Penso muitas vezes porque é que eu não sou como as pessoas "normais", porque é que sou neurodivergen
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Penso muitas vezes porque é que eu não sou como as pessoas "normais", porque é que sou neurodivergente...
Penso o que é que me faltou no meu crescimento, na minha adolescência.. Porque é que não aprendi o que a maioria das pessoas aprendeu..
Porque é que não tive amigos na infância, porque é que não tive amigos na adolescência.. Porque é que na faculdade não fiz amizades fortes, ao contrário da maior parte dos meus colegas de turma da faculdade..
Penso quais foram as experiências de relacionamento humano que me faltaram..
Porque é que não amadureci...
Porque é que aos 27 anos me afastei da minha
família...
Porque é que nunca tive um relacionamento amoroso longo.. (nunca passou de um ano)...
e muito menos tenho filhos.
Porque é que não tenho amigos... (se toda a gente diz que sou boa pessoa)..
Não entendo o que se passa comigo.. Não entendo porque sou tão sozinha, não entendo quais são as minhas lacunas como pessoa...
Não entendo..........
Penso como é que hei de mudar estas coisas..
Nota1: tenho mais de 40 anos
Nota2: já tive sessões de terapia, não deu em nada
Penso o que é que me faltou no meu crescimento, na minha adolescência.. Porque é que não aprendi o que a maioria das pessoas aprendeu..
Porque é que não tive amigos na infância, porque é que não tive amigos na adolescência.. Porque é que na faculdade não fiz amizades fortes, ao contrário da maior parte dos meus colegas de turma da faculdade..
Penso quais foram as experiências de relacionamento humano que me faltaram..
Porque é que não amadureci...
Porque é que aos 27 anos me afastei da minha
família...
Porque é que nunca tive um relacionamento amoroso longo.. (nunca passou de um ano)...
e muito menos tenho filhos.
Porque é que não tenho amigos... (se toda a gente diz que sou boa pessoa)..
Não entendo o que se passa comigo.. Não entendo porque sou tão sozinha, não entendo quais são as minhas lacunas como pessoa...
Não entendo..........
Penso como é que hei de mudar estas coisas..
Nota1: tenho mais de 40 anos
Nota2: já tive sessões de terapia, não deu em nada
Bom dia!
Parece-me haver aí alguma possível questão de desenvolvimento, mas mais do que isso, uma situação de trauma precoce e possível TTT - Transmissão Trangeracional de Trauma.
Fez um processo psicoterapêutico onde estas questões foram tidas em conta?
Aconselho vivamente, pois viver assim é sofrer todos os dias e merece melhor!
Abraço,
Teresa Chuva
Parece-me haver aí alguma possível questão de desenvolvimento, mas mais do que isso, uma situação de trauma precoce e possível TTT - Transmissão Trangeracional de Trauma.
Fez um processo psicoterapêutico onde estas questões foram tidas em conta?
Aconselho vivamente, pois viver assim é sofrer todos os dias e merece melhor!
Abraço,
Teresa Chuva
Noto que no seu discurso há muito sofrimento. Mas também noto que se compara, inferiorizando-se e que atribui a fatores externos os seus sentimentos de incapacidade ou insatisfação. Talvez fosse importante olhar para si de outra forma. Compreendo que já fez sessões de psicoterapia, o que é excelente mas lamento que tenha sentido que não ajudou com as questões que sugere. Persista na procura de apoio psicológico. A relação terapêutica é muito importante e nem sempre há uma identificação com o(a) psicólogo (a) e reconhecer isso é importante também para se permitir a encontrar um profissional com quem se possa identificar e que a possa fazer sentir compreendida e auxiliada.
Boa tarde, independentemente da sua idade, se agora está numa fase mais instrospectiva, talvez seja a altura de procurar aprofundar melhor e poder assum iniciar a sua jornada de autoconhecimento. Podem ter havido questões familiares que possam estar na base das dificuldades que apresenta. Porém, afastar-se da familia não elimina as histórias ou traumas que possam ter ocorrido lá atrás. É importante poder abrir-se a explorar isso com um profissional de psicologia que seja da sua confiança. Devemos permitir-nos a tentar novamente, mesmo que no passado algo possa ter corrido mal, ou seja, porque teve consultas que não resultaram no passado com outro profissional, pode desta vez tentar encontrar alguém com quem tenha mais empatia e outras caracteristicas que valorize, no entanto, a iniciativa e o compromisso terão de partir de si para que o processo (que nem sempre é fácil) se efective. Força e coragem! Espero ter ajudado, cumprimentos, Liliana Rocha, psicóloga clínica
Já é um primeiro passo não atribuir culpas ao mundo exterior e ter consciência de que algo não está bem em si, que o leva a ter padrões de comportamento que o levam a afastar-se dos outros.
Procure ajuda dum profissional, não desanime, às vezes a terapia pode não ter resultado porque não teve empatia por determinado profissional ou até pode ser que até agora não estivesse preparado para o processo terapêutico.
Espero ter ajudado!
Estou disponível, para consultas online e presenciais (Lourinhã)
Anabela do Rosário Cruz, Psicóloga Clínica
Procure ajuda dum profissional, não desanime, às vezes a terapia pode não ter resultado porque não teve empatia por determinado profissional ou até pode ser que até agora não estivesse preparado para o processo terapêutico.
Espero ter ajudado!
Estou disponível, para consultas online e presenciais (Lourinhã)
Anabela do Rosário Cruz, Psicóloga Clínica
Olá, e obrigada por confiar e partilhar algo tão profundo e honesto. As perguntas que levanta não são pequenas — são questões existenciais, sentidas no corpo e no silêncio, não só pensadas com a mente. E o simples facto de as colocar com essa clareza já mostra uma grande capacidade de autoobservação e um desejo genuíno de compreender-se.
É natural sentir-se cansada quando já tentou ajuda e sentiu que “não deu em nada”. Isso pode trazer frustração e a sensação de que talvez o problema esteja em si — mas, na verdade, pode simplesmente significar que a abordagem ou o vínculo terapêutico anterior não foram os certos para si naquele momento da vida. Às vezes, é preciso encontrar um espaço onde se sinta verdadeiramente escutada, sem pressa para mudar, sem expectativa de “normalizar”, mas com presença e respeito pela sua história única.
A sua sensação de não ter aprendido o que “todos os outros aprenderam”, de não ter vivido relações marcantes, de não se sentir integrada, não são sinais de falha — são pistas de uma trajetória marcada, talvez, por vivências de exclusão, solidão ou incompreensão desde cedo. E isso deixa marcas. Não porque algo esteja “errado” consigo, mas porque o mundo nem sempre foi justo ou sensível ao seu modo de estar.
Quando menciona a neurodivergência, está a tocar num ponto muito importante. Ser neurodivergente pode significar ter um modo de funcionar diferente do esperado socialmente — e quando esse funcionamento é sistematicamente invalidado ou incompreendido, a pessoa aprende a viver em esforço constante, tentando “acompanhar” um ritmo que não foi feito para ela. E esse esforço cobra um preço alto: cansaço emocional, isolamento, confusão, sentimento de inadequação.
As perguntas que coloca — “porque é que sou assim?”, “o que me faltou?”, “porque não amadureci?”, “porque sou tão sozinha?” — não têm respostas simples, mas merecem ser exploradas com tempo, profundidade e compaixão. Não para encontrar culpados, mas para compreender como se construiu a sua história interna e, a partir daí, começar a criar outra forma de se relacionar consigo mesma.
Há algo muito importante nas suas palavras: você ainda quer mudar, compreender, encontrar caminhos. Isso, por si só, é sinal de vitalidade emocional. Talvez precise agora de um espaço terapêutico que não a empurre para "ser como os outros", mas que a ajude a fazer as pazes com quem você é — e que vá, pouco a pouco, descobrindo o que ainda pode florescer na sua vida, a partir de quem você é de verdade.
Há muito que ainda pode ser vivido, com mais leveza e sentido — mesmo que, agora, isso pareça distante. O facto de estar a questionar-se assim mostra que ainda acredita que é possível. E é.
É natural sentir-se cansada quando já tentou ajuda e sentiu que “não deu em nada”. Isso pode trazer frustração e a sensação de que talvez o problema esteja em si — mas, na verdade, pode simplesmente significar que a abordagem ou o vínculo terapêutico anterior não foram os certos para si naquele momento da vida. Às vezes, é preciso encontrar um espaço onde se sinta verdadeiramente escutada, sem pressa para mudar, sem expectativa de “normalizar”, mas com presença e respeito pela sua história única.
A sua sensação de não ter aprendido o que “todos os outros aprenderam”, de não ter vivido relações marcantes, de não se sentir integrada, não são sinais de falha — são pistas de uma trajetória marcada, talvez, por vivências de exclusão, solidão ou incompreensão desde cedo. E isso deixa marcas. Não porque algo esteja “errado” consigo, mas porque o mundo nem sempre foi justo ou sensível ao seu modo de estar.
Quando menciona a neurodivergência, está a tocar num ponto muito importante. Ser neurodivergente pode significar ter um modo de funcionar diferente do esperado socialmente — e quando esse funcionamento é sistematicamente invalidado ou incompreendido, a pessoa aprende a viver em esforço constante, tentando “acompanhar” um ritmo que não foi feito para ela. E esse esforço cobra um preço alto: cansaço emocional, isolamento, confusão, sentimento de inadequação.
As perguntas que coloca — “porque é que sou assim?”, “o que me faltou?”, “porque não amadureci?”, “porque sou tão sozinha?” — não têm respostas simples, mas merecem ser exploradas com tempo, profundidade e compaixão. Não para encontrar culpados, mas para compreender como se construiu a sua história interna e, a partir daí, começar a criar outra forma de se relacionar consigo mesma.
Há algo muito importante nas suas palavras: você ainda quer mudar, compreender, encontrar caminhos. Isso, por si só, é sinal de vitalidade emocional. Talvez precise agora de um espaço terapêutico que não a empurre para "ser como os outros", mas que a ajude a fazer as pazes com quem você é — e que vá, pouco a pouco, descobrindo o que ainda pode florescer na sua vida, a partir de quem você é de verdade.
Há muito que ainda pode ser vivido, com mais leveza e sentido — mesmo que, agora, isso pareça distante. O facto de estar a questionar-se assim mostra que ainda acredita que é possível. E é.
O facto de “a terapia não ter resultado” não invalida a psicoterapia — pode ter sido:
Abordagem inadequada
Falta de aliança terapêutica
Objetivos pouco claros
Isolamento crónico não é traço de carácter, é sinal clínico.
Recomenda-se nova avaliação psicológica, com foco em identidade, vinculação e integração social.
Abordagem inadequada
Falta de aliança terapêutica
Objetivos pouco claros
Isolamento crónico não é traço de carácter, é sinal clínico.
Recomenda-se nova avaliação psicológica, com foco em identidade, vinculação e integração social.
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