Olá! Há 12 anos que me foi diagnosticado artrite reumatóide e fibromialgia. Tomo Rantudil, Valenfa

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Olá!
Há 12 anos que me foi diagnosticado artrite reumatóide e fibromialgia. Tomo Rantudil, Valenfaxina e Tramadol, todos os dias, há vários anos. Fiquei doente depois de um divórcio litigioso que durou seis anos e que culminou com o rapto dos meus 2 filhos. Embora o juiz decretasse que os filhos ficavam comigo, o meu ex-marido nunca os entregou. Eles deixaram de frequentar as aulas porque o pai não os podia matricular e eu, para não os prejudicar, escrevi uma carta ao juiz a solicitar-lhe que entregasse legalmente os meus filhos ao pai. Foi um sofrimento indiscritível... Eles agora têm 44 e 42 anos. Eu falo com eles, mas continuo em sofrimento... Nunca fui a uma festa de anos dos meus netos... Há 30 anos que não passo um Natal com os meus filhos...
Tenho 64 anos e passei mais de metade da minha vida em depressão e sofrimento. Gostaria de ser capaz de ultrapassar o meu passado e esquecer tudo o que me fez sofrer. Será que é possível? Será que me podem ajudar?
Olá! As suas palavras são comoventes e merecem, antes de mais, respeito e escuta.

O que descreve não é apenas uma história de dor — é também uma história de resistência. Passar por uma perda afetiva tão profunda, somada a anos de luta judicial e afastamento dos filhos e netos, deixa marcas profundas. E, sim, essas marcas podem somatizar-se, como vemos na fibromialgia, na depressão e na dor que não é só física.

Mas há uma mensagem que gostava de lhe deixar com muita delicadeza e esperança: nunca é tarde para recomeçar a cuidar de si. Mesmo depois de décadas de sofrimento, existem abordagens que ajudam a aliviar a carga emocional, a reconstruir a autoestima e, em alguns casos, a transformar a dor em força.

Com uma escuta atenta, novas abordagens farmacológicas (mais modernas e adaptadas a quadros complexos como o seu), e também suporte psicoterapêutico bem orientado, é possível mudar o rumo. Não se trata de apagar o passado, mas de lhe dar outro lugar na sua vida.

O facto de estar aqui, a escrever com tanta clareza e coragem, é o primeiro passo. E pode ser o início de algo novo.

Um abraço cheio de respeito e esperança.

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