Boa tarde. A minha esposa foi diagnosticada com Bipolaridade. Neste momento, o que mais nos preoc
Boa tarde. A minha esposa foi diagnosticada com Bipolaridade. Neste momento, o que mais nos preocupa é a dificuldade em manter um sono contínuo e reparador. Está medicada com paroxetina, risperidona pois encontra-se numa fase depressiva. Antes de se deitar, toma 2 lorenin e 1 kainever mas não consegue dormir mais de 4 ou 5 horas e acorda extremamente exausta e frustrada. Existe alguma razão para que esta medicação não faça o efeito desejado?
2 respostas
Importa distinguir a doença bipolar I da bipolar II. Na tipo I durante a evoluçào surgem quadros de mania franca com insónia persistente e sintomas delirantes de grandeza e místicas. Na do tipo II podem existir períodos de hipomania mas as depressões são mais frequentes e de grau major. No tipo I não está indicado o antidepressivo. No II, sim na fase depressiva. No seu caso o que realça é o tratamento da insónia só com hipnosedativos (lorenin e kainever). Estes fármacos "enganam" porque perdem o efeito em pouco tempo, o doente vai aumentando a dose e o fundo depressivo com o tempo aumenta. Fale com o seu médico e inicie ao deitar a quetiapina 25 MG ( que pode aumentar até obter efeito). Este fármaco é mais sedativo do que a Risperidona que pode manter durante o dia em dosagem adequada. Dos hipnosedativos proponho que faça apenas o lorazepam (aumente a dose no início para poder suspender o kainever). Entretanto fale com o seu médico sobre estas propostas na medida em que o ajuste da medicação e supervisão da resposta ao tratamento deverá ser efetuado por ele.
Boa tarde. A insónia persistente, mesmo com medicação, é uma queixa comum nas fases depressivas da perturbação bipolar — e pode ser um dos sintomas mais difíceis de gerir, tanto para o paciente como para a família. A paroxetina, apesar de ser um antidepressivo, nem sempre é a melhor escolha em contextos bipolares, pois pode interferir com a estabilidade do humor, e em alguns casos, não ajuda a dormir — ou até causa fragmentação do sono. A risperidona, por outro lado, pode ajudar em alguns casos, mas também tem perfis variados de resposta. Quanto aos ansiolíticos (como o lorenin ou o kainever), o organismo pode desenvolver tolerância, o que significa que, mesmo com a toma regular, o efeito pode diminuir com o tempo — sobretudo se não estiverem ajustados à fase atual da doença. Além disso, é importante lembrar que o sono numa fase depressiva bipolar não melhora apenas com sedativos — muitas vezes, é necessário otimizar a estabilização do humor como um todo, ajustar doses, rever combinações, ou até considerar fármacos com ação mais direta na arquitetura do sono. Recomendo falar com o psiquiatra assistente para rever o plano terapêutico. Há alternativas seguras e eficazes — e dormir bem pode ser mesmo a chave para a recuperação. Desejo-lhe tranquilidade neste processo — e força para ambos.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.
