O meu pai é esquizofrenico, esta
O meu pai é esquizofrenico, esta tratado. Gostaria de saber se eu tenho possibilidade de ter a doença? tenho 20 anos sem sintomas.
4 respostas
De facto, tem um risco aumentado de desenvolver a doença. Não só por partilhar metade do património genético com o seu pai, mas, também, porque cresceu com alguma influência deste. Ainda assim, não sei as estatísticas exactas, mas tem muito mais probabilidade de vir a ter um acidente de viação grave, nos próximos cinco anos, do que desenvolver uma Psicose Esquizofrénica. Uma vez que não há nada que possa fazer quanto à sua herança genética e pouco que possa fazer quanto à sua aculturação, tente viver o melhor que lhe for possível, independentemente de qualquer patologia que os seus progenitores possam ter.
Enquanto humanos a nossa maior capacidade prende-se com a nossa capacidade no estabelecimento de relações interpessoais. Se consegue estabelecer vínculos afetivos com outros então muito provavelmente não apresenta esquizofrenia, deve ter notado seguramente a grande incapacidade do seu pai em se relacionar e ter amigos até mesmo com pessoas com as quais conhece bem. Relativamente aos sintomas como as alucinações esses são controlados com terapêutica medicamentosa adequada, no entanto, seria muito importante que fosse também acompanhado em psicoterapia, não sei se o faz. Relativamente a si teve de certo ao longo da sua vida a possibilidade de experimentar e criar vínculos afetivos com outros além da sua família daí que o seu cérebro se possa ter modificado, como que amadurecido, como disse anteriormente enquanto humanos é através da relação que o nosso cérebro, como que "amadurece.
Enquanto não se conhecer bem a génese deste tipo de doenças, toda a gente possui um risco, mais ou menos relevante, de desenvolver uma doença deste género. No entanto há variáveis que aumentam o risco: 1) ter uma personalidade esquizomorfa; 2) ter pai ou mãe ou irmãos com a doença; 3) estar numa idade propicia (mais entre os 15 e os 25 anos, sobretudo pelos 22 aos 24 anos); 4) fazer consumos de drogas (cannabis, cocaína, anfetaminas...) incluindo álcool; 5) ter ou apresentar na família, outro tipo de perturbações do comportamento graves que se inscrevam no grupo das psicoses; etc... O diagnóstico médico é complexo e nunca excluí uma historia e uma observação clinica, só assim é razoável fazer uma previsão com o mínimo de fiabilidade.
Na continuidade das respostas anteriores, o maior foco é a prevenção. Assim procurar ter uma vida afetiva e relacional estável é importante. Se entende que existe alguma dúvida não evite ouvir a opinião de um técnico ou fazer uma avaliação do seu estado mental atual. Procure saber mais sobre os sinais e sintomas da doença ou fale com algum especialista sobre a sua preocupação. O mais importante é a intervenção precoce e assim sendo hoje o tratamento no geral é bem sucedido.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.



