Perguntas do paciente (82)

  • Todos os meus problemas na vida começaram em bebé e na infancia, minha mãe me batia muito e sem razã

    Todos os meus problemas na vida começaram em bebé e na infancia, minha mãe me batia muito e sem razão, é narcisista. Com a morte do meu pai aos 11 anos e minha mãe que nunca ligou para mim e só me tratava mal. Passei toda minha adolescência chorando pelo meu pai, me afundei nos livros, não tive amigos nem socialização. Não tive nada de bom na infância nem na juventude. Nunca recebi amor de ninguém. Nem amigos. Fiquei presa na depressão. Nem aprendi a viver. Por isso todas minhas relações falham. Carencia extrema, insegurança enorme. Já recorri a vários psicólogos mas não resulta, parece que não conseguem chegar até mim nem eu com eles. Tenho 45 anos. Estou desesperada. O que posso fazer com minha vida?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Lamento imenso a sua história. Ha dores profundas e difíceis de ultrapassar. Enquanto adulta, e responsável por si pode não desistir de si. Pode aprender a cuidar das várias partes de si como desejaria que tivessem sido tratadas, ouvidas com amor, e guiadas com carinho, e coerência. Ou seja, não continuar o ciclo de desesperança e desrespeito que lhe foi transmitido. Nesse processo de aprendizagem a tratar-se de uma nova forma, que será sempre a forma que escolher, sem estar refém do seu passado, um psicoterapeuta pode ajudar. São processos que exigem coragem responsabilidade e empenho, mas que com um psicoterapeuta com quem se sinta bem, podem conduzir a um nível de maior bem estar com a sua vida.


  • Boa tarde, Sou um jovem de 24 anos saudável que nos últimos tempos desenvolvi uma obsessão por uma

    Boa tarde,
    Sou um jovem de 24 anos saudável que nos últimos tempos desenvolvi uma obsessão por uma garota. Tudo começou miito bem no início, mas por problemas de relacionamento no passado, eu tenho vezes que imagino cenários em que esta garota está a enganar-me e isso... Eu não era assim desse jeito. Tudo começou porque fui "enganado" no passado por uma garota ou iludido. Este foi o gatilho para isso tudo acontecer. Fico com medo da rejeição e com isso fico muito apegado à pessoa, fazendo com que ela se afaste de mim. Alguma dica para eu tentar lidar com isso e não me apegar assim tanto às pessoas?

    Cumprimentos

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Quando começamos a duvidar e não confiar suficientemente em nós próprios, temos dificuldade em aceitar a liberdade dos outros para gostarem ou não de nós. É muito natural que o primeiro episódio que descreve o tenha traumatizado no sentido de ter acordado dúvidas sobre si, que agora tem dificuldade em sarar deslocando a desconfiança para a sua namorada. Não é desapegando se dela que a coisa passa, mas sim apegando se mais a si, aceitando se por inteiro. É aconselhável procurar ajuda psicológica, porque esses sintomas podem conduzir ao delírio de ciúme e dão cabo de qualquer relação ao fim de certo tempo. independentemente da pessoa de quem gostar (a pessoa pode mudar, mas o seu mau estar ao fim de um tempo com uma namorada que verdadeiramente lhe interesse, volta outra vez) . Cuide de si quanto antes ou corre o risco de arrastar esse problema consigo .


  • Bom dia, depois de conversar com uma colega com a qual tenho muitas semelhanças psicológicas sobre o

    Bom dia, depois de conversar com uma colega com a qual tenho muitas semelhanças psicológicas sobre os meus problemas ela partilhou comigo que tem défice de atenção. Pesquisei o assunto e tenho sérias suspeitas de que possa ser o meu caso, e até o do meu pai. Tenho receio de não ser levada a sério por não ter sido diagnosticada em criança. A que tipo de profissional se deve recorrer neste caso, a um psicólogo ou a um psiquiatra? Há especialistas a reconhecer estes sintomas no adulto?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Os psicólogos clínicos podem diagnosticar o défice de atenção.
    Há que ter cuidado com esse diagnóstico, pois nem sempre a falta de atenção ou dificuldade de concentração (são diferentes, mas podem estar ambas presentes) correspondem a um défice, pois podem ser apenas o outro lado do treino a dar atenção a várias coisas... Ou, pelo contrário o hábito de querer fugir de prestar atenção. É necessário avaliar em que circunstâncias se verifica e não verifica, pois muitas vezes são questões emocionais não (ou mal) resolvidas que causam essas dificuldades.


  • tentei suicídio ano retrasado, e des do ano passado venho pensando em contar para a minha mãe, não a

    tentei suicídio ano retrasado, e des do ano passado venho pensando em contar para a minha mãe, não acho necessario mas isso não sai da minha cabeça, deveria contar?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa noite,
    O mais importante será falar com um psicólogo/psicoterapeuta. O psicoterapeuta verá se necessita também de consultar um psiquiatra para que seja prescrita alguma medicação. Poderá falar com o psicoterapeuta sobre vontade, receios, vantagens e inconvenientes de contar á sua mãe e analisarem essa opção em conjunto. É fundamental que procure ajuda. Se para a ter necessita de contar a sua mãe, então conte. Se não, procure primeiro e depois decide. Cuide de si.


  • O que fazer para tratar o meu medo de sexo? Obrigada!

    O que fazer para tratar o meu medo de sexo? Obrigada!

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    O medo de sexo pode estar relacionado com o medo do acto em si (o que pode acontecer, esperar, fazer, não fazer, etc) ou /e com o medo de vulnerabilidade e intimidade emocional. Em qualquer dos casos deve consultar um psicólogo, preferencialmente especialista em sexologia e psicoterapia. Não adie a procura de ajuda, pois as coisas dificilmente se resolverão por si só, além de que está a perder uma forma de se relacionar melhor consigo e com os outros, e uma fonte de prazer. Bom trabalho.


  • Bom dia, Pretendo o vosso contacto para expor a situação do meu filho de 4 anos, que foi detectad

    Bom dia,

    Pretendo o vosso contacto para expor a situação do meu filho de 4 anos, que foi detectado um distúrbio invasivo de desenvolvimento. Nos encontramos em Angola e pretendemos nos deslocar a Portugal para marcarmos as consultas.

    Obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Penso que quem fez em Angola o diagnóstico, deverá indicar lhe o caminho a seguir. Sugiro que comece por uma consulta de desenvolvimento infantil, ou seja pediatria do desenvolvimento. A partir daí o pediatra recomendará o que considere mais indicado.


  • Como saber se é mais acertado recorrer a um psicólogo ou a um psiquiatra?

    Como saber se é mais acertado recorrer a um psicólogo ou a um psiquiatra?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Independentemente da necessidade, ou não, de consulta psiquiátrica, a intervenção psicológica é sempre fundamental.
    Concordo com o colega acima quando recomenda a procura de o psicólogo, (se possível psicoterapeuta). Se considerar eventualmente necessária algum tipo de medicação, esse profissional recomendará que consulte também um psiquiatra.


  • Ola boa noite! Em junho devido a uma situação de trabalho junto com algumas outras situações não mui

    Ola boa noite! Em junho devido a uma situação de trabalho junto com algumas outras situações não muito esclarecidas na vida, tive uma depressão.
    Fui acompanhada por uma psiquiatra e ainda estou a ser medicada. Já estou a trabalhar por ter ido a uma junta medica em setembro. Foi me diagnosticado uma depressão grave. Neste momento sinto me em baixo muitas vezes.
    A minha questão é a seguinte.
    Psiquatra ou psicólogo? Gostava de deixar a madicaçao.
    Boa noite . obrigado.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    De facto há alturas na vida que trazem ao de cima coisas mal resolvidas e que nenhuma medicação resolve... Em qualquer depressão a psicoterapia (psicologia) é fundamental. Nas depressões mais graves é necessária medicação, que deve ser feita durante algum tempo e não deve ser abandonada sem acompanhamento médico. Evidentemente que a psicoterapia se torna ainda mais importante quando se inicia um processo de desmame da medição. Por isso continue com o acompanhamento psiquiátrico, mas inicie quanto antes um processo psicoterapêutico. Acredite em si e na sua capacidade de olhar a sua vida de uma nova forma, esse trabalho é psicológico e para o fazer necessita de ajuda de um profissional. Não adie a ideia de agarrar a sua vida da melhor forma.


  • Tenho um amigo em prisao domiciliaria. A pessoa em questão aguarda julgamento. O que pode levar mese

    Tenho um amigo em prisao domiciliaria. A pessoa em questão aguarda julgamento. O que pode levar meses ou até anos. Refiro que a pessoa é inocente mas estava no local errado à hora errada e sendo assim será julgada como os restantes presentes no local por falta de provas concretas... Neste momento a pessoa encontra-se desmotivada, desanimada, constantemente em baixo, com muita ansiedade e insonias.. esta a se tornar agressiva fria e a se isolar. Não querendo contacto com pessoas mesmo que sejampróximas ou familiares. Afastando-as e sentindo culpa pelo sofrimento que lhes causa pela situação em que está. Não aceita apoio de ninguém e não recorre a ajuda psicológica. Esta a tentar através de leitura de livros ter autocontrolo sobre as emoções dela. Ou seja esta numa luta interior que quer lutar sozinha... respeito-a. Mas isolando-se desta forma e com toda a mudança de comportamento, tenho medo que se suicide... que posso fazer para ajudar a pessoa neste momento? Que conselhos posso dar para ajudar no controlo da ansiedade que assombra à meses esta pessoa enquanto aguarda algo decisivo na sua vida? Obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Uma das coisas que pode fazer, já fez que é respeitar. A outra, é a que também está a tentar fazer, ajudar respeitando.
    Sugiro que partilhe as suas preocupações com ele. Que respeite as suas decisões e que lhe diga que os livros de autoajuda podem ser úteis, mas raramente suficientes. Pois ele, mais do que nunca precisa duma visão técnica competente externa a ele próprio, que não o julgue, mas dialogue iluminando caminhos que ele está incapaz de ver, num trabalho psicológico competente. É possível ter consultas online que seriam uma ajuda preciosa. Ainda que seja culpado não é motivo para desistir de nada. Deve dar se novas oportunidades. Se não é, está a agir como se fosse. Não se combate a injustiça, sendo injustos connosco próprios. Isso só dá mais poder a injustiça.


  • De forma a confirmar a existência de um Transtorno obsessivo-compulsivo, a que especialidade se deve

    De forma a confirmar a existência de um Transtorno obsessivo-compulsivo, a que especialidade se deverá recorrer em primeiro lugar, psicologia ou psiquiatria?

    Obrigado.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Ambos podem fazer esse diagnóstico. Se apenas pretende ajuda de medicação procure um psiquiatra. Se pretende perceber causas e modificar formas de agir, procure um psicólogo. Nos casos mais graves o ideal é a combinação de ambos. Qualquer dos profissionais pode recomendar que consulte o outro. Escolha alguém e cuide de si.


  • Olá. Tenho quase a certeza que tenho tdah, juntamente com depressão e ansiedade. Depois de ler e

    Olá.
    Tenho quase a certeza que tenho tdah, juntamente com depressão e ansiedade.
    Depois de ler e pesquisar bastante parece que defice de atenção não tem cura e terei que tomar medicação para o resto da vida, é verdade ? Tenho 21 anos e estou completamente perdido, não trabalho nem estudo e não sei o que quero seguir como carreira profissional. Mudo várias vezes de hobbies, digo e faço coisas de forma compulsiva, sou muito esquecido, bastante desorganizado e preguiçoso, e tudo o que seja tarefas ou coisas que não gosto é muito dificil concentrar. Consigo passar horas a ver filmes ou a jogar, mas lembro-me quando estudava que não conseguia começar a estudar, distraí-me sempre com alguma coisa. É mesmo muito dificil para mim começar alguma tarefa ou fazer algo que eu não gosto. Também tenho uma imaginação bastante vivida e estou sempre a imaginar coisas durante o dia. Também tenho muita pouca paciência, tudo me irrita.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    o seu auto diagnóstico é apenas uma entre muitas possibilidades. Compreendo a sua dificuldade e o seu desânimo ao sentir-se perdido. Mas receio que o diagnóstico não lhe dê as respostas para o que o atormenta, nem para as dúvidas que tem. Se tivesse facilidade em concentrar-se em que é que decidiria fazê-lo? A ansiedade e depressão podem não ser mais do que fruto de uma série de emoções que o impedem de agir e não a razão de não o fazer (tal como o déficit de atenção) Proponho que pense seriamente em fazer psicoterapia para se conhecer e perceber e poder decidir ser o realizador da sua vida, e não uma vítima de um diagnóstico e eventualmente de medicação que pode nem se quer ser necessária, e, caso seja, não tomará decisões por si, apenas poderá facilitar a saída de uma certa inércia que possa estar a sentir. Não procure fora o que está dentro. Peça ajuda psicoterapêutica. Boa viagem ao centro de si.


  • Procuro alguém com experiencia no apoio a sintomas de ansiedade gerados pelo consumo de substancias

    Procuro alguém com experiencia no apoio a sintomas de ansiedade gerados pelo consumo de substancias prejudiciais (THC). Eu normalmente não uso e quando usei foram só 5 dias. Mas reagi mal, muito mal, aprendi a lição, nunca mais cometo o mesmo erro!

    Já passou um mês desde o incidente e vejo poucas melhoras nos sintomas fisicos.

    Gostava de saber se posso ter esperanças em resolver isto em 3 ou 4 meses? Ou em media quanto tempo demora?

    Eu sei que cada caso é um caso e nunca vou poder saber qual a duração da minha recuperação mas nos foruns da internet só encontro historias de horror de situações identicas que demoram mais de um ano a recuperar...

    Sei que que é complicado falar em duração, mas insisto pois é importante para mim, em media (que sei que não se aplica ao meu caso mas sim uma media de outros casos identicos que já tiveram) quanto tempo demora a recuperação?

    Muito obrigado!

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    A psicoterapia é fundamental, uma vez que o consumo já deverá ter tido como motor, pelo menos a algum nível, a ansiedade. Claro que a substância exacerbou sintomas que agora você reconhece mais facilmente e o assustam resultando, por sua vez, em maior ansiedade. Não duvido que com algumas sessões de psicoterapia se sentirá bem melhor, uma vez que podem ser trabalhadas causas e estratégias para os sintomas de forma simultânea.


  • Sofro de ansiedade (com muitos sintomas fisicos diarios) desde o inicio do ano, ja tive várias crise

    Sofro de ansiedade (com muitos sintomas fisicos diarios) desde o inicio do ano, ja tive várias crises de pânico este ano. Já experimentei algumas terapias alternativas, e até hipnose mas tudo sem efeito.
    A medicação para mim é mesmo a minha última opção. Que aconselham para a cura da ansiedade que não passe pela medicação?!
    Obrigado

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    A ansiedade é a sua arma para lidar com a sua vida. Para que tal não necessite dela, há que encontrar novas formas. Aconselho psicoterapia, uma vez que nada o irá curar, a não ser o seu empenho em encontrar e desenvolver alternativas na maneira de ver e agir sobre a realidade ajudado por algumas estratégias que poderá adoptar. A psicoterapia ajudá-lo-á a percorrer esse caminho.


  • Como posso saber se sou trans ? Devo procurar um psicólogo primeiro pra ter certeza ?

    Como posso saber se sou trans ? Devo procurar um psicólogo primeiro pra ter certeza ?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Gostaria de perceber a resposta (e a necessidade de a dar) da Prof. Dra, que, no mínimo, me parece invalidante da pergunta.
    Quanto a pergunta, você só precisa de procurar um psicólogo se achar que necessita de se compreender melhor e de perceber porque sente o que sente e como pode agir. Independentemente do problema. Sendo um problema de identidade de gênero e eventualmente de orientação sexual, recomendo um psicólogo se possível psicoterapeuta especialista em sexologia.


  • gosto de fazer xixi na fralda e andar de chupeta isto pode ser sintoma?

    gosto de fazer xixi na fralda e andar de chupeta isto pode ser sintoma?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Respondendo directamente à sua questão. Sim, pode ser um sintoma. Para mais será necessário avaliar outros aspectos, pois só por si, como referiram os colegas acima, se tal não lhe causa mau-estar nem aos que o rodeiam, não se constitui como um problema.
    Se tem outras questões que lhe causam incómodo estes comportamentos podem estar associados a essa questão e fazer parte de um todo.


  • Bom dia, Foi-me diagnosticada Personalidade Borderline com a ajuda de testes psicológicos após vári

    Bom dia,
    Foi-me diagnosticada Personalidade Borderline com a ajuda de testes psicológicos após vários anos de indefinição e indecisão por parte do corpo clínico dada a dificuldade compreensível na interpretação desta perturbação. O psiquiatra aconselhou terapia psicodinâmica, tendo em conta que "a raiz pode estar na infância" (sic). Acontece que não sinto que tenha uma personalidade borderline muito marcada (situação corroborada tanto pelo psiquiatra como pelo psicólogo avaliador), no entanto reconheço que me causa algumas dificuldades, nomeadamente estabilidade profissional ou autoconfiança com uma certa sensação de incapacidade. Qual poderá ser o prognóstico com a terapia psicodinâmica e o que poderei esperar da mesma?
    Muito obrigado.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Bom dia,
    Tenho pena que esteja há anos à procura de um diagnóstico. Na realidade, mais importante do que o diagnóstico é o seu sentir e a sua vontade de o fazer, pelo que é melhor começar.
    A investigação tem mostrado que não é o modelo do terapeuta, nem o diagnóstico, mas sim a relação terapeutica que predizem os melhores resultados. (Estavamos mal, se apenas os psicoterapeutas psicodinâmicos olhassem para a infância...). Sendo assim, sugiro que procure um psicoterapeuta (por exemplo atravé do directório do site da Ordem dos Psicólogos Portugueses), procurando num local a que tenha fácil acesso (embora actualmente muitos terapeutas apenas estejam a trabalhar online) olhando para o CV, e comprometendo-se com o processo. O prognóstico depende da relação que se estabelecer e do grau de compromisso que tiver com o processo, uma vez que a terapia implica o seu envolvimento activo. Tal como num ginásio não basta pagar a inscrição e passar por lá... é necessário praticar assiduamente, numa psicoterapia, não basta pagar e ir, é necessário estar disposto a olhar para dentro, para o passado, para o presente, e assumir escolhas livres e responsáveis. O prognóstico depende de muitos destes fatores, da sua história, e dos seus objectivos com a terapia.
    A Psicoterapia não é algo que alguém lhe vai fazer (como uma massagem ou um comprimido que se espera que actue), mas sim um caminho que você e o psicoterapeuta irão construindo, a direcção é sua, os conhecimentos técnicos são do profissional que será o guia e apoio nesse caminho. A esperança é fundamental, desejo-lhe uma boa viagem para dentro de si.


  • Boa noite, já há muitos anos (mais de 10) que sofro com depressão, ansiedade e quando fiz 18 anos fo

    Boa noite, já há muitos anos (mais de 10) que sofro com depressão, ansiedade e quando fiz 18 anos foi-me diagnosticado Transtorno de Personalidade Borderline. Desde os meus 17 anos que não consigo fazer quase nada: desisti dos estudos, não consigo manter um trabalho e passo os dias em casa, muitas das vezes sem conseguir sequer sair da cama para fazer o que quer que seja. Estou farta de estar assim, por vezes tenho crises em que não consigo parar de chorar, sinto muita raiva e tenho pensamentos suicidas. Tomo medicação, já passei por vários psicólogos, psiquiatras e até hipnoterapeutas e nada ajudou, principalmente porque acabo por sentir ansiedade e desisto das consultas, assim como aconteceu com os estudos e trabalho. Não consigo mais viver assim, pensei que uma boa opção seria o internamento pois assim teria horários (coisa que não tenho), terapia que não podia deixar de frequentar como tem vindo a acontecer. Penso que uma intervenção mais intensiva pudesse levar a melhoras. Tenho medo que qualquer médico/psicólogo vá dizer-me que não e eu vou continuar como já estou para sempre. Como devo proceder em relação a isto do internamento? Devo falar com que tipo de profissional de saúde?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Verifico que já percebeu que necessita de regular as suas emoções e acções, no fundo, a sua vida. Mas não sei se não estará demasiado zangada consigo própria por não o conseguir, e quer consegui-lo à força, com internamento. Não digo que esse não seja um caminho possível e de certa forma mais fácil, porque terá um controlo da instituição, mas o primeiro passo terá de ser o seu compromisso consigo, sem zanga, sem pressa de grandes resultados rápidos, mas com certeza de pequenos avanços, que tornarão depois tudo mais fácil no futuro.
    Aconselho um bom psicoterapeuta, que eventualmente recomendará um psiquiatra, (para clarificação de diagnóstico e verificação de necessidade de medicação e/ou alterações da mesma) , mas, sobretudo comprometa-se consigo, não abandone a terapia nem se abandone ou desista de si. Seja a sua melhor cuidadora, e, para isso, necessita de ajuda de um bom psicoterapeuta. Felicidades.


  • Boa tarde. Qual a diferença entre "burnout" e depressão?

    Boa tarde.
    Qual a diferença entre "burnout" e depressão?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde, Do ponto de vista psicológico o burnout corresponde a uma sensação de esgotamento que ocorre quando percepcionamos que não temos capacidades (recursos) para fazer face à situação presente e provavelmente futura, ou seja uma sensação de cansaço intenso (físico e/ou psicológico) sem fim à vista. A depressão resulta de tristezas várias sistematicamente não vividas e zangas não vividas e transformadas em mais tristezas já sem se vislumbrarem as causas gerando igualmente incapacidade, ou capacidade diminuída de funcionamento, bem como também a falta de esperança em si, no presente e no futuro. As situações de burnout não tratadas podem conduzir a depressão, uma vez que se interioriza mais uma sensação de desesperança. Ambas, necessitam de acompanhamento psicoterapêutico, e por vezes, sobretudo na depressão, de medicação. É fundamental não adiar o tratamento nem arrastar as situações sem intervir, pelo menos ao nível psicológico.


  • Boa noite! Do ponto de vista clínico, qual é a importância do arrependimento, do reconhecimento de

    Boa noite!

    Do ponto de vista clínico, qual é a importância do arrependimento, do reconhecimento de uma culpa real ? Como isso ajuda na saúde física de uma pessoa ? Como um ato errado não confessado ( oculto ) pode trazer problemas físicos ? Quais problemas seriam esses ?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    A culpa ao nível físico pode manifestar se de muitas formas, dependendo das suas fragilidades, só como exemplo, insónias , úlcera, problemas de pele etc etc. É muito importante trabalhar com um psicólogo a questão que o aflige de modo a regular a sua responsabilidade, enquadrando a culpa de forma a que esta o deixe de "morder" vivendo cada emoção dum modo mais saudável, permitindo - lhe continuar a sua vida e aceitar-se por inteiro.


  • Olá a todos. Tenho 43 anos. Quando tinha 25 anos foi-me diagnosticado crises de pânico. Graças a Deu

    Olá a todos. Tenho 43 anos. Quando tinha 25 anos foi-me diagnosticado crises de pânico. Graças a Deus depois de medicado, as crises foram perdendo a força e até acabaram mas passei a ter Transtorno de Ansiedade Generalizada.
    A medicação que faço desde então, ou seja, há 17 anos, nunca foi interrompida. Tomo Alprazolam 2x 1mg (libertação modificada) - Lyrica 2x 100 mg e Escitalopram 20mg ao pequeno almoço e 10 mg ao jantar.
    Já fiz psicoterapia várias vezes, Mindefulness, Reiki e posso dizer que andei por outros caminhos dentro de religiões na procura da minha paz interior e vencer os sintomas associados à doença.
    Tenho notado que há cerca de 3 anos o meu apetite sexual vem a diminuir drasticamente e um retarda muitíssimo a ejaculação. Fui há dois dias a um urologista porque comecei a ter desconforto após a ejaculação e foi me dito que o Escitalopram pode ser o causador disto.
    A minha pergunta é: depois do que relatei, com a continuação da ansiedade, com o problema sexual e todos estes anos de toma da medicação (porque nunca me foi retirada.. foram sendo alteradas doses, substituindo por outros medicamentos, etc.) é possível dentro deste quadro um desmame, mesmo que longo, da medicação?
    Estou com coragem para o fazer mas não sei até que ponto posso ir devido a estes anos todos de medicação. Estou tão cansado de tomar comprimidos e só vejo o meu cérebro a falir e o corpo.. Desculpem o texto enorme mas também pode servir de informação a outras pessoas e até, quem sabe enriquecer o conhecimento. Grato pela atenção.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

     Cristina Marreiros da Cunha

    Boa tarde,
    Como refere são muitos anos de medicação, mas também de mau estar, agravado recentemente, com a questão sexual. Sem uma avaliação da situação é difícil dar lhe uma resposta, o que lhe posso dizer é que para iniciar um desmame, mesmo que lento, não o deverá fazer sem controlo médico, naturalmente, mas sobretudo sem retomar um processo psicoterapêutico sério e empenhado. Há concerteza uma série de sentires que não foram suficientemente trabalhados, nem foram encontradas novas formas de olhar a sua realidade interior e exterior de modo a sentir se mais apaziguado, ora, se iniciar o desmame antes de fazer face a essas questões, vai piorar a sua ansiedade. Se tem vontade, mergulhe em si, procure ajuda de um bom psicoterapeuta. Força.


Perguntas frequentes

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