Perguntas do paciente (4)
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Boa tarde estou a pensar por uma situação com a minha filha 22 anos separou se e veio viver comigo a
Boa tarde estou a pensar por uma situação com a minha filha 22 anos separou se e veio viver comigo agora me trata mal não quer trabalhar só quer sair e tá levar a outra irmã de 19 anos que me chamam maluca que não tenho nada a ver com a vidas delas madame calar a boca fala baixinho vai para o c.nao posso mais não sei que fazer meu companheiro já me quer deixar pois não aguenta esta falta de respeito que devo fazer
RESPOSTA DO MÉDICO:
Cara mãe,
Antes de mais, obrigada por partilhar algo tão pessoal e difícil. Parece estar a viver uma situação muito desafiante e emocionalmente desgastante, e é compreensível que esteja a sentir-se cansada, talvez até perdida sobre o que fazer.
Numa dinâmica familiar tão intensa como esta, é importante lembrar que, por mais que queiramos ajudar ou mudar o comportamento dos outros, o que realmente podemos mudar é a forma como nós próprios respondemos e nos posicionamos. Isso não significa desistir dos outros, mas sim proteger o nosso bem-estar e clarificar os nossos próprios limites.
É possível que, por trás do comportamento da sua filha, haja sentimentos de frustração, vergonha ou desorientação. Afinal, uma separação aos 22 anos pode ser vivida como um fracasso ou uma perda, e voltar para casa dos pais nem sempre é fácil — pode até ser vivido como um retrocesso. Isso não justifica qualquer falta de respeito, claro, mas ajuda-nos a compreender que há mais camadas por detrás do comportamento.
Também é compreensível que o seu companheiro se sinta desgastado. Situações como esta podem afetar profundamente uma relação. Nestes casos, a terapia de casal pode ser uma oportunidade para ambos se ouvirem, fortalecerem a parceria e pensarem juntos em como lidar com este momento tão exigente.
Talvez ajude também refletir sobre algumas questões práticas — como por exemplo: se a sua filha não está a trabalhar, como está a sustentar saídas e atividades? Às vezes, essas pequenas perguntas ajudam-nos a entender dinâmicas familiares que passam despercebidas no dia a dia.
Mas claro, tudo isto são apenas suposições. O mais importante continua a ser a comunicação. Dizer claramente como se sente, por exemplo: "Eu percebo que esta situação está a ser difícil para ti, mas também está a ser muito difícil para mim. Sinto-me desrespeitada e isso está a afetar toda a casa." Pode parecer simples, mas a verdade dita com calma tem uma força enorme.
Do que partilha, é claro que está a fazer o melhor que consegue numa situação já de si muito complicada. E só o facto de estar a procurar ajuda e pensar em tudo isto já mostra cuidado, esforço e dedicação.
Se sentir que pode ser útil, talvez uma conversa com um profissional — consigo, com o seu companheiro, ou até em família — possa abrir um espaço seguro para começar a organizar tudo isto com mais clareza e apoio.
Um abraço e muita força,
Nicole A. Santos
Psicóloga Júnior · Cédula nº 133614
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Só pessoas com transtornos mentais graves precisam de psicoterapia ?
Só pessoas com transtornos mentais graves precisam de psicoterapia ?
RESPOSTA DO MÉDICO:
É um mito muito comum pensar que só quem tem um transtorno mental grave precisa de psicoterapia. Mas, na verdade, a psicoterapia é para todos!
Todos nós passamos por momentos em que precisamos de apoio emocional — seja por ansiedade, tristeza, conflitos, decisões difíceis ou simplesmente por sentirmos que "algo não está bem". Mas o que muita gente não sabe é que a terapia também pode (e deve!) ser procurada mesmo quando está tudo bem.
Sim, isso mesmo. Às vezes, estamos numa fase tranquila, mas queremos crescer pessoalmente, fortalecer a autoestima, melhorar os relacionamentos, repensar objetivos ou apenas ter um espaço seguro onde possamos falar sem julgamentos. A psicoterapia também serve para isso: para aprofundar o autoconhecimento e fortalecer a saúde mental antes que algo pese demais.
É como fazer um check-up emocional. Assim como cuidamos do corpo com exercício e alimentação, também podemos cuidar da mente com atenção, reflexão e presença.
Psicoterapia não é sinal de fraqueza. É um gesto de coragem, amor próprio e prevenção.
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Pessoas com necessidades de saúde mental, mesmo aquelas que estão gerenciando sua doença mental, não
Pessoas com necessidades de saúde mental, mesmo aquelas que estão gerenciando sua doença mental, não podem tolerar o estresse de manter um emprego ?
RESPOSTA DO MÉDICO:
Essa é uma dúvida bastante comum, e a verdade é que não existe uma resposta única que sirva para todas as pessoas.
Pessoas com necessidades de saúde mental — incluindo aquelas que estão a gerir um diagnóstico de doença mental — podem sim trabalhar e manter um emprego, mas o que varia muito é como cada pessoa lida com o stress associado à vida profissional.
Cada um de nós tem áreas da vida onde sente mais facilidade ou mais dificuldade: para algumas pessoas, o trabalho pode ser o principal desafio; para outras, pode ser a vida social, a saúde física, os estudos ou as relações familiares. Isso não é sinal de fraqueza, é apenas a forma como a vida se organiza para cada pessoa — especialmente quando há um histórico de saúde mental a ser cuidado.
A vida, por natureza, é feita de altos e baixos. Ter momentos de maior stress e outros de maior tranquilidade é absolutamente normal. O mais importante é procurar um equilíbrio possível, respeitando os próprios limites e reconhecendo os momentos em que é preciso fazer ajustes — seja no ritmo de trabalho, na forma de autocuidado ou no tipo de apoio que se procura.
E é aí que a psicoterapia pode ser uma grande aliada. Ter um espaço para refletir sobre esses desafios, pensar estratégias e ganhar mais clareza sobre o que funciona (ou não) para si, pode fazer toda a diferença.
Com apoio, paciência e autoconhecimento, é possível encontrar caminhos saudáveis para seguir em frente — mesmo nos dias mais difíceis.
Um abraço e força,
Nicole A. Santos
Psicóloga Júnior · Cédula nº 133614
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Boa noite neste momento estou a ter com a minha esposa terapia de casal. A terapeuta já era há algu
Boa noite
neste momento estou a ter com a minha esposa terapia de casal. A terapeuta já era há algum tempo terapeuta pessoal da minha esposa.
Nas sessões conjuntas, tenho vindo a sentir que as mesmas estão a ser conduzidas de uma forma tendencial, ou seja, sinto que a terapeuta pelo facto de já conhecer os temas da minha esposa, não está a ser imparcial nas suas analises e comentários durante as sessões. Ou seja, sinto que em grande parte das sessões sou apenas eu que estou a ser analisado face ao relatado pela minha esposa à Terapeuta.
É aconselhável existir esta partilha de Terapeuta ou a a Terapeuta do casal deveria ser uma terceira pessoa com o mesmo nível de conhecimento das partes envolvidas de modo a não ser, mesmo de forma não premeditada, mas empática e tendencial com a sua paciente ?
ObrigadoRESPOSTA DO MÉDICO:
Agradeço a partilha tão honesta sobre algo que, pode estar a gerar desconforto.
O que descreve é uma preocupação muito válida — e não está sozinho. De facto, uma das diretrizes éticas mais importantes na psicologia é o cuidado com os limites da relação terapêutica, especialmente quando há envolvimento de mais do que uma pessoa.
Quando um terapeuta que já acompanha um dos membros de um casal assume também a condução da terapia conjugal, existe o risco real — mesmo que não intencional — de desequilíbrio na aliança terapêutica. Isso acontece porque, ao conhecer em profundidade apenas um lado da história, o terapeuta pode, mesmo inconscientemente, interpretar as dinâmicas conjugais com mais empatia ou compreensão por quem já acompanha individualmente.
Este é o mesmo motivo pelo qual, por exemplo, não é recomendado que psicólogos acompanhem membros da mesma família em terapia individual ou que façam psicoterapia com amigos ou pessoas próximas: a neutralidade e a imparcialidade podem ficar comprometidas, ainda que o profissional tenha a melhor das intenções.
Na terapia de casal, é essencial que ambas as partes sintam que o espaço é seguro, equilibrado e justo — e isso inclui a perceção de que o terapeuta está igualmente disponível para ouvir e compreender os dois lados, sem influências anteriores.
Nestes casos, é geralmente mais adequado que a terapia de casal seja feita com um terapeuta novo, sem ligação prévia com nenhum dos dois parceiros. Isso garante uma escuta mais neutra, uma leitura fresca da dinâmica relacional e permite que a confiança seja construída de forma equitativa.
Cuidar da relação também passa por garantir que a ajuda recebida é sentida como justa por ambos. E isso já é, por si só, um gesto de maturidade e responsabilidade emocional.
Um abraço e força,
Nicole A. Santos
Psicóloga Júnior · Cédula nº 133614
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