Tenho o diagnóstico de doença

Tenho o diagnóstico de doença bipolar. Gostava de saber se há alguma forma de me curar de gastos excessivos, que é o único sintoma, que eu não tenho conseguido controlar??

8 respostas


Pode haver mais que uma razão para os gastos excessivos, assim sendo, é fundamental que esse comportamento deva ser discutido com o seu médico psiquiatra.


Os gastos excessivos podem ser uma resposta a ansiedade excessiva e /ou a outras problemáticas psicológicas. Com um diagnóstico de doença bipolar deve ser seguida por um psiquiatra, deverá falar com ele sobre isso e ponderar a possibilidade de fazer também psicoterapia.


Tendo em conta o diagnóstico, deverá ser acompanhada/o por um médico psiquiatra, a par com a psicoterapia. Esta última irá ajudá-lo/a a identificar os sinais de aparecimento dos episódios depressivos e maníacos, aumentando a estabilidade do humor. Através da psicoterapia poderá também receber ajuda no controlo de impulsos, regulando assim os gastos excessivos que refere, juntando uma intervenção cognitiva, emocional e comportamental.


Como sabe o transtorno bipolar é uma doença que altera as emoções de tal forma que pode levar a que a vida da pessoa se altere, conduzindo à perda das ligações familiares e sociais, ao divórcio, à perda do trabalho e ao sofrimento do próprio doente e da sua família. Esta patologia deve ser tratada com fármacos e com psicoterapia simultâneamente, para que o doente volte a ter qualidade de vida, ele e a sua família. Aconselho a fazer psicoterapia, pois através do diálogo acerca das suas emoções é que se vai aprendendo a identificar quando se aproxima de cada fase (depressão/ euforia). Como a fase da euforia é o que mais o preocupa, é importante que aprenda a identificar quando se aproxima desta fase para que possa arranjar estratégias para reduzir ou mesmo evitar gastos excessivos.


O problema com os gastos excessivos é que funcionam como um reforço de si mesmos, pelo prazer que dão. Mesmo que esteja controlada a euforia, pode ficar, não a vontade de gastar dinheiro ou comprar coisas, mas de sentir o prazer de as adquirir. Modificar este comportamento significa, por si só, uma opção ilógica pois terá de abandonar algo que lhe dá prazer e trocá-lo por algo banal; o que exige estoicismo e capacidade de sacrifício. A existência de um objectivo (eg. poupar dinheiro para umas férias, pagar estudos a um filho, etc) poderão servir de motivação. Assumir esse compromisso com alguém (eg, conjuge, filho) ajuda a reforçar o comportamento. Nalguns casos, um bom 'coaching' profissional é fundamental. Farmacologicamente, é preconizada a utilização de fármacos que interferem com o sistema da recompensa (como alguns fármacos usados por toxicodependentes) mas implicam alguma despesa, a sua utilização regular, e enfrentar o estigma de usar esses fármacos.


O tratamento passar por psicoterapia combinada com psiquiatria.


Tratando se de alterações comportamentais, é essencial complementar com Psicoterapia o acompamento Psiquiátrico que pelo que percebi já existe.

Dr. João Fernando Martins

Dr. João Fernando Martins

Especialista em Medicina Legal

Porto

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Deve conversar com o seu psiquiatra, para que este encontra a medicação mais ajustada a sua situação , assim como iniciar um acompanhamento psicoterapêutico, afim de melhorar este seu comportamento.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.