso e às conquistas estão a impactar a tua saúde mental? Qual é o nível de exigência que tens contigo mesma? Será que está tornar-se prejudicial para a tua auto-estima, para as tuas relações e para o teu desempenho profissional e académico?
- Qual o nível de responsabilização pessoal que assumes quando não consegues cumprir os objetivos que defines para ti? Esse nível de responsabilização é saudável ou excessivo?
- Consegues perceber se atribuis um peso e um "espaço" equilibrados aos teus objetivos na tua vida e na forma como te percepcionas?
- Questões relacionadas com produtividade e motivação.
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Ansiedade
Boa tarde,
Tenho 23 anos e tenho lidado com problemas de ansiedade. Muitas vezes sinto-me exposto e tenho demasiado medo da opinião dos outros. Por exemplo, chegar à faculdade sozinho e abordar pessoas é uma situação que por vezes me deixa muito ansioso, sinto que vou ser julgado. Também me sinto muitas vezes ansioso em jantares e festas. Tenho medo de ser exposto, de ser o centro das atenções e de que fique nervoso e reparem. Fico a tremer e muito tenso nestas situações e tudo isto me impede de levar uma vida normal e de evitar eventos que deveriam ser de alegria, e não de medo e ansiedade. O que devo fazer?
ObrigadoRESPOSTA DO MÉDICO:
Boa tarde. Obrigada pela tua partilha, o que descreves é extremamente angustiante e é compreensível que te sintas frustrado por sentires medo/ansiedade em situações que, supostamente, são vistas como agradáveis.
Pelo que descreves, os teus sintomas são consistentes com com ansiedade social. A Perturbação de Ansiedade Social acontece quando existe um medo intenso de ser avaliado, julgado ou exposto negativamente pelos outros. É frequentemente confundido com timidez, mas é mais do que isso, é um estado de ativação do sistema nervoso que faz o corpo reagir como se estivesse perante uma ameaça/um perigo real.
Nessas situações que descreveste, o teu corpo entra em "modo alerta". Está a antecipar o julgamento dos outros. E é um ciclo vicioso, pois quanto mais evitas estas situações (o que é compreensível, pelo nível de ansiedade que te causam), mais o teu cérebro aprende a vê-las como situações "perigosas", o que reforça o ciclo da ansiedade.
Estes sentimentos podem ser trabalhados e o ciclo da ansiedade pode ser quebrado. É possível construir uma sensação de segurança interior e aprender a enfrentar o medo da exposição, de forma gradual e consistente.
No acompanhamento psicológico, seria importante trabalhar nos teus pensamentos automáticos, como aqueles que referiste ("sinto-me exposto", "sinto que vou ser julgado", etc) ajudando-te a identificá-los, questioná-los e reestruturá-los. A reestruturação cognitiva permite avaliar questões como: que evidências sustentam estes teus pensamentos? que evidências os contradizem? que interpretações alternativas, e mais realistas, podem existir dos mesmos?
O incentivo à exposição gradual destas situações temidas, que depois seriam abordadas e desconstruidas nas sessões, também faria parte do processo. Em vez da evitação por completo, iria-se construir uma "hierarquia de situações" (começando com aquelas que te causam menos ansiedade, e avançando de forma progressiva para as que te causam mais).
Por fim, também seria importante trabalhar na tua própria autocrítica. Questionar as tuas crenças sobre ti próprio, o seu nível de exigência, encontrar a sua origem, e, ao mesmo tempo, desenvolver uma visão mais compassiva e realista de ti mesmo.
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Perguntas frequentes
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