Perguntas do paciente (4)

  • Eu e o meu marido fomos pais há 3 anos e desde que engravidei nunca mais tivemos relações, gostaria

    Eu e o meu marido fomos pais há 3 anos e desde que engravidei nunca mais tivemos relações, gostaria de saber o que posso fazer pra voltar a ter vontade porque sinto que não fazemos porque eu não tenho vontade

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Daniel Medeiros de Oliveira

    Olá, antes de mais nada, é importante que você saiba: você não está só. Essa é uma angústia compartilhada por muitas mulheres. Infelizmente, vivemos em uma cultura que restringe os espaços para a expressão do desejo feminino e perpetua tabus que dificultam o diálogo aberto sobre as mudanças no desejo ao longo da vida e do relacionamento. Por isso, muitas vezes, a única saída para o conflito interno acaba sendo a angústia.

    O que fazer para voltar a sentir vontade? É essencial investigar o seu desejo e o cuidado consigo mesma. Já se perguntou onde está o seu desejo nessa relação? Você não sente vontade ou não sente vontade com ele? E suas fantasias sexuais? Vocês têm liberdade na relação para falar disso abertamente? Como a rotina está afetando vocês? No fim do dia, ainda sobra energia para "entrar no clima", ou as preocupações com os filhos, a casa e o trabalho têm dificultado isso?

    Também é importante lembrar que existe uma diferença entre amor e desejo. Você sabia que é possível amar uma pessoa e, ainda assim, desejar essa mesma pessoa ou até outra? Como essa distinção se manifesta na relação de vocês?

    Para explorar essa questão com profundidade, recomendo que você busque abordagens psicodinâmicas ou psicanalíticas. Penso que te ajudará a fazer essa travessia.
    Que você tenha a coragem para enunciar o teu desejo!


  • Bom dia, O meu companheiro é uma pessoa que não demonstra minimamente afeto por mim ou algum intere

    Bom dia,
    O meu companheiro é uma pessoa que não demonstra minimamente afeto por mim ou algum interesse na relação. Nunca conversa sobre nada que seja à relação, não se preocupa em fazermos atividades juntos, não demonstra interesse em nada nem me prioriza.
    Já tentei falar com ele de diversas formas, não resultou, agora nem sequer quer falar.
    Comecei a sentir um desgaste emocional muito grande, ando todos os dias triste, mal disposta e estou sempre a apontar - lhe os defeitos, porque na verdade não sei mais o que fazer.
    Já tentamos terapia de casal mas ele depois quando chega a casa diz que só vou para lá falar mal dele, interrompe-me nas consultas, ameaça que se vai embora quando estou a falar dele e eu acabo por não falar das coisas, acho que o médico está a conduzir as sessões como se o problema fosse meu... Já não sei o que fazer

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Daniel Medeiros de Oliveira

    Olá, muitos casais que passam por crises no relacionamento procuram a terapia na esperança que o terapeuta tenha alguma técnica que os façam voltar a se amar como "antigamente" (ou seria sofrer como antigamente?)

    Não é incomum que no processo eles se apercebam que, apesar de se amarem, estão diante de uma crise do desejo.

    Por vivermos numa cultura que atribui um status de superioridade moral à monogamia, restringe os fóruns de expressão do desejo feminino e inculca um tabu ridículo que impede o diálogo aberto sobre as fantasias sexuais e as transformações do desejo ao longo da vida do relacionamento, o único escape para esse conflito, diante da censura, é a angústia.

    Nsse cenário irrompe as maiores confusões, ressentimentos e invasões de privacidade. Os casais veem o amor transmutar-se em ódio e em ressentimentos de todos os tipos. Abandonos.

    Por isso, sugiro que busque cuidar de compreender por onde anda o teu desejo, não espere que esses abandonos destrua o amor que existiu e que ainda talvez exista entre vocês. Amor e desejo coisas distintas. Faria bem aos dois elaborar essas questões.


  • O vicio em pornografia causa alguns distúrbios no psicológico do homem e nos relacionamentos? Já li

    O vicio em pornografia causa alguns distúrbios no psicológico do homem e nos relacionamentos?
    Já li q a pornografia altera o desejo pela parceira...
    Mas é somente pela parceira ou por mulher em geral...
    O homem deixa de ter desejos em geral ou é apenas um bloqueio com a parceira?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Daniel Medeiros de Oliveira

    Olá, antes de tudo, é importante refletir sobre o que você está chamando de "vício em pornografia". Partir diretamente da ideia de que se trata de algum distúrbio seria a pior abordagem possível. Pense bem: rotular como distúrbio nos colocaria na missão contraproducente de tentar definir os limites do que é normal ou patológico – não em fantasias masculinas de modo geral, mas nas suas especificamente. Patologizar fantasias... será mesmo o caminho?

    Agora, vamos lançar um pouco de luz sobre a sua questão:

    A pornografia é parte de uma indústria de entretenimento – e, historicamente, uma indústria predominantemente masculina. É verdade que hoje já se reconhece que as mulheres também consomem esse tipo de conteúdo. De acordo com o relatório anual do site Pornhub, a maior plataforma de vídeos adultos do mundo, em 2022, as mulheres representaram 36% dos usuários. Ainda assim, os espaços de expressão do desejo feminino continuam muito restritos e envoltos em tabus. Isso revela que a pornografia, em grande parte, serve à objetificação do corpo feminino para alimentar fantasias masculinas.

    E qual o problema disso? Em uma relação real com uma mulher, não são apenas as suas fantasias e desejos que entram em cena. Ela também traz os dela. E, muitas vezes, surge um conflito entre as projeções que você faz ao assistir a um filme pornográfico e as expectativas ou particularidades da sua parceira.

    Então, como lidar com isso?
    O primeiro passo é buscar compreender melhor a estrutura do seu desejo e as suas fantasias. Isso já seria um grande avanço. Em seguida, é fundamental abrir espaço para um diálogo honesto com sua parceira sobre as fantasias de ambos. Explorem juntos o que funciona para vocês. Provavelmente, vocês descobrirão que têm muito mais em comum do que imaginam.


  • Olá, Tenho 27 anos e vejo pornografia de forma ocasional (média 2x/mês). Tenho um namorado há 3 an

    Olá,
    Tenho 27 anos e vejo pornografia de forma ocasional (média 2x/mês). Tenho um namorado há 3 anos que me preenche muito a nível intimo/sexual e quando não estamos juntos por estarmos chateados, quando não nos vemos e não nos falamos, sinto desejo por ele e vejo pornografia numa forma de compensação por não poder estar com ele. Acontece que ele não compreende isso, acha que não me satisfaz e que procuro prazer a ver outros homens e neste momento coloco em causa se terei algum transtorno parafílico ou se realmente é um comportamento normal. Podem ajudar-me a compreender o que se passa?

    RESPOSTA DO MÉDICO:

    Dra. Daniel Medeiros de Oliveira

    Olá, importa que você saiba que não há nada de errado com você por extrair algum prazer de vídeos pornográficos, inclusive recomendo que busque se informar sobre como o consumo desse tipo de conteúdo por mulheres aumentou nos ultimos anos: de acordo com o site PornHub, em 2022, as mulheres representaram 36% dos utilizadores.

    Sobre a angústia com a tua demanda:
    Saiba que a nossa sociedade atribui um status de superioridade moral à monogamia. Isto coloca um peso desproporcional sobre as mulheres que tem de enfrentar, por todos os lados, tentativas de controlar e moldar os seus comportamentos. Isso ocorre por diversas razões e tentar dar uma explicação aqui com poucas palavras seria longo e confuso. O que você precisa saber é que as ciências, sobretudo estudos de psicologia e a neurociência simplificados, muitas vezes são instrumentalizados para estabelecer essa dominação masculina.

    Em síntese: você não é objeto exclusivo do desejo do teu namorado, nem de ninguém. É possível amar uma pessoa e desejar a mesma pessoa ou outras. O que define não é essa possiblidade, mas o protocolo ético que vocês estabelecem na relação de vocês. Por isso é fundamental que vocês criem um espaço de diálogo aberto sobre o desejo e as fantasias sexuais do casal. Já é hora de romper com esses tabus. Fica bem!


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