Perguntas do paciente (3)

  • Qual o consultorio mais completo, para me ajudar na minha doença mental. Tenho 34 anos,sou do Porto

    Qual o consultorio mais completo, para me ajudar na minha doença mental.
    Tenho 34 anos,sou do Porto sofro de obssessões desde os 17, e tenho varios diagnosticos: o principal é de um psicanalista que diz que eu sou Borderline e reaslmente sempre suspeitei disso.
    Sou muito depressivo, ansioso, fobico, evitante, não tenho uma carreira, sou virgem, nunca tive uma namorada. Odeio o meu corpo, só penso em suicidio. Já tentdi duas vezes suicidar-me.
    Já fiz terapia psicodinamica estes anos todos, melhoro mas depois regrido radicalmente como uma criança assustada. Por favor qual o médico/psiquiatra/psicoterapeuta no Porto que me pode ajudar de firma multidisplinar?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Ricardo Gusmão

    Boa tarde, não costumo responder a estas questões mas a sua chamou-me a atenção. Um diagnóstico psicanalitico não é um diagnóstico psiquiátrico clínico (complicado explicar por aqui). Borderline, no âmbito psicodinamico, não é sobreponivel com borderline psiquiátrico. Precisa de ser diagnosticado em primeiro lugar, e carece de uma proposta terapêutica personalizada, de seguida. Ou seja, o modelo terapêutico é escolhido consoante as suas necessidades e necessidades e não ao contrário. Melhoras. Cumprimentos. Professor Ricardo Gusmão


  • Tenho sintomas de transtorno obsessivo compulsivo desde por volta dos 5 ou 6 anos, que foram variand

    Tenho sintomas de transtorno obsessivo compulsivo desde por volta dos 5 ou 6 anos, que foram variando com o meu crescimento. Tenho obsessões e compulsões, atualmente uma delas é verificar se o fogão está realmente desligado, por receio de haver uma vazamento de gás, mas é algo fora do normal, repetidas vezes freneticamente até o sofrimento, mesmo até me sentir exausto. Quando eu era menor tinha pensamentos intrusivos sobre religião, que me causavam sofrimento profundo, até me lembro de ficar fazendo contagem compulsiva para tentar lutar contra esses pensamentos. É algo tão surreal que para explicar é complicado. Nunca ninguém me entendeu, até eu, sinto envergonhado. Sempre me acompanhou e sempre muda com o passar do tempo e com toda a certeza me prejudica drasticamente. Sei que devo buscar ajuda, mas preciso de um certo esclarecimento antes.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Ricardo Gusmão

    Perturbação obsessivo-compulsiva. Tratamento combinado, farmacológico e psicoterapeutico CBT e psicoeducação.
    É isto.
    Ou não ter qualidade de vida.
    É uma doença e trata-se.


  • Depressão

    Tenho 48 anos, sexo masculino, sou seguido em consultas de psiquiatria desde 1991. O meu diagnóstico é TOC associado a depressão secundária, com grande componente ansiosa. Tive um episódio convulsivo em 1993 com Anafranil, após o qual efectuei ECG e TAC (e mais tarde, já em 2014, RM). As alterações descritas nos relatórios dos referidos exames não são valorizadas pela neurologia. Efectuei o último ECG em 2014 e mantinha a indicação de "actividade paroxística em projecção temporal esquerda" (mais uma vez sem valorização pela neurologia). A depressão é, actualmente, o meu maior problema, aquilo que verdadeiramente me incapacita. Tenho vindo a consultar diversos psiquiatras ao longo dos anos, mas não sinto melhorias com os tratamentos. Também muitos desses psiquiatras, seja logo na primeira consulta, ou algumas consultas depois, demonstram uma forma displicente de me tratar, razão que me leva a andar sempre a mudar de médico. Tive agora uma consulta, numa Clínica, e a médica psiquiatra que me atendeu disse-me que eu estava já demasiado "psiquiatrizado", que é minha responsabilidade sair do papel de doente e que a razão dos psicofármacos (sobretudo os antidepressivos) não actuarem tem a ver com o facto de o "psicológico" não os deixar actuar. Ou seja, eles actuam nos neuro-receptores, mas depois o "psicológico" trava o seu efeito. Ora, eu faço psicoterapia há 6 anos, sempre com a mesma psicóloga, com quem tenho uma excelente relação terapêutica. A minha questão é: sentindo-me cada dia mais angustiado, sem energia ou sequer vontade de viver, estado este agravado pelas constantes decepções relativamente à psiquiatria, pergunto se há algo que, de facto, a psiquiatria possa fazer por mim, no sentido de me dar o mínimo que seja de qualidade de vida e a possibilidade de retomar a minha actividade profissional (interrompida há mais de um ano)? Muito obrigado pela atenção que este texto, porventura demasiado longo (as minhas desculpas), lhes possa merecer.

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Prof. Ricardo Gusmão

    Lamento o curso negativo da sua doença. Há vários factores que determinam a resistência e não resposta adequada ao tratamento.
    Alguns desses factores são parte do indivíduo, da sua personalidade e sistema de crenças, outros são relativos à doença propriamente dita, outros à medicação e restantes tratamentos, e outros ainda provêm do contexto.
    A questão principal é: face ao diagnóstico que tem, que tratamentos tem feito e porque se dá bem com uns e não com outros? Tem feito as intervenções adequadas? Qual o modelo de intervenção psicoterapêutico? Que medicamentos e dosagens tem feito e durante quanto tempo? Como é a sua vida relacional e social?
    Contudo, a mudança frequente de psiquiatra não costuma ser um indicador de bom prognóstico até porque é o profissional nuclear para tratar um quadro de TOC e patologias associadas. Por algum motivo, tal não aconteceu com a sua psicóloga, com a qual mantém uma boa relação.
    A perseverança e persistência juntamente com adequação de intervenção, ainda que possam não permitir uma cura (trata-se de uma doença crónica) deverão poder permitir uma melhoria da qualidade de vida.
    É importante também perceber o seguinte: quer a medicação, quer a intervenção psicoterapêutica, quer a prescrição ambiental, têm todas impacto ao mesmo nível. Estou a falar da pessoa. E em particular, do seu cérebro.


Perguntas frequentes

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