Perguntas do paciente (13)

  • Nos últimos anos tenho andado em alguns psicólogos e psiquiatras e nunca recebi nenhum diagnóstico p

    Nos últimos anos tenho andado em alguns psicólogos e psiquiatras e nunca recebi nenhum diagnóstico preciso. Apesar de agora estar sob medicação (escitalopram) e durante um tempo sob um estabilizador de humor e me sentir melhor, o facto de não me sentir 100% compreendida nem diagnósticada não me deixa estar descansada. No último ano tenho recorrido a vários sites e livros que me possam ajudar a compreender aquilo que sinto ez não me quero auto diagnósticar de todo, cheguei à conclusão que um transtorno de personalidade (borderline) parece descrever aquilo que sinto, nomeadamente "quite bpd".
    Tenho grande parte dos critérios para tal. Também vi que profissionais tendem a não fazer esse diagnóstico e acabam por muitas vezes dar um diagnóstico errado como ansiedade ou depressão. Até hoje nunca fui diagnosticada com nada, apenas como alguém com episódios de X. Não sei o que fazer. Procuro alguém com experiência nessa área? Deixo-me estar com o psiquiatra que tenho e os medicamentos? sei que um diagnóstico não é importante mas ajuda-nos a sentir percebidos, algo que não me sinto, de todo.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    A questão de saber o seu diagnóstico além de ser muito importante para si é um direito que terá. Enquanto psiquiatra acrescento que por vezes é necessário algum tempo para um bom entendimento da situação clínica antes de me poder pronunciar de forma clara sobre um diagnóstico. Acrescento que, por vezes há ao longo do acompanhamento situações que alteram a nossa impressão diagnóstica inicial e que tal pode acontecer devido a tratar-se de condições dinâmicas e que podem revelar novas facetas ao longo do acompanhamento clínico. Se pretende saber o seu diagnóstico penso que deve abordar esta situação com quem decidir que a acompanhará e este momento poderá mesmo ser muito importante para si e para o(a) psiquiatra no estabelecimento de uma boa aliança terapêutica que possa permitir uma recuperação plena. Desejo-lhe as melhoras.


  • A minha filha, de quase 18 anos, sofre de ansiedade há já uns 4 ou 5 anos. Só descobrimos há pouco t

    A minha filha, de quase 18 anos, sofre de ansiedade há já uns 4 ou 5 anos. Só descobrimos há pouco tempo. Chega às vezes a ter 3 ataques de pânico por dia, tem sempre pelo menos 1 e ansiedade constante que a acompanha durante todo o dia.
    Está há cerca de duas semanas a tomar um ansiolitico todas as noites e tem victan para s.o.s., tudo prescrito por uma psiquiatra duma urgência onde a levei, mas ela tem tomado 2 comprimidos victan todos os dias o que acho demais. Sendo um s.o.s., esta toma não deveria ser exporadica?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Compreendo a sua preocupação e penso ser muito importante que a sua filha seja avaliada por um(a) psiquiatra que possa reavaliar a situação e reajustar a terapêutica. O facto de ter um número muito elevado de crises de pânico e de sofrer desta situação há anos revela que a toma de medicação ansiolítica não resolve o problema por si só. A sua filha beneficiaria de fazer um tratamento estruturado baseado num medicamento que possa resolver a patologia ansiosa e não só apagá-la por algum tempo, nomeadamente a instituição de um antidepressivo adequado. Caso o(a) psiquiatra escolhido(a) tenha formação psicoterapêutica pode ainda ser muito benéfico haver uma intervenção a esse nível, podendo aprender estratégias importantes e prevenir recaídas.
    Espero ter sido útil, as melhoras da sua filha.


  • O que acontece se eu não tomar um antipsicótico todos os dias no mesmo horário?

    O que acontece se eu não tomar um antipsicótico todos os dias no mesmo horário?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    O tratamento antipsicótico deve respeitar um determinado momento do dia e beneficia de obedecer a um padrão constante, isto é por volta da mesma hora ou momento do dia. Assim, além de permitir uma maior estabilidade do ponto de vista de distribuição do medicamento no organismo também evita esquecimento de uma toma o que prejudica o tratamento e o prognóstico de evolução da doença.


  • Bom dia, Gostaria de saber se a hipnoterapia pode ser eficaz para doentes com depressão e transtorn

    Bom dia,
    Gostaria de saber se a hipnoterapia pode ser eficaz para doentes com depressão e transtornos de ansiedade incluindo ataques de pânico?
    Há alguma terapia recomendada que não inclua a toma de antidepressivos e ansiolíticos?

    Obrigada

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Boa tarde, embora não privilegie essa abordagem na minha prática clínica poderá trazer algum benefício clínico sobretudo nos doentes mais sugestionáveis. Relativamente ao tratamento, dependendo do caso em concreto e da avaliação do mesmo em consulta, pode-se tratar uma depressão ou problemas de ansiedade com recurso a psicoterapia em exclusivo. A vantagem de recorrer a medicação é uma maior celeridade no processo e ser mais fácil poder intervir do ponto de vista psicológico. Acresce que a terapia medicamentosa em exclusivo também poderá não ser a melhor resposta na prevenção de recaída destas patologias.
    Assim, o uso combinado de medicação e psicoterapia melhora o prognóstico clínico.


  • Doença de Alzheimer

    Boa tarde
    Gostaria de saber o que fazer com uma senhora com doença de Alzheimer, com ataques de heteroagressividade e raiva para com os familiares, alucinações e delírios e recusa na toma de medicação?
    Sendo que a última opção seria mesmo o internamento/ institucionalizaçao da mesma?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Boa tarde, a questão que coloca é muito frequentemente colocada pelos familiares de doentes com demência. Há que compreender qual o diagnóstico e a fase da doença pois as estratégias mudam consoante a fase e também o contexto especifico em que surgem as maiores dificuldades dos familiares.
    Sou da opinião de adiar a institucionalização o mais possível pelo facto de tal acelerar o processo demencial, havendo até estudos que demonstram uma eventual diminuição da sobrevida nestas situações.
    No entanto é absolutamente essencial gerir as alterações de comportamento de forma aos familiares poderem manter o seu papel de cuidadores. Quando há recusa de tomar a medicação deverá ser instituído um plano terapêutico com medicação sob a forma de gotas ou solução oral que facilitam a administração das mesmas e em geral permitem uma estabilização do doente.
    As alterações do plano terapêutico devem sempre ser sujeitas a uma avaliação médica prévia.


  • Alcoolismo

    Boa noite. Gostaria de saber de que modo é feita a sua abordagem a um doente que sofre de alcoolismo crônico?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Além da excelente exposição dos restantes colegas relativamente ao tratamento médico específico do alcoolismo e à importância do acompanhamento psicoterapêutico simultâneo, não poderia deixar de salientar a necessidade de abordar a pessoa no seu todo e na busca dos mecanismos intrapsíquicos e vulnerabilidades que possam conduzir a esta situação de alcoolismo prevenindo assim recaídas futuras. Nesse sentido a minha abordagem privilegia a pessoa no seu contexto e o relacionamento de confiança que possamos estabelecer como ponto fulcral.


  • Transtorno Bipolar

    Foi-me detectada bipolaridade a quase dez anos...quando tinha apenas dezanove.. na altura estive internada duas semanas para perceberem qual a medicação mais adequada.. mas sinceramente o que mais fiz nessas duas semanas foi dormir pois não tinha ânimo nem vontade de sair da cama... Disseram-me que tinha bipolaridade afectiva... será que esse termo existe? A minha dúvida eh que será que precisarei de alterar a mediação? Pois o meu estado mantém-se... só quero dormir e só me sinto bem na cama... só indo para o trabalho porque tem mesmo de ser pois preciso do dinheiro... mas estou a destruir a minha vida e por consequente o que me rodeia... obrigada pela atenção eh só mais um desabafo

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    O termo usado é doença afectiva bipolar. Se sente muita sonolência e dificuldades em gerir o seu dia-a-dia provavelmente estará a necessitar de um ajuste de terapêutica. Deve ser reavaliada de forma a poder falar com um psiquiatra sobre os sintomas e se poderá ou não ter essa doenca e também encontrar um acompanhamento que permita ir reequilibrando a terapêutica.
    Também pode beneficiar de um acompanhamento psicoterapêutico após estabilização clínica.


  • Boa tarde, Fiz uso do escitalopram 20 mg durante mais de 2 anos. Há cerca de 3 semanas parei o medic

    Boa tarde, Fiz uso do escitalopram 20 mg durante mais de 2 anos. Há cerca de 3 semanas parei o medicamento ( mas nas duas semanas antecessoras fiz o desmame). Agora faz 3 dias que voltei a introduzir a medicação por ordem médica e começei com a dose de 5 mg. No entanto tenho tido dificuldades para dormir, sintoma esse que não me lembro se passei por ele da primeira vez. É normal só ter passado 3 semanas e voltar a ter efeitos colaterais da medicação?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Ter sintomas na reintrodução da medicação é normal, em geral irá melhorando de forma gradual até se tornarem imperceptíveis. Numa fase transitória poderá recorrer a um ansiolítico para repor os níveis de ansiedade e poder ter um sono repousante. Se for previsível ter de tomar medicação para o sono por um período alongado será melhor introduzir medicação que possa ter um perfil mais adequado é que não cause habituação ou dependência.


  • Será normal desde que tomo a venlafaxina nunca mais consegui sentir prazer sexual?

    Será normal desde que tomo a venlafaxina nunca mais consegui sentir prazer sexual?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Boa tarde, a informação enviada é escassa poderá ser uma fase inicial que se possa ir esbatendo ou ser dependente da dosagem de venlafaxina, por vezes reduzindo melhora a função sexual sem perda de eficácia antidepressiva. No entanto deve discutir a situação com o(a) psiquiatra assistente por haver outras alternativas possíveis sem impacto na esfera da sexualidade.


  • Um dos meus país tem um bocado problemas de controlo de raiva. Por muito que sinta que sou contra

    Um dos meus país tem um bocado problemas de controlo de raiva.
    Por muito que sinta que sou contra isso e que não queira mesmo ser igual, eu mesma às vezes parece que sinto que vou sofocar com toda a raiva e ansiedade que sinto. Ando a fazerde tudo para conseguir controlar o que às vezes sinto, uma raiva que nem consigo bem explicar o porquê de aparecer.
    Gostava de tentar experimentar terapia, mas não sei que tipo de terapia ou a que tipo de especialista deveria ir, será que me podem ajudar?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Bom dia, o primeiro passo é de facto admitir esse problema depois é essencial ser avaliado em consulta para se compreender a situação em pleno. Beneficiaria muito provavelmente de psicoterapia, aconselho a terapia cognitiva-comportamental de forma a ter ganhos mais rápidos, mas além da psicoterapia poderá necessitar de ser medicado para controlo da raiva e gestão das emoções pelo que seria recomendável procurar consulta de psiquiatria, de preferência com um(a) psiquiatra que tenha formação em psicoterapia.


  • A minha avo tem 72 anos e vive em constante preocupação com vários sintomas de ansiedade. Acho que s

    A minha avo tem 72 anos e vive em constante preocupação com vários sintomas de ansiedade. Acho que sofre de GAD. Ha algo a fazer nesta idade avançada? Tenho a certeza que ela nao quer fazer psicoterapia por isso é só a questão medicamentosa ja que ela toma victan, muitas vezes dois por dia mas mesmo assim esta a sofrer. Antidepressivos são recomendados nesta idade?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Bom dia, a sua avó não só pode como merece ser tratada de forma a usufruir de uma vida tranquila e funcional.
    Deverá ser avaliada em consulta de psiquiatria é feito despiste de condições médicas que possam precipitar estes sintomas.
    Relativamente, ao tratamento farmacológico deverá apenas usar doses adequadas à idade, condição física e tendo em conta o perfil de efeitos secundários, podendo ter franca melhoria clínica.


  • Tenho uma predisposição genética para engordar, sempre fui muito gordo quando era criança até que pe

    Tenho uma predisposição genética para engordar, sempre fui muito gordo quando era criança até que perdi 35kg com dieta e exercício! Agora para manter o peso é muito difícil e tenho sempre cuidado com a alimentação. Recentemente entrei numa crise de ansiedade e a psicoterapia sozinha não esta a resultar o que me leva a pensar em antidepressivos mas tenho muito medo de engordar com a sua toma. O que acham?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Bom dia, de facto a dieta e o acompanhamento psicoterapêutico poderão ser complementados com tratamento farmacológico caso se verifique após avaliação em consulta poder haver benefícios.
    Quanto aos efeitos secundários ao nível do peso, actualmente existem antidepressivos que não só não contribuem para aumentar o peso como até podem contribuir para perder peso.


  • Como lidar com uma pessoa que quer

    Como lidar com uma pessoa que quer ficar so no escuro esta com medo de tudo?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Ana Silva Pinto

    Esse tipo de sintomas enquadra-se-á num muito provável quadro depressivo grave e sendo assim necessitará de ser avaliado numa consulta de psiquiatria por poder beneficiar muito de ser introduzida medicação antidepressiva de forma a poder retomar o funcionamento prévio.
    Parece-me que também pretendia algum aconselhamento de como lidar com essa pessoa que suponho lhe será próxima.
    Penso que deve procurar estar com ela, de uma forma empática e não crítica, mas procurando estimular a pessoa a participar da vida familiar e a sair do quarto/domicílio mesmo que por períodos curtos. Procure compreender que se trata de uma doença e que a pessoa necessita de sentir-se aceite e compreendida.


Perguntas frequentes

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