Fui diagnosticada com borderline
Fui diagnosticada com borderline há mais de uma década, mas ando em tratamento psiquiátrico desde os 12, (tenho agora 27). Estou pela primeira vez inserida num programa MBT específico, (desde o inicio do ano),sem sucesso. Há outra alternativa para casos como o meu em Portugal, avanços na Ciência?
6 respostas
Os transtornos da personalidade não são uma "doença curável" com medicação, psicoterapia ou ambos. Tal como o próprio nome indica, trata-se de uma forma menos funcional de ser. Importa por isso alinhar as espectativas sobre "ter sucesso". O que é, para si, ter sucesso na intervenção? Não será, o sucesso, conseguir, progressivamente, controlar a impulsividade? Conhecer os estados emotivos e prevenir as reações típicas? Claro que sim! O sucesso é feito diariamente em cada pequena (grande) conquista! O MBT (não sendo a minha área de intervenção) parece-me ser uma metodologia adequada. A psicoterapia compreensiva é, também, uma boa forma de promover o auto-conhecimento e a capacidade de "ver para além" do que foi sentido em determinada situação ou contexto. Espero ter ajudado
No final dos anos 70, a Dra Marsha Linehan, Psicologa e investigadora na Universidade de Washington e ela própria com uma história de BPD (Transtorno de Personalidade Borderline), desenvolveu, a DBT (Terapia Comportamental Dialéctica). Mas, claro, este não é o único método e a relação com o terapeuta é fundamental assim como o compromisso com o processo. Quanto ao sucesso, concordo com a Dra Helena acima, será o seu sentir, estar e agir de forma mais regulada, com uma melhor compreensão dos estímulos a que reage mais e menos e que partes de si entram em conflito, que irá informá-la do sucesso ou não do processo, na medida em que a fará sentir-se melhor consigo, numa maior sintonia entre o que sente, pensa e faz.
Sinto que se sente frustrada por não ver resultados em tantos anos de tratamento. Tente fazer Psicoterapia na abordagem Relacional-dialógica ou sócio-histórica.O desafio em se exercer psicoterapia num paciente com patologia borderline (fronteira do funcionamento psicótico e neurótico), faz-me ir além das categorias clássica de diagnóstico e acima de tudo a perceber o Funcionamento emocional através da aplicação do Teste de Personalidade Rorschach. Na abordagem que sigo relacional-dialógica a psicoterapia tem como objetivo um processo de sentido e transformação, pois na relação que se estabelece entre paciente e psicoterapeuta existe a capacidade de construir sentido e significado para o modo de pensar, sentir, agir e estar com o mundo.
O transtorno que escreve deve ser seguido em concomitância com fármacos e com acompanhamento psicologico assim como programas que promovam a autonomia e o maior controlo de toda a sintomatologia
Não são precisos mais avanços do que aqueles que já existem. Precisa sim de encontrar um espaço de Psicoterapia onde se sinta bem e lhe seja possível lidar com as suas dificuldades de forma sistemática e consistente.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.


