Eu estou diagnosticada com despersonalização e desrealizacao. Já estou medicada há cerca de 6 mese
Eu estou diagnosticada com despersonalização e desrealizacao. Já estou medicada há cerca de 6 meses que tive esta crise, tive de ser internada. Atualmente não consigo fazer nada, nem trabalhar, conduzir ou cozinhar. Não consigo cuidar de mim nem das minhas filhas. Esqueci mede muitas coisas q me acontecem. Parece que tenho uma espécie de amnésia. Estou completamente desligada do mundo. Parece que isto é tudo um pesadelo
5 respostas
Boa tarde. Despersonalização e Desrealização são sintomas de elevados níveis de ansiedade. A ansiedade impede a formação de memórias. Deverá fazer terapia para aprender a reduzir os níveis de ansiedade. A Psicoterapia Cognitivo comportamental tem resultados muito bons com esse tipo de problemas. Desejo-lhe as maiores felicidades. Cumprimentos, José Armindo
Boa noite. Lamento profundamente o sofrimento extremo pelo qual está a passar. Os relatos de despersonalização e desrealização, quando acompanhados de uma incapacidade funcional severa (como não conseguir trabalhar, conduzir ou cuidar das filhas) e de episódios de amnésia, indicam que o seu sistema nervoso ainda se encontra num estado de exaustão e sobrecarga clínica muito elevado. Perante o quadro que descreve, e considerando que já cumpre medicação há 6 meses após um internamento, a evidência científica e as boas práticas clínicas ditam os seguintes passos imediatos: 1 Reavaliação Psiquiátrica Urgente: É fundamental contactar o médico psiquiatra que a acompanha ou a equipa que a assistiu no internamento. Uma incapacidade tão acentuada e a presença de falhas de memória significativas exigem uma reavaliação imediata da terapêutica prescrita. 2 Avaliação Psicológica e Neuropsicológica: Assim que houver uma estabilização médica mínima, é altamente recomendada uma avaliação psicológica exaustiva. O sintoma de amnésia que refere precisa de ser devidamente avaliado para compreender se é de natureza puramente dissociativa (um bloqueio do cérebro para se proteger da ansiedade) ou se requer outra investigação. 3 Processo Psicoterapêutico de Suporte: Se a avaliação confirmar que estes sintomas derivam de um quadro de ansiedade grave, pânico ou trauma, o início de uma psicoterapia (como a Terapia Cognitivo-Comportamental ou focada no trauma) será essencial para lhe devolver, gradualmente, a sensação de segurança no corpo e a ligação à realidade. Uma nota de segurança: Como refere que não consegue cuidar de si nem das suas filhas e sente que vive num pesadelo constante, é imperativo que não passe por isto sozinha. Peça ajuda imediata à sua rede de apoio familiar ou, se sentir uma total perda de controlo ou desespero clínico agudo, dirija-se ao serviço de urgência hospitalar com valência de psiquiatria. Existe tratamento e saídas para este estado, mas este momento exige uma intervenção médica e psicológica coordenada e urgente.
Lamento profundamente que esteja a passar por este verdadeiro pesadelo. Saiba que o que descreve, embora muito assustador, é um quadro clássico de dissociação severa e tem explicação. A despersonalização e a desrealização funcionam como um "disjuntor" que o cérebro desliga para se proteger de uma sobrecarga emocional extrema (daí o internamento e a sensação de estar desligada do mundo). A "amnésia" que sente: Quando estamos em dissociação profunda, o cérebro tem enorme dificuldade em registrar e fixar novas memórias. Não é uma demência ou perda definitiva; é apenas a mente focada em "sobreviver" ao stresse, o que impede a atenção e a memória de funcionarem normalmente. A incapacidade de agir: Sem conseguir focar ou sentir-se "presente", tarefas como conduzir, cozinhar ou cuidar das suas filhas tornam-se temporariamente impossíveis. Não se culpe por isso; o seu organismo está sem energia de reserva. O que fazer agora: Reduzir a autocobrança: Aceite que, temporariamente, precisa de ser cuidada e delegar o cuidado das suas filhas e da casa a familiares ou rede de apoio. Revisão médica urgente: Se após 6 meses de medicação o impacto funcional ainda é este, é fundamental falar com o seu psiquiatra para reavaliar e ajustar o tratamento farmacológico. Psicoterapia especializada: A medicação ajuda a estabilizar a química cerebral, mas é a psicoterapia (especialmente focada em trauma e técnicas de grounding/ancoramento) que a ajudará a voltar a "habitar" o seu corpo em segurança. Este estado é profundamente doloroso, mas com o ajuste terapêutico e o suporte adequados, o cérebro volta a sentir-se seguro e a realidade regressa gradualmente. Muita força e não hesite em pedir ajuda à sua rede próxima agora. As suas melhoras.
Olá. Lamento muito que esteja a passar por uma experiência tão angustiante. O que descreve — sentir-se desligada de si e do mundo, dificuldades de memória e uma incapacidade tão grande para trabalhar e cuidar de si e das suas filhas — merece ser acompanhado de forma muito próxima. A despersonalização e a desrealização podem ser muito incapacitantes, mas há tratamento e é possível melhorar. A psicoterapia, nomeadamente a TCC, pode ajudar a compreender e reduzir os sintomas, trabalhando a ansiedade, a sensação de desconexão e estratégias de regulação e grounding. Como já esteve internada e continua com limitações importantes apesar da medicação, será também importante manter contacto próximo com o seu psiquiatra para reavaliar a situação clínica e a medicação. As dificuldades de memória que refere devem igualmente ser comunicadas ao médico. Neste momento, não precisa de tentar resolver tudo de uma vez. O objetivo inicial é recuperar gradualmente a sensação de segurança e funcionamento, respeitando o seu ritmo. Disponha, Equipa Gabinete de Psicologia Dra. Vera Faria
Olá. Imagino como poderá ser difícil viver com essa sensação de estar desligada do mundo e de não conseguir realizar tarefas que antes faziam parte do seu quotidiano. Pelo que partilha, não se trata apenas de lidar com sintomas difíceis, mas também de sentir que perdeu parte da sua autonomia e da ligação à própria vida. Quero que saiba que o seu sofrimento merece ser levado a sério. Não precisa de enfrentar tudo isto sem apoio, nem de exigir de si que consiga fazer agora tudo aquilo que fazia antes. Como refere que estas dificuldades persistem apesar da medicação e que está a afetar a sua capacidade de cuidar de si e das suas filhas, considero importante que contacte o seu psiquiatra ou a equipa que a acompanhou no internamento o mais rapidamente possível, para que possam reavaliar a situação. As dificuldades de memória que descreve também merecem ser avaliadas, sem presumir que se devem exclusivamente à despersonalização ou à desrealização. Não altere a medicação por iniciativa própria. Entretanto, se não está a conseguir assegurar os cuidados básicos de que precisa ou os cuidados das suas filhas, procure o apoio de alguém de confiança. Se a confusão ou as falhas de memória forem súbitas ou estiverem a agravar-se, ou se não conseguir manter-se em segurança, procure assistência médica urgente. Não precisa de encontrar todas as respostas de uma só vez. Neste momento, importa que não fique sozinha com este sofrimento e que possa receber o acompanhamento de que precisa, com tempo, cuidado e respeito pela sua experiência.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.


