Perguntas do paciente (45)

  • Boa tarde, Sofro de ansiedade há alguns anos, o desbloqueio para esta ansiedade foi quando trabalhe

    Boa tarde,
    Sofro de ansiedade há alguns anos, o desbloqueio para esta ansiedade foi quando trabalhei num banco de investimento muitas horas e sob muito controle e dormia pouco e aí comecei a sentir ataques de ansiedade que parecia que ia desmaiar, algo do género o meu cérebro a tentar desligar... entretanto melhorei passei a tomar o sedoxil em sos o que fazia sentir muito bem! Entretanto casei e engravidei e voltei a sentir estas ataques de ansiedade com tonturas e sensacao de desmaio posso tomar sedoxil?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Boa tarde. O que descreve é muito compatível com um quadro de ansiedade com manifestações físicas intensas — sobretudo essa sensação de “desligar”, tonturas, sensação iminente de desmaio, tensão acumulada após longos períodos de stress e privação de sono. Muitas pessoas vivem isso em silêncio durante anos e acabam por sentir medo do próprio corpo.

    O Sedoxil pode aliviar temporariamente os sintomas em SOS, mas durante a gravidez é importante avaliar com cuidado qualquer medicação, mesmo aquelas que anteriormente lhe fizeram sentir melhor. Há situações em que determinados fármacos podem ser usados, outras em que preferimos alternativas mais seguras ou estratégias diferentes.

    A boa notícia é que estes quadros costumam melhorar bastante quando conseguimos atuar cedo — regulando o sono, reduzindo a hiperativação física da ansiedade e escolhendo o tratamento adequado para esta fase da sua vida. Muitas grávidas passam por um aumento importante da ansiedade, sobretudo quando já existia uma vulnerabilidade anterior.

    O mais importante agora é não entrar no ciclo de medo dos sintomas (“vou desmaiar”, “algo grave vai acontecer”), porque isso acaba por alimentar ainda mais as crises.

    Aconselhava uma avaliação psiquiátrica cuidada e tranquila, para perceber exatamente:

    se estamos perante ansiedade/pânico;
    se existe exaustão emocional acumulada;
    como está o sono;
    e qual a opção mais segura para si e para o bebé nesta fase.

    E, acima de tudo, transmitir-lhe uma coisa importante: aquilo que está a sentir tem tratamento e não significa fraqueza nem perda de controlo. Muitas vezes o cérebro apenas chega ao limite após demasiado tempo em esforço silencioso.


  • Boa tarde. Tenho tido crises de ansiedade e costumo tomar Victan,quando os sintomas agravam,dou-me m

    Boa tarde. Tenho tido crises de ansiedade e costumo tomar Victan,quando os sintomas agravam,dou-me muito bem. O neurologista passou-me o Escitaloparm e Xanax para cerca de duas semanas(enquanto o primeiro m faz efeito). Disse que o Victan só deve ser tomado em sos. Nunca tinha tomado Xanax e não gostei do efeito,muita sonolência. Será que posso,substituir Xanax pelo Victan? Obrigada

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Boa tarde. Sim, em algumas situações o Victan pode ser uma alternativa mais confortável para certas pessoas do que o Xanax, sobretudo quando existe demasiada sonolência ou sensação de “corpo pesado” com o alprazolam. Cada organismo reage de forma diferente às benzodiazepinas, e há doentes que toleram muito melhor umas do que outras.

    No entanto, como já iniciou Escitalopram recentemente, convém haver alguma prudência nos primeiros dias, porque é precisamente nessa fase inicial que a ansiedade pode oscilar mais até o antidepressivo começar realmente a estabilizar o sistema nervoso.

    O mais sensato será não fazer a troca por iniciativa própria sem informar o médico que a acompanha, até porque:

    é importante perceber as doses exatas;
    evitar excessos de sedação;
    e garantir que não entra num ciclo de uso demasiado frequente do SOS.

    Dito isto, aquilo que descreve é muito frequente: pessoas que dizem “com o Victan sinto-me eu, com o Xanax sinto-me anestesiada”. E isso deve ser valorizado na escolha terapêutica.

    A parte positiva é que o Escitalopram, quando começa a fazer efeito, costuma reduzir bastante essa necessidade constante de SOS e devolver uma sensação de estabilidade mais duradoura — menos picos de ansiedade, menos medo dos sintomas físicos e mais tranquilidade ao longo do dia.

    E tente não desanimar com estes ajustes iniciais. Na ansiedade, encontrar a medicação certa é muitas vezes um processo de afinação fina, muito individual.


  • O meu psiquiatra dobrou a dose de 50mg para 1oomg há dez dias que o tomo e sinto efeitos colaterais

    O meu psiquiatra dobrou a dose de 50mg para 1oomg há dez dias que o tomo e sinto efeitos colaterais é normal?Há certas coisas que se enraizadam na mente e demoram dias a irem embora é normal

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Boa tarde. Sim, isso pode acontecer e é relativamente frequente após aumentar a dose de um antidepressivo, sobretudo nos primeiros dias ou primeiras 2–3 semanas. Quando se sobe de 50 mg para 100 mg, o cérebro precisa novamente de um período de adaptação química, e nessa fase podem surgir ou intensificar-se alguns efeitos colaterais: maior ansiedade, sensação de cabeça “presa”, pensamentos mais repetitivos, tensão interna, alterações do sono, náuseas, tonturas ou uma sensação estranha de não conseguir “desligar” certas ideias.

    E aquilo que descreve — “há certas coisas que ficam enraizadas na mente e demoram dias a ir embora” — também é muito típico dos estados ansiosos e depressivos. O cérebro fica mais hiperfocado nas preocupações, nas sensações físicas ou em pensamentos negativos, como se tivesse dificuldade em largar determinados circuitos mentais. Não significa que esteja a piorar irreversivelmente ou a “perder o controlo”. Muitas vezes é precisamente o sistema nervoso ainda em fase de reorganização.

    O importante costuma ser perceber:

    se os sintomas são suportáveis e estão gradualmente a estabilizar;
    ou se estão a tornar-se demasiado intensos, incapacitantes ou diferentes do habitual.

    Na maioria dos casos, o organismo vai acomodando a nova dose ao longo das semanas e a tendência é existir mais estabilidade emocional depois dessa fase inicial.

    Muitas pessoas desistem demasiado cedo porque interpretam estes dias de adaptação como sinal de que “a medicação faz mal” ou “não resulta”. E, curiosamente, várias vezes é exatamente depois dessa fase mais desconfortável que começam finalmente a sentir alívio, menos ruminação mental e mais serenidade interior.


  • Boa tarde, queria tirar uma dúvida importante. A minha psiquiatra receitou-me Sertralina (para a mi

    Boa tarde, queria tirar uma dúvida importante.
    A minha psiquiatra receitou-me Sertralina (para a minha ansiedade/depressao)
    Estou no segundo dia e cada vez tenho mais pensamentos negativos, e não consigo dormir durante a noite (por isso do Victan)
    Mas tive a ler a bula do Victan e apresenta como efeitos colaterais pensamentos suicidas.
    Juntando aos problemas psicólogicos que estou a ter e aos pensamentos que tenho todos os dias, é o melhor medicamento para dormir?
    E não existe nenhuma medicação que ataca mais rapidamente a minha depressão?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Boa tarde,
    A sua dúvida é muito pertinente — e compreendo a preocupação ao ler a bula do medicamento.

    O início de um antidepressivo como a sertralina pode, nas primeiras semanas, causar algum agravamento temporário da ansiedade ou do desconforto emocional, antes de começar a fazer efeito. Por isso, é habitual o/a médico/a associar um ansiolítico como o Victan nos primeiros dias — não para tratar a depressão diretamente, mas para ajudar a controlar os sintomas até que o antidepressivo atue, o que costuma acontecer ao fim de 2 a 4 semanas.

    É verdade que qualquer psicofármaco, inclusive o Victan, menciona o risco de pensamentos suicidas — mas isso é uma advertência geral, aplicável a muitos medicamentos psiquiátricos e não significa que o medicamento vá causá-los. Aliás, a insónia mal controlada também pode agravar pensamentos negativos, pelo que tratá-la com segurança é fundamental.

    Se os pensamentos estiverem a tornar-se mais intensos, é essencial contactar a sua médica assistente o quanto antes, para ajustar a medicação e garantir que se sente acompanhada. Existem outras opções terapêuticas, inclusive fármacos de ação mais rápida, que podem ser considerados — mas devem ser sempre escolhidos caso a caso.

    Não está sozinha. Com o acompanhamento certo, há sempre caminhos de melhoria.
    Desejo-lhe serenidade e coragem neste processo.


  • Estou tomando Cloxazolam 1 mg todas as noites para ansiedade e também uso Escitalopram regularmente.

    Estou tomando Cloxazolam 1 mg todas as noites para ansiedade e também uso Escitalopram regularmente. Recentemente, me foi prescrito Fluconazol para tratar uma infecção fúngica. Gostaria de saber se há alguma interação entre esses medicamentos, especialmente entre o Cloxazolam, o Escitalopram e o Fluconazol. Tenho histórico de problemas na vesícula, mas fora isso, não tenho outras condições relevantes. Posso tomar todos esses medicamentos juntos com segurança? É necessário algum ajuste de dose ou acompanhamento específico

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá!
    A sua pergunta é muito pertinente — e mostra responsabilidade em verificar possíveis interações antes de iniciar novos medicamentos.

    O fluconazol é um antifúngico que pode interagir com diversos fármacos ao nível hepático, pois inibe enzimas envolvidas no metabolismo de muitos medicamentos, incluindo alguns psicofármacos.

    Tanto o cloxazolam como o escitalopram têm metabolismo hepático, e em teoria, o fluconazol pode aumentar ligeiramente os seus níveis no organismo, o que poderá intensificar efeitos sedativos ou, mais raramente, aumentar o risco de efeitos adversos (como sonolência, confusão ou alterações do ritmo cardíaco, sobretudo se houver outros fatores de risco).

    No entanto, em muitos casos, a associação pode ser feita com segurança, sobretudo se:

    o uso do fluconazol for pontual ou de curta duração,

    não houver outras medicações envolvidas,

    e o paciente estiver clinicamente estável.

    Não é habitual haver necessidade de ajuste de dose, mas recomenda-se acompanhamento médico durante esse período, especialmente se notar algo diferente como sonolência excessiva, tonturas ou alterações no humor.

    Se tem historial de problemas na vesícula, isso não interfere diretamente com esta interação, mas é sempre bom manter o médico informado de tudo o que estiver a tomar.

    Desejo-lhe rápidas melhoras!


  • Bom dia, eu tomo Paroxetina aurovitas à quase 2 meses. E o meu médico novo diz para eu fazer o desm

    Bom dia, eu tomo Paroxetina aurovitas à quase 2 meses.
    E o meu médico novo diz para eu fazer o desmame para deixar de tomar porque não tenho depressão e deu-me uns suplementos para ajudar no processo é seguro ?
    A Paroxetina foi receitada pela médica de família e este outro doutor disse que só tenho medos não depressão

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Bom dia,

    A Paroxetina é um antidepressivo frequentemente prescrito para quadros de ansiedade, medos intensos (fobias, por exemplo) e também depressão. A decisão de iniciar, manter ou descontinuar este tipo de medicação deve ser sempre individualizada, considerando o diagnóstico correto, o histórico clínico e os sintomas atuais.

    Se o novo médico avaliou que o seu quadro não corresponde a uma depressão, mas sim a um transtorno de ansiedade, e propôs um desmame gradual com apoio de suplementos, isso pode ser uma abordagem válida — desde que feita com vigilância médica adequada.

    O mais importante é que se sinta segura, acompanhada e que o processo de suspensão da medicação seja feito de forma progressiva e sem precipitação, para evitar recaídas ou efeitos adversos.

    Em caso de dúvida, não hesite em pedir uma segunda opinião com um especialista em Psiquiatria.

    Cumprimentos,
    Dr. Jorge Mota Pereira
    Médico Psiquiatra 43691


  • O transtorno de ansiedade generalizada pode dar de vez em quando 15 dias de diarreia? máximo 3 evacu

    O transtorno de ansiedade generalizada pode dar de vez em quando 15 dias de diarreia? máximo 3 evacuações por dia

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá! Sim, é possível. O transtorno de ansiedade generalizada pode, em algumas pessoas, manifestar-se através de sintomas físicos persistentes, incluindo alterações gastrointestinais como diarreia leve e frequente. O sistema digestivo está muito ligado ao sistema nervoso, e não é raro que estados de tensão prolongada afetem o ritmo intestinal.

    Apesar de ser uma manifestação comum, é sempre importante excluir outras causas médicas — sobretudo se os sintomas persistirem ou forem muito desconfortáveis. A boa notícia é que, quando a ansiedade começa a ser tratada de forma eficaz, estes sintomas tendem a melhorar significativamente.

    Não hesite em procurar ajuda: há soluções e, acima de tudo, não está sozinho/a nisto.

    Um abraço de tranquilidade.


  • Eu estava a tomar victan mas não me dou muito bem com o medicamento posso antes tomar Diazepam 5mg

    Eu estava a tomar victan mas não me dou muito bem com o medicamento posso antes tomar Diazepam 5mg

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Tanto o Victan como o diazepam pertencem à classe das benzodiazepinas, utilizados para tratar ansiedade, tensão e outros sintomas associados. No entanto, apesar de terem efeitos semelhantes, não são diretamente intercambiáveis sem uma avaliação médica.

    O Victan é frequentemente escolhido por poder ter uma ação ansiolítica com menor sedação em muitos pacientes, enquanto o diazepam pode ter um efeito mais prolongado, com maior risco de sonolência e interferência nas tarefas do dia a dia.

    Se o Victan não está a funcionar bem ou está a causar efeitos indesejados, o ideal seria conversar com o seu médico, pois há vários fatores a considerar antes de mudar: o seu histórico clínico, outras medicações em uso, padrão de sono, possíveis dependências anteriores, entre outros.

    Em muitos casos, o desconforto com uma medicação pode ser resolvido com ajuste da dose, escolha de outra molécula ou até com abordagens complementares (como psicoterapia ou estratégias comportamentais). É um processo que deve ser personalizado com cuidado.


  • Boa tarde, Aos meus 15 anos sofri de bullyng na escola, e a minha médica de família recomendou-me

    Boa tarde,

    Aos meus 15 anos sofri de bullyng na escola, e a minha médica de família recomendou-me paroxetina 20mg e cloxam 1 mg, passado um tempo passou-me victan em sos.

    Neste momento tenho 32 anos, a minha ansiedade está bastante elevada, tendo tido ataques de ansiedade, passando a tomar diariamente o victan.
    Qual dos medicamentos deveria ser alterado? O Cloxam já me disseram que não é o mais indicado, está correta esta afirmação?
    Obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Obrigado pelo seu testemunho — muitos adultos continuam a sofrer os efeitos prolongados de traumas da adolescência, como o bullying, e é importante reconhecer isso com respeito e cuidado.

    Relativamente à sua medicação: a paroxetina é um antidepressivo da classe dos ISRS, eficaz no tratamento da ansiedade crónica e perturbações do pânico. No entanto, ao longo dos anos pode haver necessidade de rever a sua eficácia ou tolerabilidade, sobretudo se os sintomas estão novamente a agravar-se.

    O Cloxam e o Victan (mexazolam) são ambos benzodiazepinas — utilizados para controlo da ansiedade, mas recomendados apenas por curtos períodos ou em SOS, devido ao risco de habituação e tolerância. O uso diário e prolongado, como descreve com o Victan, deve ser reavaliado, pois pode manter um ciclo de dependência e não resolver a raiz da ansiedade.

    Dizer que o Cloxam "não é o mais indicado" pode ser verdade em muitos contextos, mas depende sempre do caso clínico, das doses, e da duração do tratamento. O mais importante é ter uma reavaliação psiquiátrica atualizada para perceber se está a ser medicada da forma mais eficaz e segura. Muitas vezes é possível introduzir outras abordagens, farmacológicas ou não, que devolvam maior autonomia e bem-estar a quem vive com ansiedade há tantos anos.


  • Sofro com ansiedade e pensamentos em loop sempre sobre o mesmo tema. Iniciei ha 1 mes e meio 1 xanax

    Sofro com ansiedade e pensamentos em loop sempre sobre o mesmo tema. Iniciei ha 1 mes e meio 1 xanax xr de manhã e 1 cipralex 10mg mas não noto melhorias na frequencia destes pensamentos. A medicação ja deveria ter feito algum efeito ou ainda é cedo? Tambem sou acompanhada por um psicólogo. Obrigada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá! Antes de mais, obrigado por partilhar o que está a sentir — nem sempre é fácil falar de ansiedade, e esse passo já é um sinal de força.

    O Cipralex costuma começar a mostrar efeitos mais claros entre as 4 e as 8 semanas, mas quando os pensamentos se mantêm em loop, pode ser necessário ajustar algo — na dose, na combinação ou mesmo na abordagem terapêutica.

    É importante perceber que cada pessoa responde de forma única, e por vezes é mesmo preciso afinar com delicadeza para encontrar o que funciona melhor. Já acompanhei muitos casos semelhantes ao seu em que, com pequenas mudanças, conseguimos melhorias rápidas e significativas.

    Ainda bem que tem o apoio de um psicólogo — a conjugação entre psicoterapia e medicação, quando bem ajustada, costuma dar bons frutos.

    Se sentir que precisa de uma reavaliação mais individualizada, vale sempre a pena procurar reavaliação no seu médico. Há caminhos — e há formas de aliviar esse ciclo de pensamentos que hoje tanto a desgasta.


  • Sofro de despersonalização e desrealização e queria um psiquiatra que intervenha nessa área

    Sofro de despersonalização e desrealização e queria um psiquiatra que intervenha nessa área

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá! A despersonalização e a desrealização são sintomas intensos que podem surgir em contextos de ansiedade, trauma ou perturbações do pânico. Muitas pessoas descrevem-nos como uma sensação de estarem desligadas de si ou da realidade — e isso pode ser profundamente perturbador.

    Apesar de difíceis, há formas eficazes de intervir, tanto ao nível medicamentoso como psicoterapêutico. A experiência clínica tem mostrado que, com o acompanhamento certo, é possível recuperar estabilidade, clareza e bem-estar.

    Se está à procura de alguém com sensibilidade e conhecimento nesta área, vale a pena marcar uma consulta para uma avaliação cuidada.
    Desejo-lhe serenidade e esperança neste caminho.


  • Boa noite. Estou há 3 anos com a mesma psiquiatra, que me diagnosticou depressão grave, que teima e

    Boa noite.
    Estou há 3 anos com a mesma psiquiatra, que me diagnosticou depressão grave, que teima em não melhorar. São muitos anos de desespero.
    Já tomei fluoxetina, brintelix,alprazolam, triticum.. Nada resultou. Neste momento tomo Efexor e Brupopion. Ao longo desta terapeutica, e ao longo destes anos a par de todos estes medicamentos a médica tem receitado sempre lamotrigina( ao almoço e ao jantar e a quetiapina para dormir. Pesquisei e esta terapeutica é para
    Ajudar a tratar transtorno Bipolar ligados à fase de depressao, mas não é indicada para Depressão unipolar.
    Por favor preciso muito de ajuda, de uma opinião sobre se esta medicação é ou não adequada ou pode estar a atrapalhar ainda mais a minha depressão. Depressão não passa estou de cama desde Dezembro e nem a higiene ou manter uma rotina consigo fazer e manter. Nao consigo sair de casa. Estou muito desesperada e desacreditada, pois durante estes 3 anos nenhum antidepressivo acompanhados destes dois ultimos medicamentos fez efeito algum ou com muito pouca relevância. Estou a perder completamente a esperança e a fé numa vida minimamente funcional. :'( Grata desde já.
    Cordialmente, Ana

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá, Ana.
    A sua mensagem transmite um nível de dor e exaustão profunda que merece ser escutado com todo o respeito.

    Quando alguém está há tanto tempo a sofrer, sem resposta adequada à medicação, é natural que surjam dúvidas, frustrações e uma sensação de desamparo — e o que está a sentir é legítimo.

    Sobre a medicação: é verdade que lamotrigina e quetiapina são fármacos frequentemente usados no transtorno bipolar, sobretudo nas fases depressivas. No entanto, em casos de depressão resistente ou refratária, alguns psiquiatras utilizam estas estratégias — mesmo em depressões unipolares — como potenciadores ou reguladores do humor.
    Ainda assim, quando não há resposta clara ao fim de 3 anos, é fundamental reavaliar o diagnóstico, as combinações, as doses, e até o contexto global do tratamento.

    Estar acamada, sem conseguir manter a higiene ou sair de casa, não é um estado que se deva aceitar como permanente. Existem novas abordagens, esquemas alternativos e, acima de tudo, formas diferentes de olhar para a mesma dor.

    Às vezes, o que faz diferença não é mudar de medicamentos, mas mudar de perspetiva clínica.

    Mesmo quando parece que já se tentou tudo, há mais caminhos do que parece.
    Desejo-lhe, com sinceridade, que encontre alguém que a escute com tempo, reavalie consigo cada detalhe, e a ajude a reencontrar forças — passo a passo.

    Não desista de si.


  • Boa tarde eu ja sofro de depressão há alguns anos devido a perda de um filho e estou a tomar fluximi

    Boa tarde eu ja sofro de depressão há alguns anos devido a perda de um filho e estou a tomar fluximina. A três semanas tive um acidente de trabalho onde fiquei pressa com a cabeça na maquina foi muito tempo pedir socorro. Não consigo desligar me do acontecimento . Comecei tomar o victan junto com fluxamina , a minha medica de familia diz tomar em sos. Será que é muito forte so quero estar na cama.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Boa tarde.
    Lamento profundamente pela perda do seu filho e pelo acidente traumático que viveu — são experiências que deixam marcas profundas no corpo e na mente.

    É natural que, depois de algo tão intenso como um acidente em que se sentiu presa, assustada e vulnerável, surjam sintomas difíceis de controlar: medo, revivência do momento, exaustão, vontade de se isolar. Não está a exagerar — está a reagir como qualquer ser humano poderia reagir.

    A fluvoxamina é um antidepressivo eficaz em muitos casos, e o Victan, usado em SOS, pode ajudar a controlar a ansiedade de forma mais imediata. Mas quando há este grau de sofrimento e uma sensação de que "só quer estar na cama", pode ser sinal de que a abordagem precisa de ser ajustada com mais proximidade clínica.

    O que sente tem nome, tem explicação — e, felizmente, tem tratamento. Mesmo quando parece que nada alivia, há sempre espaço para melhorar .

    Desejo-lhe força e serenidade neste momento tão sensível. O mais importante é que já começou a pedir ajuda. E isso é um passo precioso.


  • Olá! Eu não tenho esquizofrenia, mas tenho epilepsia desde pequenino. Há cerca de 7 anos atrás devid

    Olá! Eu não tenho esquizofrenia, mas tenho epilepsia desde pequenino. Há cerca de 7 anos atrás devido a não ter comparecido no tribunal o juiz decidiu que eu devia ir para a ala psiquiatra e desde aí que tomo a injeção.
    Nunca tive surto de esquizofrenia, mas tomo injeções mensais. Quanto á epilepsia á muito tempo que não tenho nada,desde a minha adolescência. E estou com 38 anos.
    A minha questão é a seguinte: há algum prazo para deixar de levar a injeção de vez? O enfermeiro que me segue falou uma vez por alto que já faltava pouco tempo, mas não específicou nada. Já vão 6 anos, eu tenho uma vida perfeitamente normal e não entendo o porque de continuar a fazer a injeção. Apesar de ter epilepsia, está tudo bem. tomo medicação para isso e não bebo álcool. Tenho carta de condução e tudo. É que as injeções dão cabo dos meus braços. Costumava ir anualmente ao psiquiatra mas agora nunca mais me disseram nada.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá, obrigado pela partilha.
    Percebo bem a sua dúvida — é natural que, ao sentir-se estável e funcional há tanto tempo, queira entender melhor o motivo da continuidade da medicação injetável.

    As injeções mensais que refere são, em geral, antipsicóticos de longa duração. Estes são utilizados sobretudo em quadros de perturbação psicótica (como a esquizofrenia), mas também em situações clínicas específicas, por vezes relacionadas com decisões judiciais, comportamentos anteriores ou riscos avaliados na altura.

    É possível que a decisão de manter a medicação tenha sido tomada com base em critérios clínicos válidos — mesmo que agora, anos depois, tudo pareça tranquilo.
    Por isso, o mais indicado será agendar uma nova avaliação psiquiátrica, não para interromper por iniciativa própria, mas para que possa ser feita uma reavaliação cuidada, atual e responsável da sua situação.

    O seu bem-estar e estabilidade são um bom sinal. E a sua pergunta mostra que está atento e disponível para continuar a cuidar de si — o que é sempre positivo.

    Desejo-lhe tudo de bom e que encontre, com quem o acompanha, a clareza de que precisa.


  • Tenho muito medo de andar de avião. Os meus batimentos ficam fortes o tempo todo, e fico com falta d

    Tenho muito medo de andar de avião. Os meus batimentos ficam fortes o tempo todo, e fico com falta de ar. Foi me indicado Victan. Será que ele realmente irá me ajudar a controlar a ansiedade na próxima viagem?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá! O medo de voar é muito mais comum do que se imagina — e o que descreve, com batimentos acelerados, falta de ar e tensão constante, corresponde a uma resposta ansiosa real do corpo, mesmo que o risco seja baixo.

    O Victan é um ansiolítico leve, que costuma ser bem tolerado, e em muitos casos ajuda a reduzir os sintomas físicos da ansiedade em situações como viagens de avião. Deve ser tomado com a dose e antecedência indicadas pelo seu médico — geralmente pouco tempo antes do voo.

    No entanto, para algumas pessoas, além da medicação, pode ser útil associar técnicas simples de respiração, distração cognitiva ou até exercícios de visualização positiva.

    Cada caso é único, mas sim — com a preparação certa, é possível voar com mais calma e segurança interior.

    Desejo-lhe uma boa viagem, com mais tranquilidade e menos medo.


  • Troquei paroxetina por escitalopram e sinto dor no intestino. E normal? Comecei a tomar escitalopram

    Troquei paroxetina por escitalopram e sinto dor no intestino. E normal? Comecei a tomar escitalopram 10mg há 10 dias. Tenho SII. É normal isto acontecer?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá!
    Sim, é possível que a troca da paroxetina pelo escitalopram cause algum desconforto gastrointestinal, especialmente nos primeiros dias. Ambos são antidepressivos da mesma família (ISRS), mas têm perfis ligeiramente diferentes — e o sistema digestivo é muito sensível a estas alterações, sobretudo em pessoas com Síndrome do Intestino Irritável (SII).

    A dor intestinal pode ser uma reação transitória, comum nas primeiras semanas, à adaptação do organismo à nova medicação. No entanto, se o desconforto for muito intenso ou persistente, vale a pena rever com o médico assistente se:

    a dose está ajustada,

    há interação com outros fármacos ou alimentos,

    ou se será necessário fazer alguma correção.

    É sempre importante manter vigilância — mas, na maioria dos casos, esses sintomas tendem a melhorar com o tempo.

    Desejo-lhe melhoras rápidas e tranquilidade neste processo de adaptação.


  • Estou já há alguns meses, mais ou menos uns 8 meses, a tomar fluvoxamina e sinto sono e cansaço extr

    Estou já há alguns meses, mais ou menos uns 8 meses, a tomar fluvoxamina e sinto sono e cansaço extremo.
    É normal?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá!
    A fluvoxamina é um antidepressivo , e um dos efeitos secundários mais comuns no início é mesmo a sonolência e o cansaço. No entanto, estes efeitos costumam diminuir ao fim das primeiras semanas.

    Se já passaram cerca de 8 meses e continua a sentir esse cansaço extremo, é importante reavaliar. Pode estar relacionado com:

    a dose atual do medicamento,

    o horário da toma,

    interações com outros fármacos,

    ou até com a própria depressão, que por vezes se manifesta com fadiga persistente.

    Há sempre formas de ajustar — seja mudando o esquema, o horário ou optando por alternativas com perfil mais estimulante.

    Vale a pena conversar com o seu médico. Não tem de viver com esse peso todos os dias.
    Força neste caminho — e continue a cuidar de si.


  • Boa tarde. Foi-me prescrita Desvenlafaxina na dose mais baixa. 1. Qual a diferença entre Desvenlafax

    Boa tarde. Foi-me prescrita Desvenlafaxina na dose mais baixa. 1. Qual a diferença entre Desvenlafaxina e Venlafaxina? 2. Por que razão só foi comercializado agora em Portugal? 3. Como é que atua na dose mínima? 4. E quais são os efeitos secundários ? 5. É adequado para quem NÃO tem depressão major mas está a atravessar um período de ansiedade somatizada?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Boa tarde!
    Agradeço as suas perguntas — são pertinentes e revelam uma preocupação legítima em compreender melhor o tratamento prescrito. Vamos por partes:

    1. Qual a diferença entre Desvenlafaxina e Venlafaxina?
    A Desvenlafaxina é o principal metabolito ativo da Venlafaxina. Ou seja, é a forma que o corpo produz depois de transformar a venlafaxina — mas aqui, já “pronta a atuar”.
    Por isso, tende a ter absorção mais previsível, menos variações individuais e, em alguns casos, melhor tolerância.

    2. Por que razão só foi comercializada agora em Portugal?
    A desvenlafaxina já é usada há vários anos noutros países (como os EUA), mas só recentemente foi aprovada e lançada comercialmente em Portugal. As razões envolvem questões regulatórias, de mercado e patentes, e não estão ligadas à eficácia ou segurança do medicamento em si.

    3. Como atua na dose mínima?
    Mesmo em dose baixa, a desvenlafaxina atua como inibidor da recaptação da serotonina e noradrenalina (duplo efeito). Pode ter ação ansiolítica, reguladora do humor e até algum efeito analgésico em casos com sintomas físicos associados à ansiedade.
    Naturalmente, os efeitos podem ser mais subtis na dose mínima — mas em alguns pacientes, é suficiente para estabilizar o sistema nervoso.

    4. Quais são os efeitos secundários?
    Podem incluir náuseas, tonturas, boca seca, alterações do sono ou da libido, e sudorese.
    No entanto, muitas pessoas toleram bem, sobretudo em doses baixas.
    Se surgirem efeitos incómodos, vale a pena discutir com o médico — porque há sempre espaço para ajustar.

    5. É adequado para ansiedade somatizada sem depressão major?
    Sim, pode ser. Embora tenha como indicação principal a depressão major, tem sido utilizado com bons resultados em quadros de ansiedade generalizada, ansiedade com sintomas físicos (somatização) e até em estados de stress prolongado.
    Cada caso deve ser avaliado individualmente, mas o uso fora da indicação principal (off-label) é algo comum e válido quando há bom julgamento clínico.

    Desejo-lhe serenidade e confiança no processo. Perguntar e procurar entender é sempre um bom sinal de quem está a cuidar verdadeiramente de si.


  • Olá, tenho quase 30 anos e vivo como se ainda fosse adolescente. Já fiz os exames do secundário três

    Olá, tenho quase 30 anos e vivo como se ainda fosse adolescente. Já fiz os exames do secundário três vezes e mudei de curso quatro vezes, apesar de ter desejado mudar mais vezes. Não tenho responsabilidades, porque sempre que as tenho esquivo-me e não as consigo cumprir com qualidade - falo de faculdade, emprego, até mesmo reunir-me com grupos de amigos. É-me muito difícil fazer amigos e sinto que sou manipulador quando o faço, pois só me interessa ficar amigo de pessoas que têm elevado estatuto social na sua área profissional. Para além disso, usei os amigos que tinha para que por osmose adquirisse as qualidades deles, por sempre me considerar inferior. No secundário sinto que parei de crescer porque não permiti-me explorar, em vez disso eu queria construir-me enquanto pessoa indo numa direcção muito estreita e restrita: basicamente, eu só poderia conquistar o direito a existir se fosse bom em alguma coisa, se tivesse algum talento ou qualidade. Custa-me a admitir mas julgo os outros pelo mesmo critério. Hoje em dia sei que pessoas que sabem amar e fazer os outros sentirem-se bem também são importantes, mas quando era mais novo achava mesmo que só quem tira boas notas ou é profissional num desporto ou é dedicado a um hobby ao ponto da profissionalização é que valia a pena existir. Devido a acções nefastas que tomei, como falar mal de outras pessoas, vivo em constante paranóia de ser descoberto. O problema é que a toda a hora vejo pessoas a fazerem o mesmo e ainda assim mantêm amigos e grupos sociais. Perdi imensos amigos porque não aguentava mais manter a máscara de que estava tudo bem - é como se a pessoa que me obriguei a ser durante a adolescência finalmente cedesse e eu não aguentasse mais continuar a crescer naquela direção. Antes disto eu tinha problemas sociais mas nada demais e conseguia ir convivendo com colegas de turma de forma casual, mas ter amigos de extrema confiança sempre me foi difícil, porque sinto que tenho um demónio dentro de mim e não quero que as pessoas o saibam, por isso finjo ser boa pessoa e muito preocupado com os outros, mas na verdade só tenho um desejo violento de ser aceite e validado. Por fim, todos os dias vivo com pensamentos obsessivos sobre se serei narcissista, ou borderline, ou sociopata, ou esquizotípico, ou obsessivo-compulsivo, bipolar, etc. Vivo obcecado com rótulos de doenças mentais porque sei que se passa algo de fundamentalmente errado comigo e não o consigo curar. Não me resta entusiasmo para viver quando todos os dias tenho uma cassete na cabeça que me diz que sou a pior pessoa do mundo. Evito relacionamentos íntimos porque não consigo relacionar-me com ninguém. Eu sou uma pessoa que não existe, não tenho convicção nas minhas crenças, apesar de ser muito auto-crítico e escrutinador, não me sinto uma pessoa real e completa. Se me deixarem sozinho durante horas eu provavelmente vou para a internet ler fóruns sobre doença mental de forma obsessiva, a tentar relacionar-me com alguém, a tentar encontrar uma explicação para os meus problemas. Se me chateio com alguém uma vez eu nao vou atrás, espero que venham atrás de mim, e se não vierem, por muito que goste das pessoas, deixamos mesmo de nos dar. Isto causa-me ansiedade e depressão a um nível extremo. Eu tentei orientar a minha vida para me desinteressar de seres humanos e apenas querer estudar ou trabalhar, mas nem isso consigo fazer (ser produtivo) porque estou sempre a odiar-me na minha cabeça, e sinto que isso é merecido. Fantasio muitas vezes com suicídio porque está a ficar insuportável viver desta forma. Sonho também em ser internado num hospital psiquiátrico, onde possa tentar recuperar, porque não consigo ter uma vida normal - ver séries, filmes, ler livros, fazer desporto, atividades sociais, estudar - sem os meus pensamentos tomarem conta de mim e me lembrarem de que tudo o que fiz na vida contribui para uma imagem de mim que me agonia e é muito negativa, mas que corresponde à realidade. Eu não vivo de acordo com os meus valores. E tenho problemas de auto-imagem e problemas no que concerne à aceitação do meu corpo, já que não sou convencionalmente atraente. Tento ir para o ginásio mas desmotivo-me sempre que a minha vida social começa a melhorar, depois sinto que ja me posso focar noutra coisa e que não é tao importante ser atraente para ter pessoas interessadas em mim e que posso ser atraente por ler certos livros ou ver certos filmes, etc. Bem, estou muito em baixo com isto tudo. Mal saio de casa e não consigo ter entusiasmo para tarefas dentro de casa, tipo atividades solitárias. Só queria que os meus pensamentos negativos obsessivos desligassem, mas depois sinto-me culpado se isso acontece porque sinto que mereço torturar-me e que é melhor torturar-me mentalmente do que relacionar-me e fazer mal aos outros (não é meu hábito mas as pessoas afastam-se de mim por algum motivo). Sou muito neurótico e depressivo. Se alguém leu até aqui, obrigado, agradeço imenso. Se tiverem algo a dizer sobre o tipo de ajuda que seria mais relevante, ou qual transtorno de personalidade posso ter, agradeço também.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira

    Olá, antes de mais, obrigado pela sua partilha — é difícil colocar tanto em palavras, e ainda assim fá-lo com uma clareza e coragem notáveis.

    O que descreve — confusão de identidade, sentimento de inadequação, sofrimento com a autoimagem, pensamentos obsessivos, retraimento social, e sensação de não estar a viver uma vida real — é mais comum do que imagina, embora cada caso seja sempre único.

    Não é preguiça, nem falha de caráter. É sofrimento psicológico profundo. E o mais importante: é tratável.

    Existem abordagens psiquiátricas e psicoterapêuticas que ajudam a acalmar essa voz crítica interior, a aliviar a ansiedade e a depressão, e a reconstruir uma noção de valor pessoal mais justa e possível.

    É natural que esteja à procura de um diagnóstico — porque quando o sofrimento não tem nome, parece ainda mais assustador. Mas mais importante do que um rótulo, é ter alguém que o acompanhe sem julgamentos, e que o ajude a encontrar o caminho de volta a si próprio.

    O passo mais difícil já foi dado: reconhecer que precisa de ajuda.
    Agora, é tempo de ser escutado com respeito, profissionalismo e humanidade.
    Não está sozinho.


  • Fazia tratamento com a sertralina por um 1 ano e meio devido crises de ansiedade, no primeiro mês ti

    Fazia tratamento com a sertralina por um 1 ano e meio devido crises de ansiedade, no primeiro mês tive efeitos colaterais e agora, com o desmame orientado pela minha médica estou há dias sentindo uma espécie de vertigem, uma sensação estranha no corpo, quanto tempo esses sintomas somem depois que para de tomar o remédio???

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Doutor Jorge Mota Pereira


    Olá!
    É relativamente comum surgirem sintomas como vertigens, sensação de desequilíbrio ou desconforto corporal durante o processo de descontinuação da sertralina — especialmente após um uso prolongado.

    Estes sintomas fazem parte do que chamamos de síndrome de descontinuação dos antidepressivos. Normalmente, aparecem nos primeiros dias após a redução ou suspensão e tendem a ser temporários, durando geralmente entre alguns dias e duas a três semanas, embora a duração possa variar de pessoa para pessoa.

    Apesar de desconfortáveis, não são sinais de recaída nem de algo grave. Com orientação médica adequada e alguma paciência, o organismo costuma ajustar-se.

    Se os sintomas forem muito intensos ou persistirem mais do que o habitual, vale a pena reavaliar com o médico que acompanha o caso — há sempre estratégias para tornar essa transição mais suave.

    Desejo-lhe uma recuperação tranquila e o regresso ao equilíbrio em breve.


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